Em recuperação, Ibovespa marca alta de 1,57%

MERCADO


Bolsa
O Ibovespa reagiu bem ontem, depois de uma queda mais forte no dia anterior. No fechamento o índice marcou alta de 1,57% aos 102.802 pontos, com giro financeiro de R$ 30,7 bilhões (R$ 28,3 bilhões no à vista). Nas bolsas de NY prevaleceu o otimismo com a possibilidade de um acordo de estímulo ser fechado até o final da semana levou a uma alta nos três índices. É bom lembrar que se o acordo não vier a contento, poderá haver uma devolução destes ganhos na semana que vem. Hoje as bolsas internacionais mostram queda no fechamento da Ásia e no andamento na zona do euro. A agenda econômica vem carregada de indicadores com o IGP-DI de julho e a taxa de desemprego nacional em junho, no Brasil. Nos EUA saem dados de seguro desemprego e novos pedidos desemprego. Na China, ainda serão divulgados os dados da balança comercial de junho.  No começo do dia, o petróleo mostrava queda nas cotações (WTI e Brent). O Ibovespa segue sensível aos movimentos lá de fora e acompanhando a pauta política lenta do lado doméstico.

Câmbio
Ontem a moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 5,2927 de R$ 5,2894 na terça-feira, com leve alta de 0,06%.

Juros
O mercado de juros ficou no aguardo da decisão para a taxa Selic que acabou reduzida em 0,25% para 2,00% ao ano. As taxas de juros futuros subiram ontem, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21 passando de 1,913% para 1,955% e para jan/27 a taxa subiu de 6,183% para 6,27%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Totvs (TOTS3)
Lucro líquido de R$ 58,0 milhões no 2T20 (+1,5% sobre o 2T19)

A Totvs encerrou o 2T20 com lucro líquido de R$ 58,9 milhões, crescimento de 1,5% sobre o 2T19 e no acumulado do 1S20 o resultado foi de R$ 119,5 milhões, contra R$ 69,3 milhões no 1S19, crescimento de 72,5%.

EBITDA –  O contínuo crescimento das Receitas Recorrentes, aliado à disciplina na gestão de custos e despesas, resultou num EBITDA de R$ 137,3 milhões (+18,1% s/ o 2T19) e uma margem EBITDA, de 21,9% no 2T20, mesmo com o aumento dos valores provisionados de bônus e de incentivo de longo prazo, além da maior PCLD.

O Saldo de Caixa e Equivalentes de R$ 1,26 bilhão, correspondentes a 1,5x o saldo da Dívida Bruta Ajustada e a 2,6x o saldo da Dívida Bruta Ajustada com vencimento nos próximos 12 meses. Ou seja, a posição de caixa líquido ficou em R$ 416,5 milhões no final de junho.

Aprovação de Juros sobre o Capital Próprio – Em 3 de agosto de 2020, o Conselho de Administração deliberou pela distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) relativos ao primeiro semestre de 2020 (1S20) no montante de R$ 39,7 milhões, correspondentes a R$ 0,07 por ação. O pagamento ocorrerá em 22 de outubro de 2020 aos acionistas detentores de ações da Companhia em 10 de agosto de 2020

Ontem a ação TOTS3 encerrou cotada a R$ 26,00 com valorização de 21,1% no ano.


BR Properties (BRPR3)
Lucro líquido fica em R$ 19,9 milhões no 2T20, (-65% s/ o 2T19)

A BR Properties encerrou o 2T20 com receita líquida de R$ 75,5 milhões, correspondendo a uma redução de 23% quando comparada ao 2T19. Quando comparada a mesma base de propriedades, a receita líquida aumentou em 13%, refletindo a forte redução das taxas de vacância no período. Vale lembrar as alterações no portfólio da empresa, que influenciam na base de comparação dos resultados.

As modificações no portfólio podem ser observadas no dado de ABL com redução de 29% nos escritórios, principal negócio da empresa.

O lucro líquido do 2T20 reduziu 65%, somando R$ 19,9 milhões e no acumulado do 1S10 o resultado foi de R$ 34,3 milhões, contra um prejuízo de R$ 110,8 milhões no 1S19. Vale ressaltar que, no segundo trimestre de 2019, o lucro líquido foi impactado pelo efeito não caixa positivo do imposto diferido na venda de propriedades.

A BR Properties informou ontem que aprovou um programa de compra de 11 milhões de ações da própria companhia. A vigência do programa será até 5 de fevereiro de 2022. Atualmente, 198.362.616 de ações da companhia estão em circulação e 7.098.221 estão em tesouraria.

A ação BRPR3 encerrou ontem cotada a R$ 9,38 com queda de 34,6% no ano.


