Volatilidade deverá marcar presença novamente

MERCADO


Bolsa
O Ibovespa abriu a semana com queda de 0,98% aos 94.412 pontos e giro financeiro de R$ 12,3 bilhões. Os investidores assumem posição mais conservadora em relação à pauta política. Hoje a agenda vem, mais uma vez, sem dados importantes. A ata do Copom reitera que os próximos passos da política monetária seguirão na dependência da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. Hoje as bolsas internacionais operam em alta firme na zona do euro. Para o nosso mercado, os resultados corporativos divulgados deverão refletir sobre os preços dos respectivos papéis, mas a volatilidade deverá marcar presença novamente.

Câmbio
A moeda americana registrou o quarto dia consecutivo de alta (0,99%), cotado a R$ 3,7649. O mercado segue precificando as notícias repetidas do lado externo e a expectativa em relação a decisão para a Previdência

Juros
Os juros futuros encerraram o dia perto da estabilidade, em dia de noticiário fraco. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 fechou a sessão em 6,505%, de 6,521% no ajuste de sexta-feira e para jan/25 a taxa passou de 8,882% para 8,84%.

 

ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Comgas (CGAS5)
Lucro do 4T18 melhor que o esperado

A Comgas registrou no 4T18 um lucro líquido de R$ 858,8 milhões, representando um crescimento de 371% em relação ao 4T17, acumulando em 2018 um lucro de R$ 1,34 bilhão, 109% superior ao resultado de 2017. O resultado foi amplamente beneficiado por reconhecimento de créditos tributários e o encerramento de disputa judicial. Ressalte-se que, o lucro líquido normalizado pela conta corrente regulatória foi de R$ 918,8 no 4T18 e de R$ 1,65 bilhão em 2018. Suas ações fecharam cotadas a R$ 80,91/ação. Lembrando que existe uma OPA voluntária ao preço de R$ 82,00/ação e que permanece norteando o comportamento da ação.

  • O volume “ex-termo” apresentou um crescimento de 6% em 2018, com expansão em todos os segmentos de atuação. O volume industrial cresceu 5% impulsionado por negociações para incremento de volume. O segmento residencial também cresceu 7%, com a adição 113 mil novos clientes nos últimos 12 meses. O volume comercial cresceu 9% na mesma base de comparação, com a expansão da base de clientes e melhora da atividade econômica.
  • A receita líquida somou R$ 6,8 bilhões no período, 24% maior que na comparação com 2017, refletindo o repasse do aumento do custo do gás nas tarifas e o maior volume distribuído no período.
  • O EBITDA normalizado recorrente totalizou R$ 1,94 bilhão em 2018, um aumento de 12% em relação a 2017, resultado do maior volume de vendas em combinação com controle nas despesas operacionais. Considerando os efeitos não recorrentes do acordo judicial com a Petrobras, o EBITDA normalizado eleva-se a R$ 2,65 bilhões.
  • Ao final do exercício a alavancagem normalizada da companhia era de 0,49x o EBITDA, reflexo da estabilidade da dívida líquida e da maior geração de caixa ao longo do ano.

BB Seguridade (BBSE3)
Melhor resultado esperado para 2019

A BB Seguridade registrou no 4T18 um lucro líquido ajustado de R$ 839,8 milhões (ROAE de 41,4%), com queda de 10,7% em 12 meses, basicamente explicado pela redução de 43,0% do resultado financeiro entre os trimestres comparáveis, compensado parcialmente por leve melhora (+4,1%) do resultado operacional não decorrente de juros.

  • De acordo com a companhia, a retração do resultado financeiro é explicada: (i) pela elevação na taxa de remuneração dos passivos financeiros da Brasilprev atrelados aos planos de previdência tradicionais (benefício definido); (ii) pela queda na taxa média Selic; e (iii) por maior base de comparação, dado que o resultado financeiro da BB MAPFRE SH1 foi beneficiado no 4T17 pela realização de ganhos de R$ 82,1 milhões com transações em ativos de renda variável. Já o resultado operacional foi beneficiado: (i) pelo aumento do resultado operacional da BB Corretora; e (ii) pelo crescimento dos prêmios ganhos e redução na alíquota efetiva de impostos do IRB Brasil-RE.
  • Com isso o lucro líquido ajustado em 2018 somou R$ 3,55 bilhões, e decréscimo de 9,3% em relação ao lucro ajustado de 2017 de R$ 3,91 bilhões. Nesta base de comparação o resultado financeiro caiu 39,8% e o resultado operacional registrou alta de 2,8%. O retorno sobre o patrimônio líquido médio apresentou leve redução de 0,4pp para 45,1%.
  • O guidance de crescimento de lucro em 2018 revisado não foi atingido. A companhia esperava uma queda entre 4% e 6% e apresentou redução de 9,3%. Para 2019 a BB Seguridade espera um crescimento de lucro líquido ajustado entre 5% e 10%. Demais linhas do guidance seguem descritas na figura abaixo. Seguimos com recomendação de compra e preço justo de R$ 37,00/ação.

