Ibovespa descola das bolsas lá de fora e sobe 2,0%. A sexta-feira abre pesada no exterior.

MERCADO


Bolsa
Ontem o Ibovespa conseguiu se descolar das bolsas internacionais, registrando alta de 2,0% aos 83.027 pontos e giro financeiro de R$ 27,6 bilhões. O mercado reagiu positivamente à reunião entre governo, governadores e líderes da Câmara e Congresso, buscando o entendimento para questões relevantes neste momento de crise, com aumento significativo de casos de contaminação e mortes pela Covid-19. As bolsas deverão seguir sensíveis ao noticiário de curto prazo. No mercado internacional, hoje as bolsas mostram queda generalizada, com aumento da tensão entre EUA e China com respeito a Hong Kong. A China segue incomodada com a interferência/aproximação dos EUA, o que pode ser visto como provocação. A China anunciou que planeja impor uma lei de segurança nacional em Hong Kong. O atrito pesou de forma generalizada sobre as ações e outros ativos. A agenda econômica tem como destaque apenas o dado de criação de empregos no Brasil (Caged), em janeiro. O Ibovespa acumula alta expressiva na semana, mas ambiente pesado no exterior pode contaminar nosso mercado nesta sexta-feira.

Câmbio
A moeda americana cedeu 2,47% de R$ 5,6929 para R$ 5,5521. Ajudaram para a queda a declaração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que pode atuar mais no câmbio, se necessário e também a reunião entre lideranças política na parte da tarde.

Juros
O dia foi de queda para o juros futuros, acompanhando os fatos políticos do dia. No encerramento a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) jan/2 marcava nova mínima histórica, a 2,485%, ante 2,543% no dia anterior e para jan/27 a taxa caiu de 7,613% para 7,43%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Lojas Renner (LREN3)
Lucro líquido fica em R$ 10,4 milhões, queda de 93,6% sobre o 1T19

O resultado líquido do 1T20 mostrou redução de 93,6% em relação ao 1T19, passando de R$ 161,6 milhões para R$ 10.4 milhões no 1T20.

Pesaram sobre o resultado:

  • A queda de 6,1% na receita liquida no comparativo trimestral, somando R$ 1,55 bilhão no 1T20 contra R$ 1,65 bilhão no 1T19. O período foi impactado significativamente na a segunda quinzena, com a redução das atividades e, na sequência, o fechamento de todas as lojas físicas. As vendas da Camicado e Youcom tiveram comportamento semelhante, indo bem na primeira quinzena. Até a primeira quinzena de março as vendas vinham bem.
  • Mesmo com a manutenção da margem bruta da operação de varejo em 55,4% (estável em relação ao 1T19) as despesas operacionais aumentaram em 8,7% em relação ao 1T19, um impacto de R$ 52,1 milhões, representando 42,7% da receita liquida contra 36,9% no 1T19.
  • O EBITDA caiu de R$ 218,6 milhões para 90,3 milhões no 1T20.
  • O resultado dos produtos financeiros reduziu de R$ 97,7 milhões no 1T19 para R$ 20,7 milhões no 1T20.  Com a paralisação dos negócios nas lojas físicas a atividade de vendas com cartões ficou bastante prejudicada.

A Lojas Renner possui capacidade e estrutura para uma recuperação firme dos negócios e resultados no pós pandemia. Temos recomendação de COMPRA para a ação com preço justo de R$ 45,80 implicando um ganho potencial de 12,3% sobre o fechamento de ontem (R$ 40,77). No ano a queda é de 27,3%.


Cogna (COGN3)
Queda de 85,3% no lucro líquido do 1T20, somando R$ 46,8 milhões no 1T20

O setor de educação já vinha sendo penalizado mesmo antes da pandemia, com muitas dificuldades no processo do FIES, evasão de alunos e dificuldades na captação de novos alunos.

A Cogna Educação é uma das maiores organizações educacionais privadas do Brasil e do mundo, com uma trajetória de mais de 50 anos na prestação de serviços no Ensino Básico e de mais de 15 anos no Ensino Superior. A Companhia possui 176 unidades de Ensino Superior, presentes em 116 cidades brasileiras, e 1.410 Polos de Ensino a Distância.

A Companhia registrou queda de 85,3% no lucro líquido do 1T20, de R$ 318,7 milhões no 1T19 para R$ 46,8 milhões no1T20, refletindo a redução do resultado operacional, o aumento nas despesas financeiras e uma menor reversão de imposto diferido. A combinação desses fatores mais do que compensou o maior volume de reversão de contingências verificado no período e os esforços da Companhia em reduzir as despesas corporativas e os itens não recorrentes.

A ação COGN3 encerrou ontem cotada a R$ 4,70 com queda de 68,9% no ano.


Neoenergia (NEOE3)
Compartilhamento de garantias para a 1ª emissão de debêntures da NESA

O Conselho de Administração aprovou a outorga de penhor sobre 1,4 bilhão de ações da Belo Monte Participações (100% do capital) de titularidade da Neoenergia e da Neoenergia Investimentos, e consequentemente, sobre 1,4 bilhão de ações de emissão da Norte Energia S.A. (NESA), representativas de 10% do capital social da NESA de titularidade da Belo Monte Participações.

A outorga de penhor garante a primeira emissão de debêntures da NESA, no valor de até R$ 700,0 milhões, reforçando o caixa e a liquidez nesse momento de crise gerada pela pandemia.


Usiminas (USIM5)
Desvalorização do real leva a expressivo prejuízo no 1T20

A empresa divulgou seus resultados do 1T20 nesta manhã, mostrando aumento das vendas de aço e da receita, mas a forte elevação dos custos financeiros, derivada da desvalorização do real, levaram a empresa ao prejuízo.

· A Usiminas teve no 1T20 um resultado negativo de R$ 477 milhões (R$ 0,38 por ação), contra lucros de R$ 219 milhões no trimestre anterior e R$ 47 milhões no 1T19;

· A área de siderurgia da Usiminas apresentou aumentos nas vendas de 4,4%, comparado ao 1T19. Além disso, o preço médio de venda apresentou uma pequena elevação (0,8%), permitindo um aumento de 5,2% na receita. O custo caixa de produção de placas no trimestre ficou em R$ 2.318 por tonelada, com crescimento de 8,9%. Porém, menores despesas não recorrentes no segmento permitiram que o EBITDA (R$ 370 milhões) ajustado da siderurgia fosse 23,1% maior que no 1T19;

· Na mineração, a Usiminas teve 4,4% menores no 1T20, devido às fortes chuvas deste ano. No entanto, os melhores preços permitiram o aumento de 39,1% na receita com a venda de minério de ferro. Mesmo com o aumento de custos nesta área, o EBITDA no trimestre (R$ 214 milhões) foi 40,2% maior no 1T20 com margem similar


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