Ibovespa recua 2,20% com piora no cenário internacional

MERCADO


Bolsa
Ontem o Ibovespa devolveu mais um pouco da valorização acumulada neste mês, encerrando com queda de 2,20% aos 102.507 pontos, mantendo giro elevado de R$ 35,3 bilhões (R$ 28,6 bilhões no à vista). Os mercados convivem com a insegurança da nova onda de contaminação pelo coronavírus nas principais regiões do mundo e a expectativa de avanço rápido no desenvolvimento de uma vacina e este cenário não deverá mudar antes da virada do ano. Além disso, a transição de governo nos EUA não está sendo facilitada por Trump. Na próxima semana terá se encerrada a safra de resultados corporativos do 3T20 e o mercado deverá voltar a atenção para os problemas políticos e na economia global. Hoje, a agenda econômica traz indicadores da zona do euro, com destaque para o mercado de trabalho no 3T20, a balança comercial de setembro e o PIB do 3T20. No Brasil, sai o índice de atividade econômica (IBC-Br) de setembro e nos EUA, a pesquisa econômica Bloomberg e indicadores de preços ao produtor. As bolsas estrangeiras mostram predomínio de alta na zona do euro, mas sem força.

Câmbio
O dólar voltou a subir em linha com o aumento da insegurança em relação à luta contra a segunda onda de pandemia na Europa e Estados Unidos e com um cenário político que somente deverá ser destravado no começo de 2021. No fechamento de ontem o dólar estava cotado a R$ 5,4584 contra R$ 5,4001 no dia anterior (+ 1,08%).

Juros
Mesmo com a piora no ambiente externo e o marasmo do lado doméstico, os juros fecharam perto da estabilidade para jan/22, com a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) fechando em 3,38% e para jan/27 encerrou em 7,56% contra 7,484% no dia anterior.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Hapvida (HAPV3)
No 3T20, lucro líquido de R$ 247,8 milhões (16,7% sobre o 3T19)

A companhia registrou mais um bom resultado no 3T20 e no acumulado do ano com a incorporação das novas aquisições realizadas durante o ano. A empresa mantém foco no crescimento orgânico e em aquisições pelo Brasil. A receita líquida do 3T20 apresentou crescimento de 61,6% quando comparada ao 3T19, somando R$ 2,13 bilhões.

O número de beneficiários de planos de saúde ao fim do trimestre apresentou crescimento de 48,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior com a entradas das vidas de novas aquisições. Sem considerar as aquisições, houve aumento líquido de 5 mil vidas em planos de saúde na Hapvida (4 mil em planos coletivos e 1 mil em planos individuais). Já as empresas adquiridas adicionaram organicamente 32 mil vidas nos 9M20.

O EBITDA atingiu R$ 512,2 milhões no 3T20 e R$ 1,59 bilhão em 9 meses, um crescimento de 93,8% e 84,9%, respectivamente, em relação aos mesmos períodos comparativos de 2019 em função dos fatores já explicados anteriormente. A Margem EBITDA no 3T20 foi de 24,1% e de 25,3% no 9M20, aumentos de 4,0 p.p. e 3,0 p.p. respectivamente versus os mesmos períodos de 2019.

A empresa encerrou setembro com uma dívida liquida de R$ 2,0 bilhões com apenas R$ 25,4 milhões no curto prazo.

A ação HAPV3 encerrou ontem cotada a R$ 69,85 com alta de 9,8% no ano


Arezzo (ARZZ3)
Lucro líquido de R$ 27,9 milhões no 3T20 mas ainda com prejuízo em 9 meses

No 3T20, o lucro líquido foi de R$ 27,9 milhões, queda de 21,3% em relação ao 3T19 e no acumulado foi um prejuízo de R$ 3,3 milhões contra um lucro de R$ 94,1 milhões nos 9M19. A volta da normalidade dos resultados depende ainda da retomada dos negócios no exterior e do sucesso de vendas das novas coleções. O esforço das vendas online tem compensado o momento ruim do mercado, com os efeitos da pandemia.

O lucro líquido do 3T20 foi impactado pelos seguintes fatores: positivamente pela (i) menor variação cambial associada a variação do dólar, e negativamente, pelo (ii) aumento das despesas financeiras; resultante de um maior volume de juros sobre financiamentos (captações de dívidas realizadas no 1T20 e 2T20) e pelo (iii) aumento de despesas com cartões de crédito decorrentes de um maior volume de sell out no canal web commerce.

Ontem a ação ARZZ3 encerrou cotada a R$ 64,15 com alta de 1,1% no ano.


