Ibovespa sobe 1,44% puxado pelas bolsas americanas

MERCADO


Bolsa
A decisão do Federal Reserve para os juros americanos e o compromisso de persistir no afrouxamento monetário, animou os mercados no restante da tarde. O Ibovespa pegou carona no bom humor dos mercados lá de fora a subiu 1,44% aos 105.605 pontos. Segundo Jerome Powel o Fed vai limitar danos a garantir uma recuperação para os EUA.  O giro financeiro foi de R$ 28,2 bilhões (R$ 26,0 bilhões no à vista). Hoje a agenda econômica traz dados do exterior, mas as atenções ficam em cima dos avanços as pesquisas das várias vacinas para a Covid-19 no mundo, com perspectivas animadoras nos últimos testes, ao mesmo tempo em que avançam os óbitos. No Brasil são mais de 90 mil. O mercado olha com atenção também os próximos passos do pacote americano para sustentar a economia do país. Alguns especialistas vêm desafios enormes com o rombo da Covid_19. As bolsas internacionais pesaram no exterior nesta quinta-feira, queda na Europa e na Ásia. Por aqui, reta final de mês, a safra de resultados deverá refletir o apetite dos investidores. Ontem saiu Vale e hoje teremos Petrobras.

Câmbio
Ontem a moeda americana R$ 5,1576 para R$ 5,1705 com uma pequena alta de 0,25% em dia de bolsa firme.

Juros
Os juros futuros tiveram um dia de estabilidade no curto prazo fechando estável em 2,74% para jan/23 e em 6,29% para jan/27 de 6,273% no dia anterior.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Petrobras (PETR4)
Créditos tributários que vão compor o resultado do 2T20

Depois do pregão de ontem, a empresa informou que a melhor estimativa para os créditos a recuperar do PIS/Cofins informados na semana passada é de R$ 16,9 bilhões.

· Este valor será reconhecido nas demonstrações contábeis do 2T20, que serão divulgadas hoje, após pregão. Este reconhecimento será muito positivo para o resultado do trimestre;

· No dia 21 de julho, a Petrobras havia informado que em decisão definitiva, o Tribunal Regional Federal da 2ª região concedeu à empresa o direito de recuperar valores do PIS e da Cofins pagos a maior em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo a partir de outubro de 2001. Naquela data, a Petrobras ainda estava apurando os valores a recuperar.


Bradesco (BBDC4)
Lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no 2T20 em linha com o trimestre anterior 

O Bradesco registrou no 2T20 um lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões (ROAE de 11,9%) com redução de 40% em relação ao 2T19 (ROAE de 20,6%). Quando comparado com o 1T20 (R$ 3,8 bilhões) o lucro apresentou leve crescimento de 3,2% e incremento de 0,2pp no ROAE. Um resultado que considera o reforço de provisionamento de R$ 3,8 bilhões no 2T20 relacionado ao segmento Financeiro, e de R$ 747 milhões relacionadas ao segmento de Seguros.

Do lado positivo, (i) o crescimento de 15% da Margem Financeira e que refletiu o forte crescimento de 129% (em base trimestral) da Margem Financeira com o Mercado, aliado ao incremento de 1,5% da Margem Financeira com Clientes; (ii) as despesas operacionais (despesas com pessoal e outras administrativas), que caíram 5,7% no trimestre; e (iii) o crescimento de 28,9% do resultado de seguros.

Do lado negativo (i) a alta de 33% na PDD expandida (por reforço de R$ 3,8 bilhões no trimestre), impactando diretamente a margem financeira líquida que registrou estabilidade (em base trimestral); e (ii) a queda de 7,9% das receitas de prestação de serviços, impactadas principalmente, nas receitas advindas das atividades de cartões, receitas com administração de fundos e operações de crédito.

No acumulado do 1º semestre de 2020 o lucro líquido recorrente somou R$ 7,6 bilhões (ROAE de 11,8%) com queda de 40% ante o lucro de R$ 12,7 bilhões (ROAE de 20,6%) do 1S19.

Seguimos com recomendação de COMPRA para BBDC4 com preço justo de R$ 30,90/ação.


