Ibovespa desvaloriza 1,24% em semana conturbada

MERCADO


Bolsa
O Ibovespa encerrou a sexta-feira com alta de 0,91% (114.781 pontos) e giro financeiro de R$ 33,2 bilhões (R$ 25,3 bilhões a vista). Ajudou o mercado a alta das commodities no exterior. Já a semana foi recheada de notícias negativas para os mercados, doméstico e externo e a bolsa recuou 1,24%. Na sexta-feira, do lado positivo tivemos a recuperação nos preços do petróleo e alta das empresas do setor siderúrgico, mas questões como a Covid-19, o Orçamento do governo para 2021 e a crise fiscal, continuam no centro das atenções. Para piorar, o ambiente político mostra tensão, com pressão sobre o presidente Bolsonaro para demitir o chanceler Ernesto Araújo, com mais um episódio negativo no final de semana, além do avanço do vírus com recorde de mortes no país. No exterior, os esforços para desencalhar o cargueiro gigante no Canal de Suez, estão dando resultado, mas ainda não normalizou. Se este processo demorar, os preços dos fretes, que vinham em queda, pode voltar a subir e pesar sobre o Brasil. Lá fora, a semana começa com as cotações do petróleo perto da estabilidade. Na B3, os investidores podem adotar cautela no dia.

Câmbio
No fechamento da semana o dólar deu nova arrancada, com preocupações a respeito da situação fiscal do país, a contaminação e mortes por Covid-19 andando mais rápido que a vacinação e suas consequências na economia. Com isso, o dólar fechou a R$ 5,76 com alta de 1,93%.

Juros
Após o recuo da quinta-feira, os juros futuros fecharam a sexta-feira com as taxas influenciadas pelo comportamento de outros ativos financeiros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/22 subiu de 4,676% para 4,725% e para jan/27 a taxa passou de 8,674% para 8,69%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Oi (OIBR3 e OIBR4)
Lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no 4T20, com crédito de Imposto de Renda e Contribuição Social diferidos no valor de R$ 3,47 bilhões

A Oi, em recuperação judicial, encerrou o 4T20 com lucro líquido consolidado de R$ 1,798 bilhão, revertendo o prejuízo de R$ 2,281 bilhões no 4T19. A reversão do resultado reflete um crédito de Imposto de Renda e Contribuição Social diferidos no valor de R$ 3,47 bilhões.

Em 2020, a Oi encerrou o ano com prejuízo líquido consolidado de R$ 10,5 bilhões, acima do prejuízo de R$ 9,1 bilhões de 2019.

A Oi encerrou o ano uma dívida líquida de R$ 21,8 bilhões, alta de 36,9% sobre os R$ 15,9 bilhões no final de 2019.


CVC (CVCB3)
No 4T20, lucro líquido de R$ R$ 392,5 milhões ante um prejuízo de R$ 112,6 milhões no 4T19

O desempenho da CVC, no Brasil, em 2020 foi fortemente impactado pela pandemia, impactando os embarques e vendas, levando a um prejuízo líquido ajustado de R$ 270,7 milhões, uma queda de R$ 326,7 milhões na comparação com 2019 (pro forma).

No 4T20 as operações da companhia já mostraram boa recuperação, mas o mercado de turismo ainda segue muito fraco, penalizado novamente pela atual onda de contaminação e restrições em todo o país.

Na sexta-feira, a ação CVCB3 encerrou cotada a R$ 18,93 com queda de 8,0% no ano.


Cemig S.A. (CMIG4)
Lucro Líquido de 1,3 bilhão no 4T20 e desinvestimento na Taesa

A Cemig registrou no 4T20 um lucro líquido de R$ 1,3 bilhão (+136,2% versus o 4T19) explicado pelo crescimento de 5,8% da receita líquida para R$ 6,9 bilhões e melhora do resultado operacional (+23,6% do EBITDA ajustado para R$ 1,2 bilhão).

  • Nesta base de comparação a margem EBITDA ajustado cresceu de 14,8% para 17,3%. Destaque para (i) o incremento resultado operacional e financeiro no segmento de geração e transmissão; para (ii) a reversão, no 4T20, da perda acumulada no ano do investimento na Light, com impacto positivo líquido de tributos de R$ 178,4 milhões; e (iii) melhor resultado com Equivalência Patrimonial, principalmente, em função do aumento da equivalência da Taesa.
  • Com isso, no acumulando de 2020 a companhia alcançou um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, com queda de 10,3% em relação a 2019, mas com alta da margem EBITDA ajustado de 0,9pp.

Ao preço de R$ 12,43/ação (valor de mercado de R$ 18,9 bilhões) a ação CMIG4 registra queda de 12,9% este ano. O Preço Justo de R$ 15,00/ação traz um potencial de alta de 20,7%.

