Bolsas seguem refletindo momento de incertezas

MERCADO


Bolsa
Conforme esperado, a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump poderá aumentar a sobretaxação a produtos chineses pesou forte sobre nosso mercado de ações. Ao final da sessão de negócios, o Ibovespa marcou 95.009 pontos, em queda de 1,04%. O volume financeiro ficou bem abaixo da média de pregões anteriores, somando R$ 9,6 bilhões. Hoje a agenda econômica traz, ainda nesta manhã, os dados de produção e vendas de veículos no Brasil (Anfavea). Do lado externo, nenhum dado econômico relevante para hoje e os mercados seguem ainda influenciados pela disputa comercial (EUA x China). Um importante negociador chinês “Liu He” visitará os EUA esta semana para uma nova rodada de negociações, mostrando a disposição de China para um acordo frente às ameaças do presidente Trump. As bolsas internacionais seguem refletindo este momento de incertezas nesta disputa que se arrasta por longo período. Com este cenário, o dia pode novamente ser pesado na Bovespa, embora alguns resultados corporativos do 1T19, acima das expectativas, possam ajudar os respectivos papéis.

Câmbio

O dia mais tenso no mercado internacional, pesando sobre as bolsas foi o suficiente para mais uma puxada no dólar de R$ 3,9385 na sexta-feira para R$ 3,9675. A cotação voltou para o nível da quinta-feira, mostrando volatilidade desde o começo da semana passada. Hoje pode ser mais um dia com esta característica.

Juros

O mercado de juros teve comportamento moderado na segunda-feira, principalmente na ponta mais longa. No médio prazo a taxa do DI para jan/20 fechou em 6,440%, de 6,470% no ajuste de sexta-feira e o DI para jan/25 encerrou com taxa de 8,67%, ante 8,682% no último ajuste.


 

 ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Magazine Luiza (MGLU3)
Lucro líquido de R$ 132,1 milhões no 1T19, queda de 10,4% sobre o 1T18

 

A companhia encerrou o 1T19 com crescimento expressivo na receita operacional, com destaque mais uma vez para o e-commerce. A diluição de despesas contribuiu para a evolução de 31,6% no EBITDA (ver tabela), mas o resultado final foi afetado pelo aumento da despesa financeira líquida, de R$ 59,8 milhões no 1T18 para R$ 96,8 milhões no 1T19. A companhia justifica este aumento pela adoção do IFRS-16 sobre a contabilização no período.

A ação MGLU3 sague como um dos destaques no setor de varejo, com valorização de 11,2% neste ano, após uma trajetória marcante na bolsa nos últimos 3 anos. O valor de mercado da companhia atualmente é de R$ 37,8 bilhões.


Vulcabrás (VULC3)
Lucro líquido cai 21,6% no 1T19 somando R$ 26,2 milhões

O fraco desempenho das economias do Brasil e da Argentina influenciaram significativamente o resultado da Companhia no 1T19, especialmente no segmento esportivo.  No 1T19, o volume bruto faturado totalizou 5,9 milhões de pares/peças, com aumento de 5,7%, comparado ao total do 1T18, de 5,6 milhões de pares/peças.

No 1T19, a receita líquida foi de R$ 299,8 milhões, aumento de 2,7% sobre os R$ 292,0 milhões do 1T18. A margem bruta foi ligeiramente inferior à obtida no 1T18.

Ontem a ação VULC3 encerrou cotada a R$ 6,22 acumulando queda de 12,4% com valor de mercado de 152 bilhão. A relação Cotação/VPA é de 1,6x.


Duratex (DTEX3)
Queda de 37,5% no lucro do 1T19, somando R$ 19,3 milhões

No 1T19, o lucro líquido recorrente foi de R$ 19,3 milhões, queda de 37,5% comparado ao ano anterior, impactado principalmente pela menor variação do valor justo do ativo biológico, pelo aumento das despesas de fretes e gastos extraordinários com a nova unidade de negócio de celulose solúvel, dentro do planejado, segundo a companhia.