B3 (B3SA3)
Lucro Líquido recorrente de R$ 1,1 bilhão no 3T20

A B3 registrou no 3T20 um lucro líquido recorrente de R$ 1,14 bilhão, com alta de 34% em relação aos R$ 851 milhões de igual trimestre do ano anterior, explicado, principalmente pela melhora operacional reflexo do forte incremento de receita (+49%) e a redução de 4% das despesas, que no conjunto compensaram a alta de 58% da despesa financeira líquida.

Cotada a R$ 53,78/ação , correspondente a um valor de mercado de R$ 110,7 bilhões, a ação B3SA3 registra alta de 30,4% este ano. O preço Justo de mercado de R$ 67,00/ação aponta para um potencial de alta de 24,6%.

O EBITDA recorrente somou R$ 1,67 bilhão no trimestre, com alta de 50% ante o 3T19, explicado por aumento de receita reflexo dos altos volumes negociados nos principais negócios da companhia e que resultaram em sólido desempenho financeiro e forte geração de caixa; combinado a disciplina na gestão de despesas, contribuiu para o crescimento das margens.

Desde o início do ano, a base de investidores de varejo cresceu 84% e atingiu 3,1 milhões de contas em setembro, crescimento expressivo que contribuiu com a manutenção dos elevados volumes negociados nas plataformas da B3, em continuidade da tendência observada no primeiro semestre de 2020.

Objetivando uma estrutura de capital adequada a companhia realizou em agosto, a emissão de debênture no mercado local de R$ 3,55 bilhões e, em julho, liquidou o Global Bond 2020, de US$ 612 milhões, chegando a um endividamento bruto de 1,2x EBITDA recorrente.

Em adição a B3 encerrou através de um acordo no valor de R$ 140 milhões, a discussão jurídica com a Massa Falida da Spread Corretora, cuja provisão era de R$ 379 milhões (base jun/20), resultando no impacto positivo em diversas linhas do resultado,


Sul América (SULA11)
Lucro líquido das operações continuadas de R$ 286 milhões no 3T20 com alta de 40% ante o 3T19

Na noite de ontem, a empresa divulgou seus números do 3T20 com um excelente resultado da operação, decorrente de melhores vendas e spreads em todas as operações, que foi comprometido por uma grande provisão referente ao evento geológico de Maceió, levando a um resultado final negativo no trimestre.

· No 3T20, a Braskem sofreu um prejuízo de R$ 1,4 bilhão (R$ 1,80 por ação), 42,9% menor que a perda do trimestre anterior, mas 59,1% acima do resultado também negativo do 3T19;

· A operação brasileira da Braskem no 3T20, sempre comparando ao mesmo período de 2019, mostrou aumentos das vendas totais de resinas (3,1%), que beneficiado pelos melhores spreads (diferença entre os preços da matéria-prima e do produto final), levou a um aumento de 11,4% na receita, atingindo R$ 11,1 bilhões. A maior diluição de custos fixos e o controle das despesas operacionais levou a um EBITDA no Brasil de R$ 2,8 bilhões (US$ 529 milhões), um salto de 163,6% em relação ao ano passado.


Sabesp (SBSP3)
Lucro de R$ 421,6 milhões no 3T20

Após o pregão de ontem, a empresa divulgou seus resultados do 3T20 apresentando recuperação de vendas e lucro em relação ao trimestre anterior, mas comparados ao 3T19 os números operacionais foram mais fracos, como se poderia esperar. Vale citar que despesas não recorrentes prejudicaram o resultado do 3T20, enquanto ganhos extraordinários impactaram positivamente os números do 3T19, fazendo com que se observe uma grande redução no lucro na comparação com o ano passado.

· No 3T20, a Petrobras (BR) Distribuidora lucrou R$ 335 milhões (R$ 0,29 por ação), 74,9% menos que no mesmo trimestre do ano passado, mas 78,2% acima do 2T20;

· O volume total vendido pela BR Distribuidora no 3T20, sempre comparando ao mesmo trimestre de 2019, caiu 10,0%, refletindo ainda a retomada da circulação de veículos, após as restrições determinadas para combate à pandemia de Covid-19. Vale destacar que houve um crescimento de 20,5% no volume vendido em relação ao 2T20. No comparativo anual, o pior desempenho foi dos combustíveis para aviação, com queda de 58,3%. Foi importante verificar, que nos principais combustíveis vendidos pela empresa, que são diesel e gasolina, as quedas foram de apenas 3,7% e 3,4%, respectivamente.


Copel (CPLE6)
Lucro Líquido de R$ 680,4 milhões no 3T20

A Copel registrou um lucro líquido de R$ 680,4 milhões no 3T20 com crescimento de 11% em relação ao lucro de R$ 613,5 milhões do 3T19, sensibilizado por incremento de receita de 3,6%, pela queda de  11,1% do EBITDA e melhora do resultado financeiro. No acumulado de 9M20 o lucro líquido alcançou R$ 2,8 bilhões.

