Bolsa cai 1,84% com fatos negativos do lado doméstico e no exterior

MERCADO


Bolsa
A B3 voltou a pesar na sexta-feira, refletindo o pedido de demissão do ministro da Saúde Nelson Teich e queda das bolsas americanas, com o ambiente ruim entre China e Estados Unidos. Além disso, a intensificação da divulgação de resultados do 1T20, mostram as perdas com a pandemia, que serão mais pesadas neste segundo trimestre. O Ibovespa encerrou com queda de 1,84% aos 77.426 pontos e giro financeiro de R$ 25,9 bilhões. A semana ficou negativa em 3,37%. Bolsas e moedas emergentes sobem no exterior com reabertura dos negócios contrabalançando alerta de retomada demorada da economia feito por Powell. Petróleo supera US$ 31 com corte de produção nos EUA e em outros países. Calmaria externa pode amenizar efeito do novo salto local dos casos de coronavírus. Agenda destaca IGP-10 e IPC-S, que devem mostrar deflação se aprofundando, Focus e vencimento de opções, além de reuniões de Guedes com presidente e bancos.

Câmbio
O dólar reverteu a queda e passou a subir após o pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich. Movimento também vem acompanhado de aceleração do dólar índice no exterior. Dólar fechou sexta-feira R$5,86 com alta de 0,71%.

Juros
Os juros futuros encerraram a sexta-feira em queda mesmo com o dia carregado de notícias adversas. Ao fim da sessão regular, o DI para jan/21 tinha taxa de 2,560%, ante 2,640% no ajuste de ontem. O janeiro 2022 recuou de 3,660% para 3,510% e para jan/27 a taxa passou de 7,880% para 7,82%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Cemig (CMIG4)
Prejuízo de R$ 57 milhões no 1T20

A Cemig registou no 1T20 um prejuízo líquido de R$ 57 milhões que se compara ao lucro líquido de R$ 797 milhões em igual trimestre do ano anterior, explicado pela remensuração do investimento na Light e o efeito do câmbio na dívida financeira. A Receita Líquida cresceu 2,5% totalizando R$ 6,1 bilhões. Os custos e despesas somaram R$ 5,0 bilhões com incremento de 5,6% em relação a igual trimestre do ano anterior. O Lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 808 milhões, com queda de 45% ante o 1T19. Em base ajustada o Lajida (Ebitda) foi de R$ 1,4 bilhão, com queda de 7% em 12 meses.

Do ponto de vista do lucro líquido, do lado negativo, destaque para o (i) reconhecimento a valor de mercado do investimento na Light em 31/03/20, com impacto negativo da remensuração no valor R$ 609 milhões, correspondendo a um valor líquido de IR/CS de R$ 402 milhões; o (ii) efeito negativo no resultado financeiro da Cemig GT de R$ 438 milhões, relacionado a dívida de Eurobonds e instrumento de hedge correspondente, sendo um montante líquido de tributos de R$ 289 milhões.

Do lado positivo, o resultado da Cemig Distribuição praticamente estável, apresentando um lucro líquido de R$ 197 milhões no 1T20, em comparação a R$ 188 milhões do 1T19.

Para mitigação dos impactos da crise econômica, a Cemig realizou a (i) revisão de seu programa de investimentos e de despesas; (ii) determinou o pagamento de dividendos mínimos aos acionistas, bem como postergação de parte do valor para o final do ano; e (iii) o diferimento dos recolhimentos de tributos e encargos trabalhistas, conforme autorização legal. Ao final do trimestre a dívida da companhia era de R$ 13,3 bilhões com alta de 4,5% em relação a março de 2019.


Eneva (ENEV3)
Lucro líquido de R$ 180 milhões no 1T20 com crescimento de 39% ante o 1T19

A Eneva registrou no 1T20 um lucro líquido de R$ 179,8 milhões, com crescimento de 38,5% em relação ao 1T19, explicado pelo incremento da geração operacional de caixa medida pelo EBITDA e da melhora do resultado financeiro líquido devido às menores despesas com encargos de dívida. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo maior valor de impostos diferidos no trimestre.

