Disputa comercial entre EUA x China segue pesando sobre a B3

MERCADO


Bolsa
O mau humor predominante no mercado externo com a disputa comercial entre EUA x China, seguiu pesando sobre a B3, com o Ibovespa desvalorizando 0,65% para fechar aos 94.389 pontos. O giro financeiro aumentou, marcando R$ 15,1 bilhões.  A quarta-feira mostra os mercados no mesmo rumo (queda) nas bolsas da Ásia e zona do euro e indicação de baixa também nos futuros de NY. Além da disputa comercial (EUA x China), os bastidores da política nos Estados Unidos esquentam com investigações contra o presidente Trump. A agenda econômica traz dados da China com a balança comercial de abril ficando em US$ 13,8 bilhões ante uma previsão de US$ 34,6 bilhões, com destaque para o forte aumento nas importações e queda nas exportações.  No Brasil a inflação medida pelo IGP-DI marcou alta de alta de 0,90% no M/M e 8,25% no A/A. Entre os resultados corporativos, destaque para o resultado líquido da Petrobras, muito abaixo das expectativas do mercado.  A soma destes fatores deverá impor mais uma queda ao Ibovespa.

Câmbio
O nervosismo nos mercados levou a moeda americana a mais uma alta (0,80%) de R$ 3,9385 para R$ 3,9702 no fechamento de ontem.

Juros
O ambiente nervoso e a aversão ao risco mexeram também com os juros futuros de longo prazo. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 fechou em 6,445%, de 6,440% na segunda-feira e para jan/25, a taxa passou de 8,672% para 8,70%.


 

 ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Petrobras (PETR4)
Queda no lucro pela redução das margens e adoção do IFRS 16 no 1T19

Os resultados da Petrobras no 1T19, comparados ao 1T18, apresentaram redução de vendas, que foram compensadas por aumentos dos preços, permitindo uma elevação da receita.  No entanto, incrementos de custos, conjugados com o aumento do resultado financeiro negativo, levaram à redução das margens operacionais e do lucro líquido.

  • A adoção do IFRS 16 trouxe muitos ajustes no balanço, elevando o endividamento, aumentando os custos financeiros e, por consequência, reduzindo o lucro;
  • A Petrobras apresentou um lucro líquido no 1T19 de R$ 4.031 milhões (R$ 0,31 por ação), que foi 42,1% menor que no trimestre anterior, mas 91,8% acima do 4T18.  Sem considerar os ajustes do IFRS 16, o lucro líquido seria de R$ 5,1 bilhões (R$ 0,39/ação);
  • O Conselho de Administração da Petrobras aprovou ontem, a distribuição de juros sobre o capital próprio aos detentores de ações ordinárias e preferenciais no valor de R$ 1,3 bilhão (R$ 0,10).  O pagamento será feito no dia 5 de julho de 2019, com base nas posições acionárias em 21/maio, com as ações sendo negociadas “ex-direitos” a partir de 22/maio.

Gerdau (GGBR4)
Queda nas vendas, mas aumento no lucro do 1T19

A Gerdau divulgou nesta manhã seu resultado do 1T19, que mostrou diminuição expressiva nas vendas, em função dos desinvestimentos, com a redução da receita atenuada pela alta dos preços. Porém, os cortes nas despesas operacionais permitiram aumentos do EBITDA e no lucro.
• No 1T19, a Gerdau obteve um lucro líquido ajustado de R$ 453 milhões (R$ 0,26 por ação), que foi 45,1% maior que no trimestre anterior e praticamente igual (+0,3%) ao 1T18;
• Divulgaremos em breve maiores comentários sobre este resultado e as informações da teleconferência, que será realizada hoje às 14 horas.


