PIB e Arrecadação, uma relação quase perfeita

Alerta para a baixa Herança Estatística

A atividade econômica observada no 4º trimestre de 2018 não foi nada inspiradora para o início de 2019, visivelmente fraca, e o reflexo disso no 1T19 será firme, ou seja, o resultado será desanimador. Passada as eleições presidenciais o empresário e o consumidor não apareceram de forma empolgante, esperando fatos concretos. Pesquisas preliminares como o próprio IBC-Br do Banco Central (BC), como o Monitor do PIB da FGV demonstram esse desempenho. Com isso, expectativas estão sendo revistas.
Detalhe interessante é o Índice de Incerteza da Economia (IIE) da FGV, que segundo observadores está elevado e nunca se sustentou acima de 110 pontos por tanto tempo. Ou seja, apesar da queda de 1,5 ponto percentual de dezembro para janeiro, situando-se em 111,5 pontos, o IIE está nesse nível desde outubro de 2018. Logo, é fácil perceber que há muita dúvida sobre as reformas, basicamente a da previdência, e o relacionamento novo governo / Congresso Nacional.
Há também um elemento importante sobre percepção econômica que é a “Herança estatística” ou “Carry over” sobre o PIB, positiva ou negativa, passada de um ano para o outro. Ou seja, supõe-se que a produção de bens e serviços não se expanda, mas se limite a repetir, a cada trimestre, o volume atingido entre outubro e dezembro do ano anterior. Este conceito ainda é pouco difundido, o que resulta em uma distorção de informações, já que em determinado ano o resultado oficial pode ficar muito acima da realidade, bem como muito abaixo.
Para 2019 tem-se a ideia de que pelo IBC-Br, que fechou 2018 em 1,15%, a herança estatística é muito baixa, já que houve crescimento de 0,2% no 4T18, ante 1,7% do 3T18, que expressou a expansão sobre um 2T18 influenciado pela greve dos caminhoneiros. Isso acaba agregando a alta taxa de desemprego e o desequilíbrio das contas públicas que impedem um maior ritmo de atividade econômica.
Já o Monitor do PIB da FGV demonstrou crescimento de 1,1% da atividade econômica em 2018, muito próximo ao observado em 2017, refletindo fatores já conhecidos, com a lógica consequência de cautela e retração de investimentos e consumo por parte de empresários e população. Em dezembro o PIB caiu 0,4% em relação a novembro e a dezembro de 2017. Já o Consumo das Famílias retraiu-se 1% em dezembro sobre novembro e 0,3% em relação a dezembro de 2017. Com relação a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 2,2% em relação a novembro e 1,8% sobre dezembro de 2017.
Pelo Monitor, apesar de todos os percalços, aos poucos a economia se recuperou. Em 2018 o Consumo das Famílias subiu 1,8%, de 1,4% em 2017, a FBCF subiu 3,7%, de uma queda de 3,7% em 2017, Serviços alta de 1,34%, de 0,5% em 2017, Construção queda de 2,4%, de queda de 7,5% em 2017.
Por enquanto, está nas reformas o grande trunfo do governo em promover confiança, o que geraria emprego e investimentos e estimularia consumo. Contudo, novamente o lado político entra em cena, com a capacidade do novo governo sendo colocada a prova no relacionamento com o Congresso e com a Família.
Neste início de ano, janeiro e fevereiro não apresentam sinais de grandes investimentos ou maiores contratações que diferenciem 2018 de 2019.

Índice

Arrecadação
Após recuperação, ganhos marginais a partir de agora

Taxa de Juros
Já calibrada como estímulo monetário

América latina
– Equador
De novo o mesmo filme

Commodities
Petróleo
Atenção para correção de metas pela OPEP

Agrícolas
Relação oferta / demanda mundial é a mais estreita desde a safra 2014 / 2015

– Soja
Reversão nas expectativas

 

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Economista – Ricardo Tadeu Martins, Corecon-SP 21.394-2, OEB 9.640.
Fontes deste relatório: FIESP, CONAB, Valor Econômico, Valor Data, Estadão, Folha, O Globo, IBGE, FGV, BCB, Pesquisa Focus, Economática, Atique & Mello Advogados, BMA Review, além das citadas no texto.