Ecorodovias (ECOR3)
Lucro cresceu 47,0% no 2T20 mesmo com piores números operacionais

Os resultados da empresa no 2T20, divulgados ontem após o pregão, mostraram redução no tráfego, na receita e nas margens operacionais, tanto na comparação com o trimestre anterior ou com o 2T19. Porém, uma forte redução do custo financeiro permitiu uma elevação do lucro em relação ao 2T19.

· A Ecorodovias obteve um lucro líquido ajustado no 2T20 de R$ 84 milhões (R$ 0,18 por ação), valor 47,0% maior que no 2T19, mas 18,4% abaixo do trimestre anterior;

· O tráfego total comparável (desconsiderando Eco135 e Eco050) caiu 23,5%, sempre comparando ao 2T19, puxado pela queda de 41,9% na movimentação de veículos leves. Os veículos pesados tiveram uma redução de apenas 3,2%, sendo que em concessões com o a Ecovias dos Imigrantes ocorreu até um aumento na movimentação (6,4%). O tráfego total (considerando Eco135 e Eco050) teve uma diminuição de 13,5%;

· A redução dos custos financeiros no 2T20 foi fundamental para o resultado melhor que no mesmo trimestre do ano passado. No 2T20, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 103,8 milhões, menor em 41,3% que no 2T19. Isso ocorreu, principalmente, devido aos menores custos da dívida dados pela acentuada redução na inflação.


Vale (VALE3)
Um bom resultado no 2T20

O resultado da empresa no 1T20, divulgado ontem após o pregão, mostrou redução de vendas, mas aumentos nos preços, que juntamente com a desvalorização do real, permitiram aumento nas margens operacionais e a obtenção de um expressivo lucro líquido.

· A Vale obteve no 2T20 um lucro líquido de US$ 995 milhões, 316,3% maior que no trimestre anterior, revertendo o resultado negativo de US$ 133 milhões no 2T19;

· No 2T20, o volume de vendas nos principais produtos caiu muito, devido aos problemas trazidos pela pandemia. Em minério de ferro, foram vendidas 54,6 milhões de toneladas, 11,8% menos que no 2T19. No trimestre, ocorreu uma diferença bem expressiva (13,0 milhões de toneladas) entre o volume produzido e o vendido. A Vale explicou que isso se deve ao maior tempo entre a produção e as vendas;

· Uma boa notícia para os investidores da Vale é o pagamento, a ser feito no dia 7 de agosto de 2020, dos juros sobre o capital próprio (R$ 1,41 por ação) já aprovado em dezembro de 2019. Este provento permite um retorno de 1,8%, considerando a cotação de VALE3 no final do pregão de ontem.


CSN (CSNA3)
Teleconferência de resultados do 2T20

Os resultados da empresa no 2T20 mostraram uma forte redução de vendas e margens em relação ao mesmo período de 2019. Porém, comparado ao 1T20, a recuperação no desempenho do segmento de Mineração, permitiu uma expressiva melhoria dos números.

· Para comentar estes números, a CSN realizou uma teleconferência na manhã de ontem, quando a diretoria reafirmou sua expectativa de melhores resultados no segundo semestre, com maiores volumes nas vendas em minério e na siderurgia, além de aumentos de preços do aço;

· Preços do aço: Foi implementado um aumento médio de 10% em julho nos aços planos para a Distribuição. Em 1/setembro vai ocorrer um novo aumento entre 10%-12,5%. Nos aços longos, as elevações de preços foram de 6% em junho e mais 6% em julho;

· As vendas de minério de ferro devem ficar entre 33 e 36 milhões de toneladas em 2020 (produção própria + compras de terceiros). O volume vendido de minério deve se situar próximo de 10 milhões de t. no 3T30 e 4T20.


