Boletim Diário – 14 de Agosto 2018

MERCADO

Bolsa
Mesmo sem uma referência positiva, a bolsa teve uma segunda-feira de alta (1,28%) recuperando os 77.496 pontos, no mesmo rumo do dólar. O giro financeiro chegou a R$ 10 bilhões. Mesmo com todos os problemas do lado externo e também pelas incertezas domésticas, os investidores tiveram apetite para compra, após os preços dos papéis recuarem por cinco pregões consecutivos. As bolsas de NY continuaram em queda e o petróleo também marcou queda no dia. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o barril do Brent para outubro recuou para US$ 72,61 (-0,27%). Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do WTI para setembro caiu 0,63%, para US$ 67,20. Hoje as bolsas internacionais mostram alta na zona do euro, nesta manhã. Na China o movimento foi de baixa. A agenda econômica traz a produção industrial de junho em queda de 0,7% na zona do euro e o PIB do 2T18 com alta de 0,4%. Nenhum dado econômico importante do lado doméstico nem nos EUA para hoje.

Câmbio
A piora do cenário na Turquia com o aprofundamento da crise financeira, afetou o mercado de câmbio global e voltou a pressionar o real. No fechamento, o dólar registrou alta de 0,53% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8885.

Juros
O nervosismo no mercado financeiro trouxe, mais uma vez, volatilidade aos ativos financeiros. Com a puxada no dólar, os juros futuros também mostraram volatilidade fechando em alta na ponta mais longa e perto da estabilidade no curto prazo. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 terminou em 8,43%, de 8,42% no ajuste de sexta-feira. O DI para jan/25 passou de 11,66% para 11,71% (máxima de 11,93%).



ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Eztec (EZTC3)
Lucro líquido de 20,1 milhões no 1S18, queda de 62,3% sobre o 1S17.

  • Crise no setor e eventos extraordinários do 1S18 pesam sobre o desempenho da Eztec
  • No 1S18, a receita líquida somou R$ 159,3 milhões, queda de 21,5%
  • A margem bruta caiu de 47,0% no 1S17 para 36,5% no 1S18
  • O EBITDA ficou negativo em R$ 18,1 milhões no 1S18
  • O resultado líquido caiu de R$ 53,5 milhões no 1S17 para R$ 20,1 milhões no 1S18
  • Não houve lançamentos no 2T18

M Dias Branco (MDIA3)
Lucro do 2T18 melhor do que o esperado

A M Dias Branco registrou no 2T18 um lucro líquido de R$ 209,7 milhões, com crescimento de 5,2% em relação ao 2T17, reflexo da melhora do seu resultado operacional, e redução do resultado financeiro pelo aumento do endividamento. Nesta base de comparação o EBITDA cresceu 11,3% para R$ 275,8 milhões (+0,6 p.p na margem EBITDA para 18,6%).

  • Ao preço de R$ 36,74 a ação MDIA3 registra queda de 29,5% este ano. Seguimos com preço justo de R$ 56,00/ação e elevamos a recomendação de manutenção para COMPRA.
  • A receita líquida cresceu 7,8% em relação ao 2T17 (sendo +1,4% em volume e +6,4% no preço médio de venda).
  • A companhia manteve a liderança nacional nas linhas de biscoitos e massas, seus produtos principais, com importante ganho de market share. Importante destacar que nesses números estão contidos os dados da Piraquê que trouxe aumento do preço médio e diversificação geográfica das vendas. O resultado foi impactado também, de forma negativa, pela greve dos caminhoneiros em maio e pela alta do preço do trigo, principal insumo da companhia.
  • O EBITDA cresceu 11,3% entre o 2T17 e o 2T18 para R$ 275,8 milhões, por maior volume de venda, incremento de preço médio, e gestão rigorosa das despesas operacionais, com alta de apenas 0,7%, e que compensaram em boa parte o incremento dos custos (+11,2%). Destaque para a importante melhora na margem EBITDA para 18,6% no 2T18.
  • Ao final do 2T18 a dívida líquida da companhia somava R$ 768,8 milhões, representando 0,8x o EBITDA. Os investimentos somaram R$ 70,1 milhões no trimestre (R$ 81,6 milhões no 2T17), distribuídos entre expansão e manutenção.

Banrisul (BRSR6)
Bom 2T18 em linha com o esperado 

O Banco Banrisul registrou no 2T18 um lucro líquido de R$ 262,0 milhões com crescimento de 39,6% em relação ao lucro líquido recorrente de R$ 187,7 milhões de igual trimestre de 2017. Em base trimestral, o lucro registrou alta de 7,4%. O ROAE do 2T18 foi de 15,6% acima de 11,7% do 2T17 e de 14,4% do 1T18. Com isso o lucro recorrente do 1S18 cresceu 37,7% para R$ 505,9 milhões, com melhora de 3,3pp no ROAE para 14,9%.

