Ibovespa cede 0,56% aos 105.009 pontos, em dia de dados ruins no exterior

MERCADO


Bolsa
 O Ibovespa encerrou o penúltimo pregão de julho com queda de 0,56% aos 105.009 pontos, com giro financeiro de R$ 29,4 bilhões (R$ 27,0 bilhões à vista). Considerando a variedade de notícias negativas, a B3 até que se defendeu bem. Destaque para a queda acentuada de 10% no PIB da Alemanha e 32,9% nos EUA, no 2T20 no A/A. Ações de peso no Ibovespa como: Vale, Bradesco, Petrobrás, siderúrgicas e outros bancos, ajudaram para a queda da B3. A despeito da resistência para a flexibilização e retomada das economias, os casos de contaminação e óbitos seguem crescendo ao mesmo tempo em que os testes para as vacinas em desenvolvimento seguem avançando. Nos EUA, as decisões para liberação de recursos de resgate da economia seguem acontecendo, numa corrida sem precedentes.  Hoje o PIB do 2T20 da zona do euro mostra queda de 12,1% no T/T e 15,0% no A/A., e a estimativa de IPC na região no A/A sobe de 0,2% para 0,4%. Nos EUA saem dados de gastos pessoais, o PMI de Chicago e expectativas da Universidade de Chicago e no Brasil teremos a pesquisa econômica da Bloomberg, no final da manhã. O último dia de julho vem com agenda carregada e investidores montando suas estratégias para agosto, em meio a um grau considerável de incertezas. Em Brasília, expectativa quanto à pauta colocada na mesa. Algumas propostas do governo podem ser barradas, conforme avisou o presidente da Câmara Rodrigo Maia. Nesta manhã, as bolsas operam em alta na Europa e mostram queda no fechamento na Ásia.

Câmbio
A moeda americana encerrará o mês de julho pressionando menos o real. Ontem houve um recuo de 0,32% passando de R$ 5,1715 para R$ 5,1552.

Juros
Os juros futuros encerraram o dia com queda firme e de forma entre os grandes principais vencimentos. O quadro de apostas para a decisão do Copom na semana que vem segue mostrando cerca de 80% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual na Selic. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/22 caiu de 2,742% para 2,63% e a do DI para jan/27, de 6,293% para 6,11%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Fleury (FLRY3)
Resultado líquido passa de lucro de R$ 72,6 milhões no 2T19 para prejuízo de R$ 73,3 milhões no 2T20. No 1S20, o prejuízo foi de R$ 14,5 milhões.

A reversão no resultado foi formada a partir da queda de 37,6% na receita liquida, que passou de R$ 787,6 milhões no 2T19 para R$ 492,2 milhões no 2T20. A margem bruta caiu drasticamente de 30% no 2T19 para apenas 0,6% no 2T20. A companhia explica que os custos e despesas operacionais sofreram com a redução da demanda, principalmente nos meses de abril e maio, devido às medidas de restrição para aumentar o isolamento social. Houve forte impacto na eficiência dos custos e despesas fixas.

O EBITDA alcançou R$ 19,6 milhões, com diminuição de 91,5% em comparação com 2T19 ajustado por efeitos não recorrentes. O EBITDA ex-IFRS 16, que inclui em seu cálculo os custo e despesas com aluguéis, ficou negativo em R$ 20,9 milhões.

A dívida líquida cresceu 6,5%, e a relação com o EBITDA LTM correspondeu 1,4x. As captações visam as necessidades que possam surgir.

Observação: Emitimos relatório em junho com recomendação de COMPRA com preço justo de R$ 29,00 para a ação com cotada a R$ 24,91 na data. Ontem, a FLRY3 encerrou cotada a R$ 25,63 com queda de 14,0% no ano. Estaremos revisando os números com base nestes resultados e no discurso da companhia em sua teleconferência. Os resultados deste período ficaram muito aquém das expectativas, mas a empresa tem um mercado e uma presença marcante no setor.