Avaliação de estruturas de desinvestimento na Taesa (TAEE11). A Cemig comunicou na sexta-feira (26/03) que está em processo de avaliação de estruturas para o desinvestimento da sua participação no capital social da Taesa (TAEE11), com vistas à otimização da sua alocação de capital.

  • O processo se encontra em fase de identificação e avaliação pela Diretoria da Cemig, com o auxílio de assessores especializados, das alternativas disponíveis para a realização do desinvestimento.
  • Atualmente a Cemig detém 36,97% do capital ordinário, 1,28% das preferenciais e 21,68% do capital total da Taesa. Ao preço de R$ 11,95 por ação ordinária, correspondente a um Valor de Mercado de R$ 12,4 bilhões, esta posição alcança R$ 2,7 bilhões.

O segundo maior acionista da Taesa é a ISA Investimentos e Participações do Brasil S.A. (“ISA Brasil”) com 26,03% do capital ordinário e 14,88% do capital total.

Desse modo, o controle acionário da TAESA é exercido pela Cemig e a ISA Brasil, havendo acordo de acionistas entre os controladores, com participação conjunta de 63,00% no capital votante.


Banco ABC Brasil (ABCB4)
Postergada a data do crédito de JCP. Ex-juros em 01/04

O Conselho de Administração do banco aprovou a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) referente ao 1T20 no valor bruto total de R$ 45,9 milhões, equivalente a R$ 0,2130 por ação ordinária e preferencial.

  • O crédito foi postergado de 07 de abril para 12 de abril de 2021.
  • Serão consideradas as posições acionárias do dia 31 de março de 2021.
  • A partir de 01 de abril de 2021 (inclusive), as ações do banco serão negociadas “ex” juros.
  • O retorno líquido estimado é de 1,2%.

Com base na cotação de R$ 14,63/ação (valor de mercado de R$ 3,2 bilhões) a ação ABCB4 registra queda de 4,1% este ano. Temos recomendação de COMPRA com Preço Justo de R$ 20,00/ação, que traz um potencial de alta de 36,7%.


Cosan S.A. (CSAN3)
Conselho aprova novo plano de recompra de ações

O Conselho de Administração da Cosan S.A. aprovou na sexta-feira (26/03) um novo plano de recompra de ações ordinárias de sua emissão, para manutenção em tesouraria, cancelamento ou alienação.

  • Poderão ser recompradas até 17,0 milhões de ações, representativas de aproximadamente 3,63% da quantidade total de ações da companhia e até 5,89% das ações em circulação.
  • O prazo da operação será de até 18 meses.

Se recompradas na totalidade, ao preço de R$ 90,81/ação, o montante total da recompra, alcança R$ 1,54 bilhão, correspondente a 3,7 dias de negociação.


CCR (CCRO3)
Redução no tráfego e mudança na base de comparação

  • Neste novo critério, observamos números fracos em dois dos negócios da CCR (gestão de concessões de rodovias e aeroportos) e praticamente igual em mobilidade urbana.  Estes dados já refletem as medidas recentes de restrição à movimentação determinadas por vários governos estaduais.  Naturalmente, estes dados piores terão impacto negativo no resultado da CCR no 1T21;
  • O tráfego comparável da CCR entre os dias 19 e 25 de março/2021 (sem a ViaSul), apresentou uma diminuição de 6,0%, comparado ao mesmo período em 2019.  Este número foi impactado principalmente pela queda de 29,3% na movimentação dos veículos de passeio, não compensado pelo aumento de 13,0% nos comerciais.  A redução no tráfego foi de 4,3% no período anterior.

Se preferir, baixe em PDF:

 

 

Análises Gráficas >>> 


DISCLAIMER
Este relatório foi preparado pela Planner Corretora e está sendo fornecido exclusivamente com o objetivo de informar. As informações, opiniões, estimativas e projeções referem-se à data presente e estão sujeitas à mudanças como resultado de alterações nas condições de mercado, sem aviso prévio. As informações utilizadas neste relatório foram obtidas das companhias analisadas e de fontes públicas, que acreditamos confiáveis e de boa fé. Contudo, não foram independentemente conferidas e nenhuma garantia, expressa ou implícita, é dada sobre sua exatidão. Nenhuma parte deste relatório pode ser copiada ou redistribuída sem prévio consentimento da Planner Corretora de Valores. O presente relatório se destina ao uso exclusivo do destinatário, não podendo ser, no todo ou em parte, copiado, reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Planner Corretora. As opiniões, estimativas, projeções e premissas relevantes contidas neste relatório são baseadas em julgamento do(s) analista(s) de investimento envolvido(s) na sua elaboração (“analistas de investimento”) e são, portanto, sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado. Declarações dos analistas de investimento envolvidos na elaboração deste relatório nos termos do art. 21 da Instrução CVM 598/18: O(s) analista(s) de investimento declara(m) que as opiniões contidas neste relatório refletem exclusivamente suas opiniões pessoais sobre a companhia e seus valores mobiliários e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Planner Corretora e demais empresas do Grupo.