Ibovespa cai 1,57% aos 101.216 pontos

MERCADO


Bolsa
Ontem o Ibovespa pesou, encerrando em baixa de 1,57%, a 101.216 pontos, com giro financeiro de R$ 40,4 bilhões (R$ 36,7 bilhões no à vista). O volume mais alto refletiu o início da operação de venda de ações da Vale detidas pelo BNDES que deverá se desfazer de outras posições à frente. Na semana, as perdas do Ibovespa chegam agora a 1,65%. Os mercados mostram insegurança em uma semana de decisões importantes e com prazo apertado. Os dados fiscais ruins no Brasil e a questão dos incentivos a desempregados nos EUA e no Brasil, aumentam as incertezas principalmente de nosso lado. Com isso, os investidores estrangeiros seguem não apostando em nosso mercado. No dia 31/07 (sexta-feira), a retirada de recursos somou R$ 1,841 bilhão. Hoje temos uma agenda econômica traz os dados de PMI estimados na zona do euro para julho, sem surpresas e as vendas a varejo de junho com alta de 5,7% no M/M e 1,3% no A/A ante uma expectativa de queda de 0,2% (Bloomberg). Nos EUA, saem dados do setor de serviços, balança comercial de junho e outros. No Brasil, a taxa Selic a ser divulgada no final do dia. As bolsas internacionais mostram alta nesta quarta-feira, com notícias de avanço nas negociações para os incentivos nos EUA. A quarta-feira abre com alta também nos preços do petróleo.

Câmbio
A moeda americana recuou de R$ 5,3225 na segunda-feira para R$ 5,2894 (-0,62%) no fechamento de ontem, oscilando numa faixa estreita na semana passada e refletindo os movimentos recentes de fluxo e fatores políticos.

Juros
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21, que melhor capta as apostas para as próximas reuniões do Copom, encerrou em 1,915%, de 1,893% na segunda-feira. O DI para jan/27 fechou com taxa de 6,18%, de 6,062% anterior.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Ecorodovias (ECOR3)
Tráfego continua melhorando

Na manhã de ontem, a empresa divulgou seus números detráfego no acumulado do ano e após a quarentena.  Os dados mostraram que a recuperação da movimentação de veículos vem acontecendo à cada período.

  • No período entre 16/março a 2/agosto (início da quarentena até o último domingo), o tráfego total comparável (sem Eco135 e Eco050) caiu 21,0%), comparado ao um período similar do ano passado (18/março a 4/agosto). Na mesma base, o tráfego acumulado em 2020 teve uma redução de 13,4% em relação ao mesmo período de 2019
  • No período anterior, o tráfego total comparável (sem Eco135 e Eco050), havia caído 21,6% após o começo da quarentena;
  • No 2T20, o tráfego total comparável caiu 23,5%, comparado ao 2T19, puxado pela queda de 41,9% na movimentação de veículos leves. Os veículos pesados tiveram uma redução de apenas 3,2%, sendo que em concessões com o a Ecovias dos Imigrantes ocorreu até um aumento na movimentação (6,4%).  O tráfego total (considerando Eco135 e Eco050) teve uma diminuição de 13,5%.

Notre Dame Intermédica (GNDI3)
Aquisição da Climepe Total por R$ 168 milhões

A Notre Dame Intermédica informou ontem um acordo de intenção de compra e venda para a aquisição da Climepe Total.

O valor do negócio é R$ 168 milhões, e será pago na data do fechamento, ajustado pelo caixa/endividamento líquido a ser apurado.

A ação GNDI3 encerrou ontem cotada a R$ 66,20 com desvalorização de 2,7% no ano.


Sinqia (SQIA3)
Aquisição da Itaú Soluções Previdenciárias, a maior da companhia 

A Sinqia, a líder em softwares para o setor financeiro do Brasil, anunciou ontem aquisição importante de 100% da empresa do Itaú que deve aumentar a receita em 25%.