Even (EVEN3)
No 2T20, lucro líquido de R$ 26,8 milhões, aumento de 21,6% sobre o 2T19 e redução de 12,4% no comparativo semestral

Os números do 2T20 mostraram queda em relação ao 1º trimestre deste ano, o que é esperado para uma grande maioria de empresas da B3. No comparativo com o 2T19, os principais destaques foram:

  • Redução de 36,7% na receita liquida de R$ 591,6 milhões para R$ 374,4 milhões. No acumulado de 6 meses a receita cresceu de R$ 483,8 milhões para R$ 781,3 milhões (+61,5%). A empresa registrou redução na margem bruta ajustada, ficando em 27,5% no 2T20 e 32,8% no 1S20.
  • O EBITDA teve redução nos dois períodos comparativos fechando o 1S20 em R$ 177,5 milhões (-36,0%).
  • Destaque para a redução na dívida liquida de R$ 645,2 milhões no 1S19 para R$ 304,3 milhões no 1S20 (-53,0%).
  • Ainda sobre a EVEN, sua controlada Melnick Even Desenvolvimento Imobiliário
    pediu registro da oferta pública de distribuição de ações ordinárias, além pedido de adesão ao segmento Novo Mercado da B3.

Ontem a ação EVEN3 encerrou cotada a R$ 14,84 com queda de 2,4% no ano.  O valor de mercado está em R$ 3,1 bilhões.


ENGIE Brasil Energia (EGIE3)
Lucro líquido de R$ 766 no 2T20 e R$ 1,3 bilhão no 1S20

A ENGIE Brasil Energia (EBE) publicou ontem (30/julho) seus resultados referentes ao 2T20, com um lucro líquido de R$ 765,8 milhões, que representou forte alta de 98% ante o lucro líquido de R$ 385,4 milhões em igual trimestre do ano passado, explicado (i) pelo aumento da capacidade instalada; (ii) do preço médio líquido de venda; (iii) pela maior quantidade de energia vendida; (iv) equivalência patrimonial da TAG; e (v) por efeitos não recorrentes relacionados ao ganho de ações judiciais e indenizações por atrasos na conclusão de obras. No acumulado do 1S20 o lucro líquido alcançou R$ 1,3 bilhão e crescimento de 34% em relação ao 1S19.

Com base nesse resultado o Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 677,7 milhões sob a forma de dividendos intercalares, equivalente a R$ 0,8305737385/ação e a 55% do lucro líquido distribuível apurado no primeiro semestre de 2020. As ações ficarão ex-dividendos a partir de 10 de agosto de 2020 e serão pagos em data a ser definida posteriormente pela Diretoria-Executiva. O retorno estimado é de 1,86%.

Ao final de junho de 2020 a dívida líquida da companhia somava R$ 10,8 bilhões (1,9x o EBITDA), abaixo de R$ 11,1 bilhões (2,1x o EBITDA) do trimestre anterior. Nesta base de comparação o caixa elevou-se de R$ 4,2 bilhões para R$ 4,8 bilhões.


Cteep Transmissão Paulista (TRPL4)
Resultado do 2T20 acima do esperado

A Cteep registrou no 2T20 um lucro líquido ajustado de R$ 412 milhões, com crescimento de 74% em relação aos R$ 236 milhões de  igual trimestre do ano anterior, acumulando um lucro líquido ajustado de R$ 720 milhões (+54%) no 1S20, explicado pela estabilidade de receita e principalmente a melhora do resultado operacional.

No 2T20, a receita operacional bruta consolidada somou R$ 1,7 bilhão, acumulando no 1S20 uma receita bruta de R$ 2,6 bilhões. Este forte crescimento pode ser explicado principalmente (i) pela Parcela de Ajuste (PA) referente à aplicação da Revisão Tarifária Periódica (RTP) do contrato renovado (059); e (ii) da remuneração do componente financeiro da RBSE pelo custo do capital próprio (“Ke”), no valor de R$ 894 milhões, que será recebida até junho de 2023.