A ação DTEX3 encerrou ontem cotada a R$ 10,12 com desvalorização de 14,5% neste ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 6,98 bilhões.


BB Seguridade (BBSE3)
Bom resultado ajustado do 1T19 acima do esperado

A BB Seguridade registrou no 1T19 um lucro líquido ajustado de R$ 1.014 milhões (ROAE de 58,9%), com alta de 12% em relação aos R$ 907 milhões do 1T18 (ROAE de 40,4%) reflexo direto da evolução de 60% do resultado financeiro combinado das empresas do grupo. Já o resultado operacional não decorrente de juros apresentou queda de 1% na mesma base de comparação, impactado por sinistros relacionados ao El Niño que afetaram a sinistralidade da Brasilseg. Um bom resultado, acima do esperado. Seguimos com recomendação de COMPRA e preço justo de R$ 37,00/ação.

  • Em adição, neste trimestre, os resultados da Brasilseg, Brasilprev, Brasilcap e IRB Brasil-RE, foram beneficiados pela redução na alíquota de CSLL, de 20% para 15%, vigente a partir de jan/19, o que contribuiu para o crescimento do resultado de equivalência patrimonial.
  • No 1T19 as despesas gerais e administrativas registraram queda de 45% explicado pela retração tanto das despesas com pessoal (-18%), das administrativas (-26%), como das despesas com tributos/outras operacionais impactadas positivamente por outras receitas de R$ 1,8 milhão no trimestre.
  • A companhia manteve o guidance para 2019, que aponta para um crescimento do lucro liquido ajustado entre 5% a 10% equivalente a um lucro entre R$ 3,7 bilhões e R$ 3,9 bilhões, norteado por maior produção de prêmios da BB Mapfre SH1 (entre 7% e 12%) e dos Planos de Previdência PGBL e VGBL da Brasilprev, com crescimento entre 7% e 10%.
  • Neste 1T19 a companhia registrou desempenho acima do esperado em todas as linhas do guidance. O crescimento de 12% no lucro líquido, acima do intervalo esperado, refletiu o melhor desempenho financeiro. Já a variação dos prêmios proforma da Brasilseg (ex-DPVAT) cresceram 17,5% impulsionados pelo desempenho comercial acima do esperado para o seguro prestamista, que cresceu 82,0% no comparativo de doze meses.

AES Tiete (TIET11)
Resultado do 1T19

A companhia registrou no 1T19 um lucro líquido de R$ 62,0 milhões, resultado 13% superior aos R$ 54,8 milhões do 1T18. Um resultado abaixo do esperado pelo mercado e que refletiu a (i) melhora de margem das operações eólicas e solares e do balanceamento do portfólio; (ii) a estabilidade das despesas operacionais; e o (iii) incremento do resultado financeiro por efeito de hedge.

  • Ontem (6/maio) suas units estavam cotadas a R$ 10,80 (valor de mercado de R$ 4,3 bilhões), com alta de 9,8% este ano. Nesse preço os múltiplos para 2019 são: P/L de 11,0x e VE/EBITDA de 5,8x. O preço justo de mercado de R$ 13,00/unit traz um potencial de alta de 20,4%.
  • A receita operacional líquida no 1T19 cresceu 16,5% ante o 1T18 para R$ 501,0 milhões, com destaque para a margem operacional líquida (receita líquida livre de compra de energia para revenda, taxas e encargos setoriais) que somou R$ 346,2 milhões no 1T19, em linha com os R$ 342,2 milhões do 1T18.
  • O EBITDA somou R$ 264,3 milhões no 1T19, 2,1% acima do 1T18 (R$ 258,9 milhões), devido principalmente o resultado das operações eólicas e solares, compensado parcialmente pela menor margem hídrica.
  • Ao final de março de 2019 a dívida líquida da companhia era de R$ 3,0 bilhões, equivalente a 2,9x o EBITDA. Estes valores se comparam a uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no 1T18 e uma alavancagem de 2,4x o EBITDA em março de 2018.
  • Com base no resultado do 1T19, o Conselho de Administração reunido ontem (6/maio) aprovou a distribuição de R$ 63,5 milhões na forma de dividendos, equivalentes a R$ 0,16137537505 por unit. O pagamento será realizado em 24 de julho de 2019. A data base para o direito será o dia 09 de maio de 2019 e as ações passarão a ser negociadas “ex- dividendos” a partir de 10 de maio de 2019. O payout é de 102,4% e o retorno trimestral é de 1,5%.