GPA – Pão de Açúcar (PCAR3)
Resultado líquido de R$ 333 milhões, redução de 20,3% sobre o 2T19

Houve queda no lucro, mas forte crescimento nos seus negócios. O GPA consolidado encerrou o 2T20 com lucro líquido dos acionistas controladores consolidado de R$ 333 milhões, sendo que o lucro líquido das operações em continuidade ficou 4,2 vezes superior ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 274 milhões (forte expansão de +322,0%). O resultado apresentado no 2T20 demonstra a melhoria operacional do grupo e a assertividade das estratégias adotadas, com retomada importante do Multivarejo, consistente performance do Assaí e consolidação do forte resultado do Grupo Éxito, que mais que compensaram a maior depreciação e o maior custo da dívida.

Ontem a ação PCAR3 encerrou cotada a R$ 78,64 e o valor de mercado da companhia está em R$ 21,1 bilhões.


Odontoprev (ODPV3)
Crescimento de 87% no lucro líquido do 2T20 para R$ 116,4 milhões acumulando R$ 191,7 milhões no 1S20

A Odontoprev registrou queda na receita liquida no 2T20 e pequena evolução no comparativo semestral e queda nas despesas operacionais, reflexo das restrições impostas pela Covid-19.

O EBITDA ajustado atingiu R$ 170, 9 milhões no 2T20, 68,2% superior ao 2T19, e 52,3% superior ao 1T20, com margem de 39,5%, recorde desde IPO. No semestre, o EBITDA ajustado alcançou R$ 283,2 milhões ou seja 27,0% acima do ano anterior, com margem de 31,9%. Desconsiderando a provisão dos planos individuais, o EBITDA do trimestre teria sido de R$180.246, com margem de 43,0%.

Ontem a ação ODPV3 encerrou cotada a R$ 14,65 com queda de 12,2% no ano.

Valor de mercado: R$ 7,8 bilhões.


Cesp (CESP6)
Lucro de R$ 137,8 milhões no 2T20 por crescimento da receita e melhora do resultado operacional

A Cesp registrou no 2T20 um lucro líquido de R$ 137,8 milhões que se compara ao prejuízo líquido de R$ 4,0 milhões do 2T19. Um bom resultado construído pelo crescimento de 32% da receita líquida e forte melhora do resultado operacional medido pelo EBITDA. No acumulado do 1S20 a companhia registrou um lucro líquido de R$ 191,6 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 162,2 milhões de igual semestre do ano anterior.

Destaques

Crescimento de 32% na receita líquida do 2T20 em relação ao 2T19, para R$ 485,5 milhões, explicado principalmente, pela sazonalização de energia vendida, o início das operações de trading pela Cesp Comercializadora, e pela atualização dos contratos indexados ao dólar.

EBITDA ajustado (exclui provisão para litígios, baixa de depósitos judiciais e PDV) somou R$ 287,2 milhões no 2T20 (margem de 59%), com crescimento de 31% em relação ao 2T19 (R$ 218,8 milhões).

Redução das contingências passivas totais (antes de atualização monetária e juros) em R$ 1,0 bilhão no 2T20, sendo R$ 154 milhões no provável.

Ao final de junho de 2020 a dívida líquida da companhia era de R$ 1,2 bilhão equivalente a 1,1x o EBITDA ajustado.


Localiza (RENT3)
Forte contração das operações no 2T20

Após o pregão de ontem, a empresa divulgou seu resultado do 2T20 com forte redução do aluguel de carros e da venda de veículos, refletindo os problemas trazidos pelo combate à pandemia de Covid-19. Vale citar que fatores não recorrentes e uma expressiva redução na provisão do Imposto de Renda, contribuíram muito para o resultado do trimestre.

· O lucro líquido da Localiza no 1T20 foi de R$ 90 milhões (R$ 0,12por ação), valor 61,1% abaixo do 1T20 e 52,7% menor que no mesmo trimestre de 2019.;

· Os impactos da pandemia foram fortes nas operações da Localiza, mas já há sinais de melhoria. Em Aluguel de Carros (RAC) houve uma redução de 7,9% no número de diárias, sempre comparando ao 2T19. A frota média alugada no trimestre (108 mil carros) foi 8,0% menor. A utilização da frota caiu de 78,8% no 2T19 para 55,6% no 2T20 (-23,2 pontos percentuais). A tarifa média do RAC no trimestre foi de R$ 53,8, com queda de 24,1%;

· O desempenho mais fraco nas três divisões levou à redução de 13,0% no EBITDA, que atingiu R$ 435 milhões. Porém, houve um ganho de 6,0 pontos percentuais na margem EBITDA, em função de reduções nos custos, mas, principalmente, pela reversão de R$ 126 milhões de diferença dos créditos do PIS e Cofins sobre depreciação.