Este ano a ação CPLE6 registra queda de 4,9% para uma cotação de R$ 65,72/ação, correspondente a um valor de mercado de R$ 18,0 bilhões. O preço justo de R$ 70,00/ação traz um potencial de alta de 6,5%.

A Receita Operacional Líquida da Copel somou R$ 4,3 bilhões no 3T20, com crescimento de 3,6% ante igual trimestre do ano anterior, acumulando no 9M20 o montante de R$ 13,0 bilhões (+12,4%). Dado o comportamento dos custos e despesas operacionais, com crescimento acima da receita, o Resultado Operacional somou R$ 3,5 bilhões no 3T20 (+10,3% versus o 3T19) e de R$ 9,8 bilhões no 9M20 (+8,9%). O EBITDA alcançou R$ 1,1 bilhão no 3T20, com queda de 11,1% ante o 3T19. No 9M20 o EBITDA somou R$ 3,95 bilhões e se compara a R$ 3,2 bilhões do 9M19. EBITDA ajustado (incluindo operações descontinuadas) somou R$ 1,24 bilhão no 3T20 (+28,3%)

O Conselho de Administração da Copel aprovou ontem (12/11) o modelo de programa de certificado de depósito de ações (“UNITs”). O modelo aprovado propõe as seguintes premissas: (i) as UNITs serão compostas por 5 (cinco) ações de emissão da companhia, sendo 1 (uma) ação ordinária e por 4 (quatro) ações preferenciais classe “B”; (ii) será permitida, exclusivamente para fins de formação de UNITs, a conversão de ações ordinárias em ações preferenciais classe “B” e de ações preferencias classe “B” em ações ordinárias, observado que as ações preferenciais não poderão exceder o limite legal de 2/3 do total de ações emitidas pela Companhia; (iii) a realização de desdobramento das ações de emissão da companhia, logo após a conversão de ações e imediatamente antes da emissão dos UNITs, em proporção a ser definida, visando maximizar a liquidez dos seus respectivos valores mobiliários.


Randon (RAPT4)
Um excelente resultado no 3T20

Na noite de ontem, a empresa divulgou seus números do 3T20 mostrando aumentos nas vendas, elevação das margens e um salto no lucro, também na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

· No 3T20, o lucro da Randon alcançou R$ 116 milhões (R$ 0,34 por ação), 109,9% maior que no trimestre anterior e 47,7% acima do 3T19;

· A retomada da indústria automobilística, o bom desempenho do transporte de cargas e do agronegócio, permitiram que a Randon obtivesse no 3T20 uma recuperação expressiva nas vendas comparado ao trimestre anterior e um desempenho razoável em relação ao 3T19;

· Outros pontos positivos no trimestre foram a maior diluição dos custos fixos e o aumento da eficiência na produção. Os custos ainda não foram impactados pelos aumentos do aço, o que deve ocorrer nos próximos trimestres. Com isso, a margem bruta do 3T20 ficou 6,2 pontos percentuais maior que no 2T20 e 3,0 pp acima do 3T19.


Ferbasa (FESA4)
Perdas com hedge reduzem o lucro do 3T20

Após o pregão de ontem, a empresa publicou seus resultados do 3T20, que comparados ao mesmo período do ano passado, mostraram aumentos de vendas, receitas e rentabilidade operacional, porém, custos financeiros elevados e a inexistência de ganhos extraordinários neste ano, levaram a uma forte retração do lucro.

· No 3T20, a Ferbasa lucrou R$ 11,6 milhão (R$ 0,13 por ação), 46,3% abaixo do trimestre anterior e 92,0 abaixo do 3T19;

· A Ferbasa vendeu no 3T20 um total de 60,4 mil toneladas, com aumento de 6,6% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. No mercado interno as vendas continuaram fracas, com queda de 17,4%, mais que compensadas pelo aumento de 36,7% nas exportações. O destaque foi o aumento de 429,3% no volume vendido das ligas de cromo para o exterior;

· Prejudicou muito o resultado do 3T20 o forte número do resultado financeiro negativo, além da comparação com o ano passado ficar comprometida pelos ganhos extraordinários contabilizados naquele período. No 3T20, o resultado financeiro foi negativo em R$ 69,4 milhões, contra um número positivo de R$ 83,3 no 3T19. Isso ocorrer em função das perdas de R$ 62,9 milhões com o Resultado dos Hedges Liquidados. Além disso, no 3T19 houve um ganho com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS no valor de R$ 81,0 milhões


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