Banrisul (BRSR6)
Bom 4T18 em linha com o esperado

O Banrisul registrou no 4T18 um lucro líquido recorrente de R$ 300 milhões (ROAE de 17,6%), em linha com o esperado, reflexo (i) da expansão da margem financeira e das receitas de serviços; que compensaram o (ii) aumento das despesas de PDD e das despesas administrativas recorrentes. Com isso o lucro recorrente de 2018 cresceu 20% para R$ 1.096,2 milhões, com melhora de 1,8pp no ROAE para 15,3%. Seguimos com recomendação de COMPRA para suas ações.

  • A Margem Financeira cresceu 9% ante para R$ 5,7 bilhões, por maior redução das despesas com juros em relação às receitas. Destaque também para a redução de 11% das despesas com PDD reflexo da redução das operações de crédito em atraso e a rolagem da carteira por níveis de rating.
  • As Receitas de Serviços e tarifas registraram alta de 11% somando R$ 2,0 bilhões notadamente influenciados por incremento das receitas de tarifas de conta corrente, de seguros, previdência e capitalização, de cartão de crédito e da rede de adquirência; e seguem representando importante parcela na construção do lucro do banco.
  • As despesas administrativas em 2018 registraram crescimento de 4,9% para R$ 3,8 bilhões, em percentual acima da inflação, influenciadas por incremento dos negócios. O Índice de Eficiência (IE) recorrente registrou melhora de 1,3pp em 2018 para 51,5%. As receitas de serviços registraram melhora e as despesas administrativas seguem controladas.

São Martinho (SMTO3)
Resultado do 3T19 (safra 2018/19)

A companhia registrou no 3T19 (Safra 2018/19) um lucro líquido de R$ 65,9 milhões, com queda de 60,9% em relação ao 3T18 (Safra 2017/18) refletindo a queda de receita por queda no volume vendido de açúcar, alteração de mix de produção e embarques concentrados no próximo trimestre; aliado a menor diluição dos custos de produção, com reflexo direto na redução do resultado operacional. O resultado financeiro piorou, afetado por variação cambial entre os trimestres comparáveis. Nesse contexto a receita líquida caiu 6,3% e o EBITDA ajustado recuou 16,1%. Com isso no acumulado de 9 meses, o lucro líquido ajustado caiu 32,5% totalizando R$ 228,4 milhões.

  • Na safra 2018/19 a companhia processou 20,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, uma redução de 7,9% em relação à safra anterior. Apesar da queda no volume de cana processada, o ATR médio apresentou crescimento de 1,7% (142,2 kg/ton) de forma que o total de ATR produzido na safra caiu 6,3% em relação à safra passada. A queda da produtividade foi resultado da forte estiagem observada ao longo de toda a safra.
  • Ontem (11/fev) suas ações fecharam cotadas a R$ 18,35/ação, com alta de 0,9% este ano. Nesse preço o valor de mercado da companhia é de R$ 6,7 bilhões e os múltiplos para a presente Safra: P/L de 13,1x e VE/EBITDA de 5,7x. O preço justo de R$ 25,00/ação traz um potencial de alta de 36,2% para os papéis da companhia.

Concessões rodoviárias
Bom começo de ano para o tráfego

Segundo os dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), o tráfego total nas estradas brasileiras pedagiadas em janeiro aumentou 2,1%, comparado ao mesmo mês de 2018.  Em relação a dezembro, houve um crescimento de 1,3% no total.

  • Estes dados podem indicar uma recuperação na movimentação de veículos, que no ano passado caiu 1,9% em consequência da greve dos caminhoneiros, dos aumentos de preços dos combustíveis e de uma recuperação tímida da economia;
  • Os resultados do 4T18 da CCR vão ser divulgados no dia 28 de fevereiro (após o pregão) e da Ecorodovias em 26/2;
  • Em 2019, as ações do setor estão recuperando-se das perdas sofridas no ano passado, com altas de 26,3% em CCRO3 e 17,4% para ECOR3, enquanto o Ibovespa subiu 7,4%.

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