Ambev (ABEV3)
Um resultado fraco no 2T20

Os resultados do 2T20 da empresa, divulgados nesta manhã, mostraram quedas no volume de vendas, na receita e nas margens operacionais na comparação com o 2T20. Este resultado mais fraco foi reflexo das medidas de combate à pandemia e da alta de custos. Vale citar que o lucro do trimestre foi muito beneficiado pelo valor positivo na provisão do Imposto de Renda, derivado da concessão de juros sobre o capital próprio.

· O lucro líquido ajustado da Ambev no 2T20 foi de R$ 1,4 bilhão (R$ 0,08 por ação), 49,4% menor que no 2T19, mas 25,7% acima do trimestre anterior;

· No 2T20, o volume total vendido pela Ambev caiu 9,2%, sempre comparando ao 2T19, com redução de 1,0% no preço médio dos produtos vendidos. No Brasil, houve uma contração no volume de 4,4% com a diminuição de preços em 2,5%, que determinou uma queda de 6,7% na receita. Em outras regiões também houve redução de receitas, como na América Central e Caribe de 33,9%, na América Latina Sul de 8,7% e no Canadá (3,9%);

· Ajudou muito ao resultado final da Ambev no 2T20, a provisão do Imposto de Renda com valores positivos (R$ 163 milhões), contra um número negativo de R$ 364 milhões no 2T19. Isso foi consequência, principalmente, dos benefícios tributários derivados da concessão de juros sobre o capital próprio (R$ 534 milhões).


Tim Participações (TIMP3)
Lucro líquido do 2T20 cai 23,9% para R$ 260 milhões somando R$ 425 milhões no 1S20

A Tim registrou queda no resultado liquido normalizado do 2T20 (com ajuste no EBITDA e no resultado financeiro).  Os dados comparados ao 1T20 mostram queda na receita liquida, mas uma melhora no resultado final.

A base de móvel reduziu em 5,3% com peso no pré-pago (ver tabela abaixo). A queda de 6,5% na receita liquida veio de menos 4,2% no serviço móvel que que respondeu por 92% do total enquanto a rede fixa cresceu 10,8% no comparativo com o 2T10, com receita de R$ 255 milhões (8% do total de R$ 3,99 bilhões.

A ação TIMP3 encerrou ontem cotada a R$ 14,89 com queda de 4,4% no ano e valor de mercado de R$ 36 bilhões.


Duratex (DTEX3)
Lucro líquido consolidado de apenas R$ 2,2 milhões no 2T20 e R$ 71,1 milhões no 1S20

Houve evolução em alguns segmentos, mas o 2T20 já era esperado como fraco.

Receita Líquida – No 2T20, a receita liquida somou R$ 1,05 bilhão, queda de 8,6% em relação ao 2T19.  Este resultado é decorrente do forte posicionamento comercial da Companhia dentro do cenário de crise, intensificando a negociação com clientes e se fortalecendo em mercados diversificados. Ainda, vale lembrar que parte deste resultado é justificado pela consolidação da Cecrisa na Divisão de Revestimentos Cerâmicos.

EBITDA – No 2T20, o EBITDA ajustado totalizou R$ 119,0 milhões, 55,8% do realizado no mesmo período de 2019.

Lucro Líquido – Resultado positivo de apenas R$ 2,2 milhões no 2T20. Vale destacar que este valor desconsidera o impacto da consolidação da divisão de celulose solúvel. Contudo, no semestre, a Duratex beneficou-se dos impactos positivos na variação do ativo biológico, devido a apuração de inventário da floresta localizada em Minas Gerais, o que decorreu em um lucro líquido de R$ 71,0 milhões.


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