Copom: Incentivo pela redução da taxa de juros ?!

O problema não é “incentivo para crescer”, mas sim “dúvida para crescer”

O IPCA de fevereiro, de 0,43%, mostrou uma alta sem consistência, pois traz movimentos isolados de alimentos, face às chuvas, e educação, face ao movimento sazonal de início de ano. Além disso, a média da maioria dos núcleos desacelerou de janeiro para fevereiro.
A alta das vendas do varejo em janeiro, de 0,4% sobre dezembro, continuou sendo determinada por itens básicos do segmento de hiper e supermercados, não sinalizando então melhor recuperação, pois o ritmo se comparado em 12 meses vem caindo desde março de 2018, quando o crescimento era de 3,8%, desacelerando para 2,3% em dezembro e 2,2% em janeiro. Renda estabilizada e expectativas de crescimento em revisões para baixo não incentivam maior comprometimento.
A taxa de desemprego de novembro de 2018 a janeiro de 2019 atingiu 12%, o que representa um aumento frente ao período de agosto a outubro de 2018, de 11,7%, mas ligeira redução na comparação com igual período do ano anterior, de 12,2. Embora haja reflexo do início da dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do ano, a taxa em nada incentiva o consumo e a produção.
A produção industrial de janeiro caiu 0,8% em relação a dezembro e 2,6% em relação a janeiro de 2018, demonstrando a continuidade de perda de dinamismo do 2º semestre de 2018, face às expectativas de reformas necessárias a melhor performance das contas públicas.
Ou seja, por esses poucos, mas relevantes indicadores, fica claro que o alto nível de desemprego ainda não incentiva a demanda das famílias, provocando adiamento de consumo e consequentemente decisões de investimentos por parte das empresas.
E é por isso que achamos que apesar da inflação controlada e expectativas ancoradas, reduzir a taxa de juros tão cedo não é negócio, pois o grande entrave não está no ambiente econômico, mas sim político, que ainda não sinalizou na prática os ajustes necessários, como a reforma da previdência, e cada dia mais se compromete pela falta de articulação de uma base política que será responsável em apreciar e votar. Quanto mais o tempo passa mais ganha forma a antiga política do “toma lá, dá cá” tão combatida pelo novo governo.
Logo, a ideia de que é necessário mais estímulos via taxa de juros é improcedente pelos indicadores demonstrados e uma redução serviria apenas para empresas melhorarem seu perfil de dívida com alongamento e redução de custo. Também não serviria como um “gatilho” pós aprovação da reforma, pois há incentivo de sobra na economia e uma guinada necessária via “viés de alta” seria muito danosa a um BC que acabou de tomar posse.

O Copom não vai se pautar nisso, pois …

“O cenário externo permanece desafiador;”

“O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”; 

“O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com menor grau de incerteza e livre dos efeitos dos diversos choques a que foi submetida no ano passado. O Copom entende que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo;” 

“O Copom avalia que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, tem sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas.” 

 

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Economista – Ricardo Tadeu Martins, Corecon-SP 21.394-2, OEB 9.640.
Fontes deste relatório: FIESP, CONAB, Valor Econômico, Valor Data, Estadão, Folha, O Globo, IBGE, FGV, BCB, Pesquisa Focus, Economática, Atique & Mello Advogados, BMA Review, além das citadas no texto.