Com isso aumenta sua base de clientes no segmento de entidades de previdência e agregando um novo produto a sua prateleira. Esta é a décima aquisição da Sinqia desde seu IPO em 2013, e a maior da história da companhia.

A aquisição inclui a totalidade das operações da Itaú Soluções Previdenciárias (“ISP”). A ISP é uma das principais fornecedoras de softwares e serviços para o segmento de previdência fechada e apresentou receita bruta de R$ 50,0 milhões nos últimos 12 meses encerrados em 30/06/2020.

O preço de aquisição será de R$ 82,0 milhões, composto por uma parcela à vista de R$ 33,6 milhões, a ser paga no fechamento, e por parcela a prazo de R$ 48,4 milhões, a ser paga em 5 prestações anuais a partir do 1º aniversário do fechamento.

A aquisição vem um ano depois da Sinqia levantar R$ 362 milhões num follow-on que saiu a R$ 15,5 a ação (depois do desdobramento).

Ação fechou cotada a R$ 23. A companhia vale R$ 1,6 bi na B3.


Indústria automobilística
Forte crescimento das vendas em julho em relação ao mês anterior

As vendas de veículos no Brasil em julho foram de 279,1 mil unidades, com queda de 20,1% comparadas ao mesmo mês de 2019, segundo os dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).  No entanto, na comparação com o mês anterior o volume em julho foi 43,6% maior que as 194,3 mil unidades vendidas em junho.

  • As vendas da indústria automobilística são importantes para os resultados de vários segmentos industriais, como fabricantes de veículos e autopeças (Marcopolo, Randon e Tupy), sendo também relevantes para as siderúrgicas (Usiminas, CSN e Gerdau), que tem nas vendas de aço para o mercado interno suas melhores margens.
  • Em julho, as vendas de veículos continuaram em recuperação, após as reaberturas das fábricas e concessionárias, que veio ocorrendo desde o final de maio. Importantes destaques no mês foram os crescimentos, em relação a julho/2019, das vendas de caminhões (5,8%) e de implementos rodoviários (21,5%).

Omega Geração (OMGE3)
Prejuízo de R$ 30,7 milhões no 2T20

A companhia reportou seu resultado do 2T20, um prejuízo de R$ 30,7 milhões que se compara ao prejuízo de R$ 24,5 milhões do 2T19. Esse resultado (em base de doze meses) foi construído a partir da estabilidade da receita líquida, crescimento de 37% do lucro bruto de energia, incremento de 26% do resultado operacional medido pelo EBITDA, aspectos que foram compensados pela alta de 6% do resultado financeiro líquido negativo.

No acumulado do 1º semestre de 2020 a companhia registrou prejuízo de R$ 82,4 milhões ante prejuízo líquido de R$ 48,5 milhões do 1S19.

Como estratégia a companhia destaca a “busca de aquisições com retornos acima do custo de capital como forma de diversificação da base de ativos com eficácia”. O foco permanece “em ativos eólicos, solares e hidrelétricos com alta qualidade técnica, longevidade operacional, contratos de venda de energia de longo prazo, escala adequada e custos de operação consistentes, proporcionando fluxos de caixa previsíveis e estáveis”.


Alpargatas (ALPA4)
Lucro líquido (não recorrente) cresce 53,1% no 2T20, somando R$ 44,5 milhões

A companhia encerrou o 2T20 com lucro líquido consolidado de R$ 44,5 milhões com um crescimento de 53,1% quando comparado ao mesmo período de 2019. O lucro líquido recorrente (excluindo principalmente os ganhos tributários e as despesas relacionadas à Covid 19) no 2T20 foi de R$ 16,0 milhões queda de 75,2%.

No acumulado do 1S20 o resultado líquido foi de R$ 67,8 milhões contra R$ 72,6 milhões no 1S19, queda de 6,5%. Considerando o resultado recorrente, (sem incentivos) a redução foi de 50,5%, passando de R$ 134,6 milhões para R$ 66,6 milhões. 