  • As ações do Banrisul estão sendo negociadas a R$ 16,20/ação. Seguimos com recomendação de compra com preço justo de R$ 20,00/ação e um potencial de alta de 23,5%.
  • A Margem Financeira do 2T18 (R$ 1,34 bilhão) veio em linha com o trimestre anterior. Da mesma forma que a Margem após PDD, com leve alta de 1,6% para R$ 1,06 bilhão.
  • A PDD em base trimestral caiu 8,9% para R$ 278 milhões. As Receitas de Serviços (em base trimestral) também vieram em linha, somando R$ 468 milhões. As despesas administrativas recorrentes registraram leve redução de 0,2% para R$ 929 milhões.
  • Ao final de junho de 2018 a carteira de crédito total do banco era de R$ 32,01 bilhões, após alta de 0,7% em base trimestral e crescimento de 3,6% em 12 meses. A inadimplência registrou leve melhora passando de 3,53% no 1T18 para 3,37% no 2T18 com adequado índice de cobertura (245,7%).
  • O Banrisul revisou suas perspectivas de crescimento da Carteira de Crédito Total, do intervalo entre 5% a 9% para um crescimento entre 3% e 7%, basicamente refletindo o comportamento da Carteira de Crédito Comercial Pessoa Jurídica, que passou de um crescimento entre 5% e 9% para o intervalo entre -5% a -1%.

Itaúsa (ITSA4)
Lucro recorrente do 2T18 em linha com o trimestre anterior

A Itaúsa registrou no 2T18 um lucro líquido recorrente de R$ 2,17 bilhões (ROAE de 17,1%) em linha com o 1T18 (ROAE de 17,3%). No 1S18 o lucro líquido recorrente somou R$ 4,34 bilhões em linha com os R$ 4,3 bilhões do 1S17.

  • Ontem as ITSA4 fecharam cotadas a R$ 9,96/ação, após alta de 7,5% este ano. Seguimos com recomendação de compra para as ações da Itaúsa com preço justo de R$ 14,54/ação (potencial de alta de 46,0%).
  • O resultado da Itaúsa é composto pelo Resultado de Equivalência Patrimonial (REP), apurado a partir de suas controladas. No 1S18 o REP recorrente foi de R$ 4,7 bilhões, apresentando aumento de 0,4% em relação ao mesmo 1S17.
  • O resultado recorrente proveniente do setor financeiro no 1S18 foi de R$ 4,54 bilhões (96,5% do total), após leve decréscimo de 1,8% em relação a igual semestre de 2017.

São Martinho (SMTO3)
Resultado do 1T19 (safra 2018/19)

A companhia registrou no 1T19 (Safra 2018/19) um Lucro Líquido de R$ 104,0 milhões, com queda de 11% em relação ao 1T18 (Safra 2017/18) refletindo a estratégia de comercialização de açúcar e etanol no trimestre, combinado com queda de 23% no preço de açúcar. Nesse contexto a Receita Líquida caiu 11% e o EBITDA ajustado recuou 15%.

  • Ontem (13/ago) suas ações fecharam cotadas a R$ 18,71/ação, ainda com queda de 0,5% este ano. O preço justo de R$ 23,50/ação traz um potencial de alta de 25,6% para os papéis da companhia.
  • O volume de moagem alcançou 9,5 milhões de toneladas de cana de açúcar, com ATR médio crescendo 5,5% na comparação 1T18 X 1T19 para 131,9 Kg/ton, sendo que no encerramento do trimestre o volume de produção de açúcar e etanol já representava 43% do guidance, correspondente a 406 mil toneladas de açúcar (-19,4%) e 486 mil m³ de etanol (+47,8%). Nesta base de comparação a Energia Exportada era de 327 mil MWh.
  • No primeiro trimestre da safra 2018/19, a Receita Líquida da companhia totalizou R$ 771,2 milhões, com queda de 11,1% em relação ao mesmo período da safra anterior, explicado principalmente por menor preço médio e volume de açúcar vendido, dado a queda do preço internacional do açúcar ao longo dos últimos meses, decorrente do atual cenário superavitário de produção global.
  • O EBITDA ajustado caiu 15,6% entre os trimestres comparáveis totalizando R$ 401,4 milhões, com proporcional queda de margem de 54,8% no 1T18 para 52,0% no 1T19. Esta queda refletu, principalmente (i) a queda do volume de vendas de açúcar e redução do preço médio de comercialização do açúcar, parcialmente compensados por (ii) maior volume de vendas de etanol e cogeração, com preços médios superiores aos realizados no 1T18 e (iii) redução do custo unitário de produção, tanto do açúcar, como do etanol.

Light (LIGT3)
Prejuízo no 2T18, mas forte melhora do resultado operacional

A Light registrou no 2T18 um prejuízo líquido de R$ 25 milhões, que se compara ao prejuízo de R$ 51 milhões no 2T17, acumulando no 1S18 um prejuízo de R$ 26 milhões (ante lucro de R$ 67 milhões do 1S17). O destaque ficou com a forte melhora operacional, com crescimento de 111% do EBITDA ajustado para R$ 446 milhões e +6,8 p.p na margem para 16,1%, em função do melhor desempenho da Distribuidora.