Petrobras Distribuidora (BRDT3)
Redução de vendas, mas aumento do lucro no 1T19

Os resultados da Petrobras Distribuidora no 1T19, comparados ao mesmo trimestre do ano passado, apresentaram queda nas vendas e receita.  No entanto, ganhos de rentabilidade, o recebimento de parcelas da dívida da Eletrobras e a adoção de um novo padrão contábil (IFRS 16), levaram ao crescimento do lucro líquido.

  • O lucro líquido no trimestre foi de R$ 477 milhões (R$ 0,41 por ação), que foi 93,1% maior que no 1T18;
  • O volume vendido no trimestre ficou 3,4% abaixo do 1T18, refletindo a queda nas vendas de diesel e dos combustíveis do ciclo Otto (gasolina, etanol e GLP);
  • No 1T19, também foi fundamental para o resultado os pagamentos feitos pela Eletrobras, que impactaram o lucro líquido em R$ 181 milhões.  Contribuiu ainda para os resultados a entrada em vigor do novo pronunciamento contábil (IFRS 16 – Leasing), cuja aplicação gerou um incremento no EBITDA consolidado de R$ 37 milhões.

Marcopolo (POMO4)
Lucro líquido caiu no 1T19

Na noite de ontem, a Marcopolo divulgou seus resultados do 1T19, que apresentaram crescimento nas vendas e receita, mas aumentos nas despesas operacionais e perdas não recorrentes levaram à redução no lucro líquido.

  • No 1T19, o lucro líquido foi de R$ 27 milhões (R$ 0,03 por ação), valor 12,8% menor que no mesmo trimestre do ano passado e 62,6% inferior ao 4T18;
  • As vendas totalizaram 3.434 unidades no 1T19, volume que foi 22,4% acima daquele verificado no mesmo período de 2018;
  • No trimestre foi contabilizado como Equivalência Patrimonial o valor R$ 28,4 milhões (negativo) da subsidiária Loma Hermosa, sendo a maior parte do valor referente ao encerramento das operações de fabricação de ônibus urbanos da empresa argentina Metalpar.

Ambev (ABEV3)
Queda de margens, apesar do aumento das vendas no 1T19

A empresa apresentou hoje seu resultado do 1T19, que comparado ao 1T18 mostrou aumento nas vendas e na receita, mas queda nas margens operacionais.

  • O lucro líquido ajustado da Ambev no 1T19 foi de R$ 2,8 bilhões (R$ 0,16 por ação), 5,8% maior que no 1T18, mas 26,2% inferior ao 4T18;
  • No 1T19, o volume total vendido pela Ambev cresceu 6,1%, principalmente pelos aumentos de 12,4% nas vendas no Brasil e 9,1% na América Central.  Por outro lado, as vendas na América Latina Sul caíram 10,6%, com a diminuição dos volumes na Argentina, e 4,3% no Canadá, onde houve uma contração na indústria da cerveja e o feriado de Páscoa foi mais cedo em 2018.

Vale (VALE3)
Suspensão da autorização para o funcionamento da Mina de Brucutu

A empresa informou na noite de ontem, que o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais suspendeu os efeitos da autorização para a retomada das atividades na barragem Laranjeiras e do complexo minerário de Brucutu.

  • A autorização liminar para reabertura da mina, havia sido conseguida no dia 16 de abril último;
  • Esta é uma notícia negativa, que pode impactar ainda mais a produção de minério em 2019.  Por isso, a Vale reiterou seu guidance de vendas no ano (307 – 332 milhões de toneladas), mas ressalvou que expectativa atual é de que o volume fique entre o mínimo e o centro da faixa projetada.

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