Sanepar (SAPR11)
Bom resultado no 1T19

A Sanepar registrou no 1T19 um lucro líquido de R$ 217,5 milhões, 16% superior aos R$ 186,9 milhões do 1T18. Um resultado que não foi afetado por itens extraordinários ou não recorrentes, construído a partir do crescimento de 10% da Receita Líquida (+7% em volume e +3% em preço) e da melhora do resultado operacional. O EBITDA cresceu 11% totalizando R$ 452,6 milhões, com +0,3pp na margem ebitda para 41,2%. O resultado financeiro também foi melhor no trimestre, contribuindo para a formação do lucro.
• Cotadas a R$ 79,80 (valor de mercado de R$ 8,0 bilhões) suas Units registram alta de 35,1% este ano. Nesse preço os múltiplos para 2019 são: P/L de 8,5x e VE/EBITDA de 5,9x. Temos recomendação de COMPRA para SAPR11 com preço justo de R$ 97,00/Unit e upside de 21,6%.
• Endividamento. A dívida bruta passou de R$ 2,77 bilhões em dez/18 para R$ 2,89 bilhões em mar/19, representando um crescimento de 4,3% ou R$ 117,3 milhões. A dívida líquida passou de R$ 2,44 bilhões para R$ 2,54 bilhões, na mesma base de comparação. O índice de alavancagem, medido pela relação “Dívida Líquida/EBITDA” se manteve estável, permanecendo em 1,5x no 1T19 e 1T18, respectivamente.
• Reajuste Tarifário 2019. O Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná – AGEPAR definiu em 16 de abril de 2019, através da Resolução Homologatória nº 006/2019, o Reajuste Tarifário Anual – IRT de 12,12944 % sobre os serviços prestados a ser aplicado a partir de 17 de maio de 2019 e aprovou a aplicação da Tabela de Tarifas de Saneamento.


Comgas (CGAS5)
Bom resultado no 1T19

A Comgas registrou no 1T19 um lucro líquido de R$ 200,1 milhões, representando um crescimento de 11,7% em relação ao 1T18 (R$ 179,1 milhões). Destaque para o forte crescimento de 44% das receitas reflexo do repasse parcial de tarifas e maior volume distribuído. O EBITDA cresceu 19,4% entre os trimestres para R$ 447,1 milhões. Ressalte-se que, o lucro líquido normalizado pela conta corrente regulatória foi de R$ 240,9 milhões (+9,8%). Suas ações fecharam cotadas a R$ 82,40/ação com alta de 40,5% este ano.

  • A receita líquida da Comgás atingiu R$ 2,1 bilhões no período, 44% maior que na comparação com 1T18, refletindo o repasse parcial do aumento do custo do gás nas tarifas definidas pela agência reguladora, e o maior volume distribuído no período.
  • O EBITDA normalizado totalizou R$ 499 milhões no trimestre, um aumento de 14% em relação ao 1T18, refletindo o maior volume de vendas, correção das margens pela inflação e gestão de despesas.
  • Os investimentos totalizaram R$ 181 milhões no 1T19, em linha com as projeções para o ano. Ao final do trimestre a alavancagem normalizada recorrente era de 0,58x o EBITDA, reflexo da geração de caixa no período, para uma dívida líquida de R$ 1,47 bilhão, com queda de 4,1% em relação a R$ 1,53 bilhão do 1T18 (0,95x o EBITDA).

Tim Participações (TIMP3)
Lucro líquido do 1T19 soma R$ 220 milhões, queda de 10,4% em relação ao 1T18

  • No 1T19, o resultado líquido de R$ 220 milhões foi impactado pela contabilização de impostos diferidos no montante de R$ 30,3 milhões. O lucro líquido normalizado foi de R$ 251 milhões, aumento de 2,5% sobre o 1T18. Segundo a companhia este efeito não deverá se repetir.

 

  • A empresa registrou bom desempenho operacional no 1T19/1T18 além de redução no endividamento.

Sabesp (SBSP3)
Câmara municipal de Santo André deve apreciar acordo com a Sabesp

Em continuidade ao Comunicado ao Mercado divulgado no dia 20 de março, que tratou da assinatura do “Protocolo de Intenções com o município de Santo André para elaborar estudos e avaliações visando o equacionamento das relações comerciais e das dívidas existentes entre o município e a companhia”, a Sabesp informa que ontem (7/maio) o Poder Executivo Municipal de Santo André encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 20.