Enauta (ENAT3)
Fatores não recorrentes levam a forte crescimento do lucro no 2T20

Após o pregão de ontem, a empresa divulgou seus resultados do 2T20, que mostraram redução da receita e margem bruta, comparadas ao trimestre anterior. Porém, expressivos ganhos não recorrentes (R$ 183 milhões) e mais “receitas” com hedge (R$ 45,8 milhões), permitiram um expressivo aumento no EBITDA e lucro.
• A Enauta obteve um lucro líquido no 2T20 de R$ 130 milhões (R$ 0,49 por ação), valor 69,4% maior que no trimestre anterior e 178,0% acima do 2T20;
• Os ganhos não recorrentes no trimestre foram determinantes para o resultado. A Enauta contabilizou no 2T20 um ganho de R$ 121,0 milhões referente à incorporação de 20% da participação da Dommo na empresa Atlanta Field BV, que opera o campo de mesmo nome. O segundo ganho importante no trimestre foi a contabilização de R$ 62,0 milhões, devido à decisão judicial favorável permitindo a constituição de crédito fiscal com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS (desde 2011). Neste caso, R$ 39,6 milhões foram contabilizados como Outras Receitas Operacionais e R$ 22,4 milhões no resultado financeiro. Por fim, a receita do exercício do hedge de petróleo, permitiu ganhos de R$ 45,8 milhões.


Braskem (BRKM5)
Outro grande prejuízo no 2T20

A empresa divulgou seus resultados do 2T20 na noite de ontem, apresentando reduções de vendas e receita, com o elevado montante de custos financeiros contribuindo para o outro grande resultado negativo. O resultado do trimestre foi também negativamente impactado por novas provisões para o evento de Alagoas (R$ 1,6 bilhão).
• A Braskem sofreu um prejuízo no 2T20 de R$ 2,5 bilhões (R$ 3,11 por ação), 32,1% menor que a perda do trimestre anterior e revertendo o lucro de R$ 84 milhões do 2T19;
• A unidade de negócios do Brasil no 2T20, sempre comparando ao 2T19, teve uma forte redução de receitas (44,4% em dólares), devido à queda de 12,3% na venda de resinas. No entanto, a custos das matérias-primas e um fortíssimo corte nas despesas operacionais (55,8%), permitiu que a diminuição da rentabilidade fosse amenizada. No trimestre, foram contabilizadas provisões (R$ 1,6 bilhão) ainda do evento de Alagoas. Sem esta provisão o EBITDA da unidade brasileira, expresso na moeda americana, foi de US$ 219 milhões, valor 21,0% maior que no ano passado.


Odontoprev (ODPV3)
Distribuição de dividendos de R$ 83,2 milhões (R$ 0,1568 /ação)

Na Reunião do Conselho de Administração realizada ontem, foi aprovada a distribuição de dividendos intercalares, sujeita às seguintes condições:

1. Farão jus aos dividendos os detentores de ações de emissão da Companhia em 11 de agosto de 2020, inclusive.

2. Montante total dos dividendos R$83.172.994,96, correspondendo a R$0,1568114610 por ação, desconsideradas 893.541 ações em Tesouraria, após exercício de opções aprovado nesta data.

3. Data do Pagamento: 07 de outubro de 2020.

4. As ações da Companhia serão negociadas ex-direito a dividendos, a partir de 12 de agosto de 2020, inclusive.

Ontem a ação ODPV3 encerrou cotada a R$ 13,50 e o provento representa um retorno de 1,16% aos acionistas.

No ano a ação ODPV3 acumula queda de 19,1%.


Banco do Brasil (BBAS3)
Lucro líquido ajustado de R$ 3,3 bilhões no 2T20 com queda de 25% ante o 2T19

O Banco do Brasil registrou no 2T20 um lucro líquido ajustado de R$ 3,3 bilhões (ROAE de 11,9%), com queda de 25,3% em relação ao 2T19, um resultado construído, principalmente, pelo incremento de 8% da margem financeira bruta, redução de 6% das receitas com prestação de serviços, diminuição das despesas com risco legal e aumento de 42% da PDD.

A Margem Financeira Bruta registrou crescimento de 3,8% em base trimestral para R$ 14,5 bilhões, refletindo a redução de 1,2% na receita financeira com operações de crédito, influenciada pela alteração do mix na carteira PF e retração do crédito PJ com Grandes Empresas; redução do custo de captação; e estabilidade do resultado de tesouraria.

A PDD ampliada, composta pela despesa de PDD líquida da recuperação de crédito, descontos concedidos e a imparidade, cresceram 6,6% frente ao 1T20 para R$ 5,9 bilhões. Em base semestral o crescimento foi de 51,8% para R$ 11,4 bilhões.