A geração líquida da companhia atingiu 2.323 GWh, com crescimento de 280% em relação ao 1T19. Destaque para o despacho de 56% na geração termelétrica, resultando no crescimento de 732% na produção de gás. Revisão das garantias físicas de Parnaíba I e III permitiu a comercialização de 314.012 MWh adicionais no mercado livre, sem custo adicional de geração, resultando em uma receita líquida adicional de R$ 34 milhões.

A Receita Operacional líquida cresceu 53,6% no 1T20 para R$ 939,1 milhões em relação ao 1T19. O EBITDA ajustado do 1T20 alcançou R$ 434 milhões, maior valor histórico no primeiro trimestre, com crescimento de 26% em relação ao 1T19. Ao final de março de 2020 a dívida líquida da companhia era de R$ 4,1 bilhões equivalente a 2,6x o EBITDA. Sua posição de caixa e equivalentes era de R$ 1,6 bilhão.


CSN (CSNA3)
Teleconferência dos resultados do 1T20

No 1T10, a CSN apresentou redução nas vendas de aço e minério, aumentos dos custos de produção e, principalmente, uma grande elevação das despesas financeiras derivadas da desvalorização do real. Com isso, a empresa sofreu um prejuízo líquido de R$ 1.312 milhões (R$ 0,94 por ação), contra os resultados positivos de R$ 1,1 bilhão no trimestre anterior e R$ 87 milhões no 1T19.
• Para discutir estes números, a empresa promoveu uma teleconferência na tarde da última sexta-feira, onde o tom foi otimista como sempre. Porém, o trimestre foi difícil e a empresa avalia até fechar um forno para adequar sua produção a um mercado menos demandante. A diretoria da empresa ressaltou que a diversificação de setores que atende é um ponto forte neste momento de crise;
• Situação financeira: A desvalorização do real no 1T20 levou ao aumento da dívida líquida (R$ 32,8 bilhões), em 19,7% na comparação com o trimestre anterior e 27,1% em relação a março/19. A menor demanda no período também impactou os estoques, que aumentaram 7,2% em relação ao trimestre anterior. Com isso, o ciclo financeiro aumentou 8 dias para 41 dias;
• Parada do Alto-Forno 2: Em função da redução da demanda, a empresa está avaliando fechar temporariamente este equipamento. A reforma recente do Alto-Forno 3, permitiu um expressivo aumento da produção e rentabilidade nesta unidade, que pode compensar um eventual fechamento de outro forno.


Petrobras (PETR4)
Três comunicados importantes

Após o último pregão, a empresa fez dois comunicados sobre o andamento de processos de desinvestimento e mais um acerca dos testes de produção no pré-sal da Bacia de Campos.
• No primeiro comunicado, a Petrobras informou que iniciou da fase não vinculante da venda de toda sua participação (51%) na Petrobras Gás S.A. (Gaspetro);
• O segundo informe, versou sobre o início da fase não vinculante da negociação da participação remanescente da Petrobras (10%) na Nova Transportadora do Sudeste S.A. (NTS);
• Finalmente, a empresa informou que iniciou no dia 16/maio o Teste de Longa Duração (TLD) na área do Plano de Avaliação de Descoberta de Forno, que está localizada no campo de Albacora (pré-sal da Bacia de Campos);
• Estas são boas notícias para a Petrobras, mesmo que com pouco impacto no mercado. A continuação do Programa de Desinvestimentos da empresa, neste momento de crise, se torna mais urgente, mas também de mais difícil execução. A ampliação da exploração do pré-sal da Bacia de Campos é algo positivo, por ser em uma região onde a empresa tem ampla infraestrutura.


Cogna (COGN3)
Emissão de debêntures no valor de R$ 500 milhões

A Cogna, holding que reúne a Kroton e outros negócios na área de educação, comunicou ao mercado a aprovação de sua sexta emissão de debêntures simples (não conversíveis em ações).

  • Série única
  • Valor total – R$ 500 milhões
  • Valor unitário – R$ 1 mil
  • Remuneração – 100% do CDI + 2,95% ao ano
  • Resgate antecipado a partir de um ano de emissão, com pagamento de prêmio de 0,30% ao ano.
  • O valor nominal unitário das debêntures será pago integralmente em uma única parcela na data de vencimento, 20 de maio de 2023.
    Objetivo da captação – alongamento do passivo financeiro da Cogna, aportar capital em suas controladas, bem como reforçar o seu capital de giro.

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