  • Esse Projeto de Lei autoriza o Poder Executivo Municipal: (i) celebrar convênios e contratos com a finalidade de regulamentar o serviço público de abastecimento de água e esgotamento sanitário, bem como assegurar a sua prestação pela Sabesp; (ii) celebrar acordos judiciais e extrajudiciais visando o equacionamento das dívidas com a companhia e das disputas judiciais entre as partes; (iii) instituir a ARSESP como agência reguladora; e (iv) instituir o Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura – FMSAI.
  • Vemos como positivo, sendo mais um passo na direção do equacionamento das dívidas e a celebração de contrato de prestação de serviços pela Sabesp. O momento é favorável para SBSP3. Ontem as ações da Sabesp subiram 3,6% para R$ 48,10 (valor de mercado de R$ 32,9 bilhões), após a comissão mista da Câmara, aprovar a MP do saneamento (com alterações no texto), que trata de novo marco regulatório para o setor. Temos recomendação de COMPRA e preço justo de R$ 52,00/ação, que embute um potencial de alta de 8,1%.

Banco ABC Brasil (ABCB4)
Teleconferência do 1T19

O ABC Brasil realizou ontem (7/maio) sua teleconferência de resultados, cujos números já haviam sido publicados no dia anterior, um lucro líquido recorrente de R$ 121,2 milhões (ROAE de 13,0%), em linha com o esperado, e crescimento de 12% em relação ao lucro de R$ 108,5 milhões do 1T18 (ROAE de 13,0%). Temos recomendação de COMPRA para ABCB4 e preço justo de R$ 24,00/ação.

  • Nova segmentação de clientes com a volta do segmento Middle, objetivando o aumento de eficiência no atendimento aos clientes da base da pirâmide: de faturamento entre R$ 100 e R$ 250 milhões numa 1ª fase; e faturamento entre R$ 30 e R$ 100 milhões, numa 2ª fase. A evolução esperada no segmento middle é passar de 380 clientes em 2019 para 2.400 em 2022, aumentando a penetração de 2% para 10% da carteira. Permanecem os segmentos (1) Large Corporate, agora composto por empresas com faturamento anual acima de R$ 2 milhões, e a evolução esperada é passar de 310 clientes em 2019 para 340 em 2022, aumentando a penetração de 46% para 50% da carteira; e o (2) segmento Corporate, empresas com faturamento anual entre R$ 250 milhões e R$ 2 milhões, cuja evolução esperada é passar de 1.176 clientes em 2019 para 1.380 em 2022, aumentando a penetração de 31% para 35% da carteira.
  • Índice de Basileia. Ao final de março de 2019 era de 17,31% sendo de 13,68% de capital Nível 1 (13,31% de capital principal e 0,37% de capital complementar) e 3,64% de capital Nível 2. Em janeiro o ABC Brasil emitiu R$ 300 milhões em letras financeiras subordinadas perpétuas, elegíveis a compor o seu Patrimônio de Referência, sendo solicitado ao BC o enquadramento dos recursos captados, e atendidos em R$ 100 milhões e que já compõem a Basileia do 1T19. Restam ainda R$ 200 milhões.
  • Soma-se a esse valor, o aumento de capital homologado pelo BC em abril no valor de R$ 95,6 milhões, e a capitalização do lucro do 2T19, íquido dos JCP normalmente pagos em junho, e estimados em R$ 0,54/ação. Nesse contexto o ABC Brasil deve descontinuar a política de capitalização dos juros via aumento de capital com deságio, dado o nível mais que suficiente de capital para fazer frente o crescimento esperado dos negócios do banco.
  • Reversão de Provisões. Deve continuar acontecendo ao longo deste ano, à luz da melhora da qualidade do crédito percebida pelo banco. Dos R$ 50 milhões de provisões adicionais ainda permanecem R$ 37,5 milhões a serem revertidas.

Hapvida (HAPV3)
Aquisição do Grupo São Francisco de Ribeirão Preto (SP)

Fundado em 1945 na cidade de Ribeirão Preto/SP, o Grupo São Francisco é uma das principais empresas do setor de saúde suplementar do Brasil, com modelo de negócio verticalizado e alto desempenho operacional.  O Grupo São Francisco administra uma carteira de planos de saúde e odontológicos de aproximadamente 1,8 milhão de vidas, com receita líquida de cerca de R$ 1,5 bilhão no ano de 2018.

  • O enterprise value do Grupo São Francisco foi fixado em R$ 5,0 bilhões.
  • A ação HAPV3 encerrou ontem cotada a R$ 32,75 acumulando valorização de 5,4% no ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 22.007 milhões atualmente.

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