  • De acordo com a companhia, o prejuízo no trimestre “foi principalmente devido ao efeito econômico da marcação a mercado do swap para os bonds no valor de R$ 77 milhões (líquido de imposto). Excluindo este efeito, a Companhia registraria um lucro líquido de R$ 52 milhões”.
  • Mesmo assim, um resultado aquém do real potencial da companhia. Nesse contexto suas ações mostram queda de 28,7% este ano para R$ 11,80/ação. O preço justo de mercado aponta para R$ 18,00/ação com potencial de alta de 52,5%.
  • A Receita Líquida do 2T18 cresceu 21,5% em relação ao 2T17 para R$ 2,78 bilhões. O Mercado Total Faturado no 2T18 registrou um aumento de 4,9% em relação ao 2T17, com crescimento na classe residencial (4,2%), industrial (15,2%), outros (11,0%) e nas concessionárias (6,6%).
  • A dívida líquida da companhia, ao final do 2T18 era de R$ 7,94 bilhões (+19% em 12 meses). O indicador de covenants Dívida Líquida/EBITDA encerrou o 2T18 em 3,32x, abaixo do limite máximo de 3,75x estabelecido contratualmente, e se compara a 3,23x no 2T17. Já o indicador de covenants EBITDA/Juros, encerrou o 2T18 em 4,14x, acima do limite mínimo de 2,00x.

Direcional Engenharia (DIRR3)
Redução no prejuízo líquido, somando R$ 11,9 milhões no 1S18 

  • Os lançamentos do 2T18 somaram R$ 366 milhões (100% Direcional) e no 1S18 foram R$ 848 milhões;
  • As vendas contratadas somaram R$ 295,4 milhões no 2T18 e R$ 666,2 milhões em 6 meses;
  • A velocidade de vendas do 2T18, medida pelo indicador VSO (Vendas sobre Oferta), totalizou 15%
  • No 2T18, os distratos ficaram em R$ 108 milhões (R$ 96 milhões % Direcional), aumento de 15% em relação ao trimestre anterior. Analisando os distratos relativos as vendas brutas, houve redução de 2 p.p. na comparação com 1T18.
  • Geração de Caixa de R$ 64 milhões no 2T18.

Kroton (KROT3)
Aumento de capital social da Saber de R$ 290 milhões


A ação KROT3 encerrou ontem cotada a R$ 10,66 acumulando desvalorização de 41,1% em 2018. O valor de mercado atual da companhia é de R$ 17,5 bilhões e a ação está sendo negociada a 1,11x o valor patrimonial.

Foi concedido o registro de companhia aberta categoria B à Saber pela CVM, que passará a consolidar todas as operações de educação básica da Kroton, incluindo as operações decorrentes da aquisição da Somos, assim que concluída.

Adicionalmente, foi realizado aumento do capital social da Saber, no montante de R$ 290,00 milhões. O aumento se deu mediante a emissão de 290.000.000 novas ações ordinárias (ON), nominativas e sem valor nominal, com preço de emissão de R$ 1,00, integralmente subscritas e integralizadas por controladas da Kroton.


CVC Brasil (CVCB3)
Aquisição da Esferatur por R$ 245 milhões

  • A Esferatur possui 14 unidades no País para atender diferentes regiões, com reservas confirmadas anuais de R$ 1,8 bilhão em 2017. A empresa está no mercado e intermediação de passagens áreas para agências de viagens há 26 anos.
  • A aquisição da Esferatur permitirá à CVC expandir a atuação no canal multimarcas (B2B), contribuindo para a posição de liderança no setor de viagens no Brasil.
  • O preço base será pago 70% na data do fechamento da operação, sendo ao menos 20% em dinheiro e até 50% em ações; e os demais 30% em cinco parcelas anuais iguais, a serem corrigidas pelo CDI desde a data do fechamento.

Ultrapar (UGPA3)
Mudanças na estratégia?

  • O jornal Valor, em sua edição de hoje, traz uma longa reportagem sobre a Ultrapar.  Segundo apurações do jornal, a empresa poderá alterar sua estratégia de atuação, considerando mudanças no portfólio de negócios e associações.
  • Quando as coisas não vão bem, mudanças são sempre bem-vindas.  No entanto, vemos um grande potencial no grupo e entendemos que eles serão capazes de retornar ao caminho dos lucros crescentes;
  • Em relatório recente, reduzimos o Preço Justo da ação em 16,7%, por conta das dificuldades, principalmente, na distribuição de combustíveis (Ipiranga);
  • Neste relatório, afirmamos que a empresa terá resultados melhores no segundo semestre, sem as perdas não recorrentes dos últimos dois trimestres.  Com isso, mantivemos nossa recomendação de Compra para UGPA3.

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