A receita operacional bruta sem esse componente teria totalizado R$ 806 milhões no 2T20, estável em relação ao 2T19 e com crescimento de 2,7% no 1S20 para R$ 1,7 bilhão.

O EBITDA ajustado totalizou R$ 687,3 milhões no 2T20, com aumento de 14,7% ante o 2T19, alcançando R$ 1,4 bilhão no 1S20, o EBITDA Ajustado, com crescimento de 12,1% comparado ao 1S19, explicado principalmente, pelos menores custos e despesas operacionais.

A parcela de ajuste (RTP e RBSE) foi provisionada no 2T20 mas será recebida nos próximos 3 anos, de julho de 2020 a junho de 2023.


Cosan S.A. (CSAN3)
IPO da controlada Compass

A companhia comunicou ontem (30/julho) que sua controlada Compass Gás e Energia (“Compass”) pretende apresentar, nos próximos dias, pedido de registro da oferta pública de distribuição primária de ações, a ser realizada no Brasil, em mercado de balcão não organizado, incluindo esforços de colocação das ações no exterior.

Serão oportunamente fixados pelo Conselho de Administração da Compass: (a) o volume da Oferta; e (b) o preço de subscrição de suas ações, conforme venha a ser acordado na data de precificação da Oferta, após a apuração do resultado do procedimento de coleta de intenções de investimento junto a investidores institucionais, a ser realizado no Brasil e no exterior. A Oferta está sujeita à concessão dos registros pela CVM e às condições de mercado.

A Compass Gás e Energia  foi criada para oferecer soluções de gás e energia. Atua em quatro pilares: Infraestrutura, Distribuição, Geração e Comercialização.

As ações da Cosan (CSAN3) responderam positivamente ontem com alta de 6,59% para R$ 88,10/ação (valor de mercado de R$ 34,7 bilhões) e registram alta de 29,3% este ano.


Ômega Geração (OMGE3)
Conselho aprova Oferta primária de R$ 500 milhões

O Conselho de Administração da Ômega Geração autorizou a realização de emissão primária de aproximadamente R$ 500 milhões , a fim de suportar a continuidade da agenda de crescimento e criação de valor da companhia.

Esse montante somado ao caixa de R$ 885,5 milhões, expandirá a liquidez da companhia garantindo os recursos necessários para a consecução das aquisições anunciadas e potenciais novas ações de ativos operacionais ao longo dos próximos meses.

Estão previstas a compra de 78% na SPE Santa Vitória do Palmar, por R$ 434,4 milhões e outras cinco SPEs da Eletrobras.


Copasa (CSMG3)
Lucro líquido de R$ 146 milhões no 2T20 com alta de 23% ante o 1219

A Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa) registrou no 2T20 um lucro líquido de R$ 146 milhões, correspondente a um crescimento de 23% em relação a igual trimestre do ano anterior, explicado pelo crescimento de 9% da receita, redução de 66% da linha de outras despesas operacionais líquidas, que compensaram o aumento de 14% dos custos e despesas no período.

Nesse contexto o EBITDA cresceu em linha com a receita e somou R$ 379 milhões, com margem EBITDA de 31,0% (estável em relação ao 2T19). Destaque também pela melhora do resultado financeiro entre os trimestres comparáveis .

Ressalte-se a queda da dívida líquida terminando o trimestre em R$ 2,4 bilhões e alavancagem de 1,3x o EBITDA.


Magazine Luiza (MGLU3)
Aquisição da Hubsales, plataforma que indústrias vendem direto para consumidores 

O Magazine Luiza anunciou nesta quinta-feira a conclusão da compra da Hubsales, plataforma por meio da qual fabricantes de diferentes segmentos com pouca ou nenhuma familiaridade com o digital oferecem seus produtos diretamente aos consumidores por meio de plataformas de marketplace, segmento conhecido como Factory to Consumers (“F2C”).