Posição Financeira Líquida – A Alpargatas melhorou sua liquidez captando R$ 1,3 bilhão a título de margem de segurança, ficando com uma posição final de caixa de R$ 2,7 bilhões. 

A ação ALPA4 encerrou ontem cotada a R$ 31,24 com queda de 5,8% no ano.

Valor de mercado: R$ 16,8 bilhões.


Iguatemi (IGTA3)
Lucro líquido do 2T20 soma R$ 46,3 milhões, redução de 23% em relação ao 2T19. No 1S20, o resultado foi de R$ 58,7 milhões (-49,2%)

As Vendas Totais atingiram R$ 603,6 milhões, queda de 82,8% em relação a 2T19, acumulando R$ 3,2 bilhões no ano. As vendas mesmas lojas (SSS) caíram 70,6% e as vendas mesmas áreas (SAS) caíram 81,6% no trimestre

Os aluguéis mesmas lojas (SSR) reduziram 79,1% e os aluguéis mesmas áreas (SAR) caíram 79,8%;

A receita líquida atingiu R$ 160,9 milhões no 2T20, 14,3% abaixo do 2T19. No acumulado do 1S20, a receita reduziu em 11,2% somando R$ 364,8 milhões.

EBITDA –  No 2T20, o EBITDA atingiu R$ 114,9 milhões, uma queda de 16,5% contra o mesmo período de 2019, com margem EBITDA de 71,4% e no 1S20 o valor acumulado foi de R$ 27,8 milhões, (-18,4%).

Posição financeira – A alavancagem encerrou o trimestre em 2,66x Dívida Líquida/EBITDA (aumento de 0,19 versus 1T20 e de 0,11 versus 2T19).

A ação IGTA3 encerrou ontem cotada a R$ 32,46 com queda de 38% no ano.


Embraer (EMBR3)
Prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no 2T20 e R$ 2,96 bilhões no semestre

A Embraer apresentou prejuízo líquido de R$ 1,68 bilhão no 2T20, contra um lucro líquido de R$ 26,2 milhões no 2T109 e no acumulado do 1S20 o resultado líquido ficou negativo em R$ 2,96 bilhões, contra uma perda de R$ 134,7 milhões no mesmo período de 2019.

A Embraer entregou quatro aeronaves comerciais e 13 executivas (nove jatos leves e quatro grandes), totalizando 17 aeronaves no 2T20. No 2T19, as entregas somaram 26 aeronaves comerciais e 25 executivas (19 jatos leves e seis grandes). No acumulado do 1S20, a Companhia entregou nove jatos comerciais e 22 executivos (14 leves e oito grandes), comparado aos 37 jatos comerciais e 36 executivos (27 leves e nove grandes) entregues durante o 1S19.

As entregas de aeronaves foram negativamente impactadas pela pausa no início do ano devido à separação dos negócios de Aviação Comercial e de seus serviços relacionados para a parceria estratégica, agora encerrada, com a The Boeing Company e também pela pandemia da Covid-19.

No 1S20, a margem bruta consolidada da Companhia foi de 16,1% em comparação aos 16,4% no 1S19 e apresentou melhoria nos segmentos de Aviação Executiva e de Defesa & Segurança, parcialmente compensada pela queda nos segmentos de Aviação Comercial e de Serviços & Suporte.

No final do 2T20, o endividamento da Embraer teve crescimento de R$ 881,9 milhões em relação ao final do 1T20 e totalizou R$ 20,8 bilhões. A dívida de longo prazo totalizou R$ 18,2 bilhões, enquanto a dívida de curto prazo foi de R$ 2,58 bilhões.

A ação EMBR3 encerrou ontem cotada a R$ 7,47% com desvalorização de 62,1% no ano.


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