O decréscimo de 1,4% nas receitas com prestação de serviços na comparação semestral para R$ 14,0 bilhões é explicado, principalmente, pela redução da taxa básica com consequente reprecificação de alguns produtos, em especial os fundos de investimentos; e os efeitos da pandemia sobre o cenário econômico, com redução da demanda por produtos e serviços.

A carteira de crédito ampliada totalizou R$ 721,6 bilhões em jun/20, com alta de 5,1% na comparação com junho/19 e desempenho positivo em todos os segmentos na mesma comparação. O índice de inadimplência (NPL+90dias) mostrou redução frente a março de 2020 (3,2%) e alcançou 2,9% em junho/20.


AES Tietê (TIET11)
Lucro de R$ 119 milhões do 2T20 e de R$ 194 milhões no 1S20

A companhia registrou no 2T20 um lucro líquido de R$ 119,0 milhões e que se compara ao lucro de R$ 35,4 milhões do 2T19, explicado pela melhora no resultado operacional medido pelo EBITDA, resultado da estratégia de alocação de energia hídrica, da entrada em operação dos ativos solares e o controle das despesas operacionais.

Destaque para a melhora do resultado financeiro, por reestruturação de dívidas da companhia, com emissão de debênture a um menor custo e maiores prazos e reversão da provisão do processo de repasse de energia de Itaipu. No conjunto, esses efeitos positivos foram parcialmente compensados por aumento de impostos por maior base tributável. No primeiro semestre o lucro alcançou R$ 194,3 milhões e crescimento de 99,4% em relação ao 1S19.

Com base no resultado do 2T20 o Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 132,9 milhões na forma de dividendos, sendo de R$ 0,06659831315 por ação ordinária e preferencial, e equivalente a R$ 0,33299156575/Unit. O pagamento será realizado em 23 de setembro de 2020. A data base (“record date”) será no dia 10 de agosto de 2020 e as ações passarão a ser negociadas “ex- dividendos” a partir de 11 de agosto de 2020. O payout é de 112% e o retorno estimado é de 2,3%.

A companhia anunciou ontem (5/ago) a aquisição do complexo eólico Ventus, da J. Malucelli, por R$ 650 milhões (enterprise value). Do montante de R$ 449 milhões, serão pagos 51% na data do fechamento da operação e 49% após 5 meses da data do closing, sem atualização monetária das parcelas; e (ii) assunção da dívida líquida do Projeto, cujo saldo estimado é de R$ 201 milhões. Com a conclusão da Operação a AES Tietê passará a contar com uma capacidade instalada de 3,9 GW do seu portfólio 100% renovável. Este Projeto está alinhado à nossa estratégia de crescimento e diversificação e a potencial criação de um cluster eólico, no Rio Grande do Norte, em uma das regiões de melhores ventos do país.


SulAmérica (SULA11)
Lucro líquido de R$ 498 milhões no 2T20, com alta de 91% ante o 2T19

A SulAmérica registrou um lucro líquido de R$ 498,3 milhões no segundo trimestre de 2020, o que representou um crescimento de 91% ante o segundo trimestre de 2019, explicado principalmente pelo crescimento da margem bruta operacional que compensou o menor resultado financeiro líquido entre os trimestres. O Retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) foi de 17,9% nos últimos doze meses terminados em jun/20 em linha com 17,6% em jun/19.

No 1S20 o lucro líquido somou R$ 578,1 milhões e crescimento de 19,4% em relação ao 1S19 (R$ 484,3 milhões.

As Receitas Operacionais Totais foram de R$ 4,8 bilhões no 2T20 com crescimento de 5,0% ante igual trimestre do ano anterior, sendo +5,7% das Receitas Operacionais de Seguros que alcançaram R$ 4,6 bilhões e que compensaram a redução de 8,9% das Outras Receitas Operacionais que somaram 205,4 milhões.

Destaque para a receita operacional dos segmentos saúde e odontológico registraram alta de 6,2% no 2T20 somando R$ 4,5 bilhões. Os beneficiários em planos coletivos de saúde e odonto cresceram 7,5% em base de doze meses.

A sinistralidade total no 2T20 em relação ao 2T19 caiu 11,7 pontos percentuais para 69,1%. O segmento de saúde e odontológico registraram queda de 12,3pp nesta base de comparação. Já o segmento de Vida e Acidentes Pessoais reportaram alta de 7,0pp, de 48,9% no 2T19 para 55,8% no 2T20. No semestre o índice de sinistralidade foi de 75,4% ante 79,7% do 1S19.


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