Bolsas pesam no exterior e Ibovespa desvaloriza 1,66%

MERCADO


Bolsa

O Ibovespa sofreu o impacto das notícias vindas do lado externo somadas ao ambiente ruim do lado doméstico que insistem em não aliviar a pressão sobre o mercado. No fechamento a bolsa marcou queda de 1,66% fechando em 119.180 pontos, com giro financeiro de R$ 38,9 bilhões (R$ 29,9 bilhões). A agenda econômica desta terça-feira mostra o IPC-Fipe semanal com alta de 1,35% acima de 1,18% na leitura anterior, confirmando a disparada dos preços recentemente. Na Europa saíram dados de emprego no 2T21, melhores que o anterior e o PIB do período com alta de 2,0% no comparativo T/T e de 13,6% no A/A. Nos EUA, os dados de vendas no varejo, produção industrial e capacidade utilizada, completam a agenda do dia. O dia é de queda também para as commodities, com destaque para o petróleo e o minério de ferro, influenciados pela tensão política no exterior e problemas internos na China.

As ações globais caem pelo segundo dia consecutivo com a volta das preocupações com a pandemia, com aumento de casos com a nova variante “delta”, ameaçando a retomada da economia global e podendo empurrar para frente decisões importantes para a volta à normalidade. Isso se soma aos problemas internos na China – restrições regulatórias -, e a questão dos estímulos nos EUA. Amanhã a ata do Fomc pode dar alguma sinalização, mas deve prevalecer a cautela com a situação global piorando. No Brasil, também não faltam problemas. Com isso as bolsas vão devolvendo os ganhos acumulados.

Câmbio

A moeda americana encerrou o dia com alta de 0,22% passando de R$ 5,2486 para R$ 5,2602 em dia de pressão sobre os mercados.

Juros

Os juros futuros encerram a sessão com a taxa do contrato de DI para jan/22 marcando 6,625% de 6,641% no dia anterior. No entanto, a taxa para jan/27 avançou de 9,824% a 10,020%, mostrando que a tendência no prazo mais longo é de pressão sobre a economia.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Ultrapar (UGPA3)

Teleconferência sobre a venda da Oxiteno

Na manhã de ontem, a empresa realizou uma teleconferência para discutir a negociação de sua controlada Oxiteno, que tinha sido anunciada horas antes. Considerando a avaliação de preço mostrada na reunião, esta venda foi positiva. Porém, será importante a aquisição de ativos melhores que a empresa negociada, que tinha uma boa rentabilidade.

  • O valor da negociação é de US$ 1,3 bilhão (considerando a dívida da empresa vendida. O valor do Patrimônio Líquido da Oxiteno é de US$ 330 milhões, com dívidas de US$ 750 milhões. Com estes números, o ganho contábil com a venda será de US$ 220 milhões e o Imposto de Renda derivado disso atingirá de US$ 70 milhões;
  • Considerando o EV da negociação de US$ 1,3 bilhão e um EBITDA médio da Oxiteno de US$ 120 – 130 milhões, o múltiplo da venda ficou entre 10x e 11x.

Gafisa (GFSA3)

No 2T21, lucro líquido de R$ 13,1 milhões ante um prejuízo de R$ 23,5 milhões no 2T20

A Gafisa vem sustentando resultados positivos, acumulando R$ 26,1 milhões no 1S21, contra uma perda de R$ 49,0 milhões no 1S20.

A receita liquida do 2T21 somou R$ 259,2 milhões, aumento de 52,4% sobre o 1T21 e de 2099% sobre o 2T20, (uma base muito fraca). No acumulado do 1S21, a receita atingiu R$ 429,4 milhões (+ 176% sobre o 1S20). A margem bruta do 2T21, foi de 29,3% mostrando viés de crescimento. No 1S21 a margem bruta marcou 26,7% ( o dado ajustado foi de 29,9%).