Esse modelo, já consolidado em países asiáticos, elimina intermediários, aumentando a margem da indústria e reduzindo os custos de distribuição. 

A Hubsales auxilia o seller (vendedor) — nesse caso uma indústria — a fazer desde o cadastro e upload do catálogo nas plataformas, até a gestão de pedidos e marketing, até pós venda, garantindo qualidade das informações prestadas e acompanhamento do nível de serviço. Com essa expertise, o sortimento oferecido pelas indústrias ganha relevância nas plataformas e elas têm a oportunidade de escalar de forma significativa seus negócios por meio do e-commerce.

O Mglu3 fechou cotada a R$83,29com alta de 74,74% em 2020.


Petrobras (PETR4)
Prejuízo no 2T20 mesmo com elevados ganhos não recorrentes

Após o pregão de ontem, a empresa divulgou seus resultados do 2T20 apresentando forte redução de vendas, da receita e das margens, o que levou ao prejuízo. Isso ocorreu mesmo com os expressivos ganhos dados pela contabilização créditos fiscais (R$ 16,4 bilhões). O resultado operacional refletiu a forte redução da demanda e dos preços ocorrida no 2T20;
• No 2T20, a Petrobras sofreu um prejuízo de R$ 12,3 bilhões (R$ 0,21 por ação), valor 94,4% menor que o resultado negativo do trimestre anterior e revertendo os ganhos de R$ 18,9 bilhões auferido no 2T19;
• A forte retração na demanda por combustíveis, com as medidas de afastamento social para combater a pandemia no 2T20, levaram a uma expressiva redução nas vendas de derivados no mercado interno, que foram compensadas pela elevação das exportações. O volume total vendido no Brasil caiu 15,4% em relação ao 2T19 pela razão já destacada. Porém, a Petrobras conseguiu mais que compensar isso com a elevação de 61,7% no volume exportado;
• A queda das vendas e nas margens da operação, mesmo com os ganhos tributários, levaram o EBITDA do 2T20 (R$ 25 bilhões) a ficar 23,5% abaixo do mesmo trimestre de 2019. O EBITDA recorrente do trimestre foi R$ 17,7 bilhões, 47,0% menor que no 2T19.


Usiminas (USIM5)
Resultados e teleconferência do 2T20

A empresa divulgou na manhã de ontem seus resultados do 2T20, com números operacionais muito fracos, em consequência da forte retração do mercado de aço no Brasil devido à pandemia de Covid-19. Além das perdas operacionais, a empresa teve também despesas não recorrentes, que pioraram o resultado.
• No 2T20, a Usiminas sofreu um prejuízo de R$ 467 milhões (R$ 0,37 por ação), valor 2% maior que as perdas do 1T20 e revertendo um lucro de R$ 131 milhões no 2T19;
• Para discutir estes números, a Usiminas realizou uma teleconferência, quando a diretoria insistiu na melhoria do mercado no segundo semestre. Para se aproveitar desta recuperação, a empresa vai reativar equipamentos de suas duas usinas, que foram paralisados no início da pandemia.


Ecorodovias (ECO3)
Rearranjo societário e capitalização

Nesta manhã, a empresa informou que seus controladores (Primav Construções e Comércio S/A e Igli S.p.A) vão realizar um rearranjo societário, simplificando a estrutura e controle aumentando a participação do grupo italiano.
• A reorganização do controle da Ecorodovias será implementada para facilitar uma captação, estimada em R$ 1,8 bilhão, através da emissão de ações, na qual a Igli já se comprometeu a investir até R$ 1,2 bilhão. O valor total da pretendida captação é equivalente a 24% do valor de mercado da Ecorodovias ao final do pregão de ontem;
• Esta é uma boa notícia para a Ecorodovias, que no momento tem um endividamento elevado, dificultando a aquisição de novas concessões.


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