No 2T21, o EBITDA ajustado totalizou R$ 52,9 milhões que supera em 176% o primeiro trimestre. No comparativo com o 2T20 o crescimento é expressivo, (586%), refletindo a melhora do desempenho operacional como resultado do processo de reestruturação da Companhia.

No final de junho a dívida liquida somava R$ 760,3 milhões (46,6% do patrimônio líquido + minoritários).

Do lado operacional, não houve lançamentos no 1T21 e no 2º trimestre foram lançados R$ 308,1 milhões. A empresa anunciou também pré-lançamentos com meta de alcançar o guidance de R$ 1,5 bilhão para o ano.

A ação GFSA3 encerrou ontem cotada a R$ 3,03.


Cemig S.A. (CMIG4)

Lucro líquido de R$ 1,95 bilhão no 2T21 (+80% vs 2T20)

A Cemig registrou um lucro líquido de R$ 1,95 bilhão no 2T21 que se compara ao lucro líquido de R$ 1,08 bilhão do 2T20, um resultado construído pelo crescimento de 47% da receita líquida consolidada e a melhora do resultado operacional (+39% em 12m).

No 1S21 o lucro líquido somou R$ 2,37 bilhões ante o lucro líquido de R$ 1,01 bilhão do 1S20, explicado, principalmente, pelo reconhecimento em 2021 dos ganhos com a repactuação do risco hidrológico, à alienação de ativos mantidos para venda (Light) e ao aumento da margem bruta no 1º semestre de 2021.

Ao preço de R$ 11,38/ação, equivalente a um valor de mercado de R$ 19,3 bilhões, a ação CMIG4 registra queda de 7,0% este ano. O Preço Justo de R$ 15,00/ação traz um potencial de alta de 31,8%.


Camil Alimentos S.A. (CAML3)

Aquisição da Santa Amália e entrada na categoria de massas

A Camil celebrou em 16 de agosto o Contrato de Compra e Venda de Ações da Pastifício Santa Amália S.A., uma empresa controlada da Alicorp Holdco España S.L. e Alicorp Inversiones S.A. O preço de aquisição da totalidade do capital social da Santa Amália é de R$ 260 milhões e a Camil assumirá o endividamento da ordem de R$ 150 milhões.

  • A Santa Amália fatura R$ 500 milhões por ano, mantém a liderança no estado de Minas Gerais (MG) com participação de mercado de 41,5% (sendo de 7% no Brasil), com marcas de destaque na categoria de massas e um portfólio completo de marcas premium e de ocupação na categoria.
  • A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de condições usuais a este tipo de transação, incluindo a aprovação do Cade.

A aquisição representa um importante passo para a diversificação e entrada em novas categorias e expansão geográfica da companhia.


IRB Brasil RE (IRBR3)

Resultado do 2T21 ainda impactado por efeitos não recorrentes e negócios descontinuados.

A companhia registrou no 2T21 um prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões e que se compara ao lucro líquido de R$ 50,8 milhões no 1T21, mostrando que 2021 ainda será um período de transição e de ajustes, com melhora gradativa, priorizando o mercado local e América do Sul, concentrando esforços nos seus segmentos mais importantes e rentáveis.

A sinalização é de um exercício de 2022 sem o efeito dos negócios descontinuados (run-off) e dos eventos não recorrentes (one-offs), com incremento de resultados e rentabilidade. Destaque para a geração de caixa operacional positiva no 2T21 de R$ 352 milhões, acima dos R$ 176 milhões gerados no 1T21.

Um resultado aquém do potencial da companhia e que refletiu (i) negócios descontinuados (run-off), com efeito de R$ 190 milhões, parcialmente compensados pelo efeito não recorrente (one-offs) de R$ 14 milhões (despesa de tributos e administrativas que foram compensadas por crédito em impostos). De acordo com a companhia, descontados tais efeitos run-off e one-off, o prejuízo líquido seria menor, de R$ 31 milhões no 2T21. Não descartamos maior volatilidade das ações hoje. Temos recomendação de COMPRA e Preço Justo de R$ 7,60/ação.


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