Ibovespa fecha em alta de 1,59% acompanhando as bolsas de NY

MERCADO


Bolsa
A sexta-feira mostra as bolsas internacionais em alta na zona do euro e com os futuros de NY indicando alta na abertura. A agenda econômica traz dados da zona do euro com destaque para a queda de 3,8% no PIB do 1T20 no M/M e de 3,6% no A/A., e também a balança comercial do mês de março em alta. No Brasil, sai nesta manhã índice de Atividade Econômica, com expectativa de uma queda superior a 5%. Os dados principais vêm dos EUA, (vendas no varejo, produção industrial e utilização de capacidade na indústria, no mês de abril. Mesmo com expectativa de queda, estes dados podem pesar sobre os mercado, que pode conviver com um novo avanço de contaminação pelo vírus. Do lado doméstico, atenção para os resultados corporativos divulgados ontem. A B3 sofreu um parte do pregão, mas a alta das bolsas americanas ajudou para puxar nosso mercado, e o Ibovespa encerrou o dia em alta da 1,59% aos 79.081 pontos, com giro financeiro de R$ 29,2 bilhões.

Câmbio
A moeda americana recuou de R$ 5,8858 para R$ 5,8841 em dia de melhora do humor no mercado de ações. A aversão ao risco continua, o que deverá manter o dólar ainda em patamar elevado.

Juros
Ontem, os juros futuros sentiram o impacto dos riscos que cercam o mercado global neste momento. No fechamento, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21 subiu de 2,610% para 2,655% e para jan/27 a taxa passou de 7,790% para 7,960%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Vivara (VIVA3)
Lucro Líquido atingiu foi de R$ 19,0 milhões no 1T20, com Margem Líquida de 9,2% (-34,8% A/A)

Conforme já se era esperado, a empresa foi impactada pelo fechamento de 100% das lojas físicas, a partir do dia 20 de março. A Receita apresentou retração de -6,4%, salva pelo crescimento receita do e-commerce no trimestre em 29,5%.

A Companhia apesar de ter mostrando boa execução, atua em um segmento discricionário, os que serão mais impactados com a crise atual. A incerteza sobre a perspectiva futura da economia brasileira traz mais preocupação para o mercado de joias.

• O Lucro Bruto da Companhia somou R$ 137,1 milhões, com Margem Bruta de 66,5%.


Fleury (FLRY3)
Queda de 36,6% no lucro líquido do 1T20 de R$ 92,6 milhões no 1T19 para R$ 56,7 milhões

O resultado líquido da Fleury foi prejudicado pela forte perda de margem bruta no 1T20, reflexo da Covid-19.

A receita liquida do 1T20 cresceu apenas 1,9% em relação ao 1T19, somando R$ 713,9 milhões e a margem bruta caiu da 31,9% par 26,3%. Segundo a companhia, o efeito abrupto de redução da demanda na segunda quinzena de março, teve impacto na eficiência dos custos e despesas fixas, com perda relevante de eficiência.

Ontem a ação FLRY3 encerrou cotada a R$ 20,83 com queda 30,1% no ano.


Cyrela Realty (CYRE3)
Lucro líquido de R$ 28 milhões no 1T20, queda de 41,6% s/ o 1T19

Bom desempenho operacional, mas penalizada na última linha pelo Impacto líquido de R$ 30 milhões na rubrica de “Outros Resultados nos Investimentos”, devido a perdas com a desvalorização das ações da Tecnisa (R$ 9 milhões) e da Cyrela Commercial Properties (R$ 21 milhões) e por R$ 31 milhões devido às contingências judiciais, sendo R$ 11 milhões pagos em despesas gerais e administrativas e R$ 20 milhões referentes à variação na rubrica de Provisões no balanço patrimonial, reconhecido na linha de Outras Despesas/Receitas Operacionais.


JBS S.A. (JBSS3)
Prejuízo de R$ 5,9 bilhões no 1T20

A JBS reportou seus resultados do 1T20, com prejuízo de R$ 5,9 bilhões, impactado por efeitos não caixa de variação cambial de R$ 8,2 bilhões no trimestre, acima da variação cambial de R$ 172 milhões no 1T19.  Em base ajustado a companhia registrou Lucro Líquido de R$ 803,2 milhões que se compara ao lucro de R$ 1,1 bilhões em igual trimestre do ano anterior.

Ressalte-se o forte crescimento 27,3% da Receita Líquida entre o 1T20 e o 1T19 somando R$ 56,5 bilhões, com todas as unidades de negócios registrando crescimento em reais. No trimestre, aproximadamente 75% das vendas globais da JBS foram realizadas nos mercados domésticos em que a companhia atua e 25% por meio de exportações.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 3,9 bilhões, 22,6% superior ao 1T19, com margem EBITDA ajustada de 6,9% e se compara a 7,2% do 1T19. Destaque para Seara e JBS Brasil, que registraram, respectivamente, crescimento de 253,8% e 73,4% no EBITDA.

Ao final do 1T20 a dívida líquida da companhia era de R$ 57,0 bilhões acima de R$ 48,7 bilhões do 1T19. A alavancagem em Reais caiu de 3,2x no 1T19 para 2,8x no 1T20 e de 3,1x para 2,2x em em dólares. A Disponibilidade total era de R$ 23,9 bilhões, incluindo as linhas de crédito pré-aprovadas da companhia, suficiente para pagamento de todo o endividamento até 2025.


Taesa (TAEE11)
Lucro Líquido (IFRS) de R$ 364 milhões no 1T20

A Taesa registrou no 1T20 um lucro líquido (IFRS) de R$ 264 milhões, com crescimento de 128% em relação aos R$ 160 milhões do 1T19, reflexo (i) do aumento de R$ 128 milhões na receita de correção monetária em função dos maiores índices de inflação; (ii) do crescimento da margem de construção em razão dos maiores investimentos nos empreendimentos em construção; (iii) do impacto do resultado das aquisições recentes no valor aproximado de R$ 50 milhões.

Do lado negativo, o aumento de R$ 71 milhões das despesas financeiras líquidas, resultado das captações realizadas nos últimos 12 meses, e da menor rentabilidade das aplicações financeiras; somado aos maiores custos e despesas operacionais, ex-construção.

Em base ajustada o Lucro líquido do 1T20 foi de R$ 263 milhões. Após a destinação das reservas legal e de incentivo fiscal, os proventos a serem distribuídos sobre este resultado somam R$ 241,7 milhões (R$ 0,70/Unit) equivalente a um payout de 91,8% do lucro ajustado e de 66,4% do lucro líquido. O retorno líquido é de 2,6%.

No 1T20, a Dívida Bruta da companhia fechou em R$ 5,7 bilhões, um crescimento de 8,5% ante o 4T19. O Caixa era de R$ 1,7 bilhão, resultando em uma Dívida Líquida de R$ 4,0 bilhões com crescimento de 42% no trimestre. A relação Dívida líquida EBITDA ficou em 3,0x (versus 2,2x no 4T19).


B3 (B3SA3)
Lucro Líquido recorrente de R$ 1,1 bilhão no 1T20

A B3 registrou no 1T20 um lucro líquido recorrente de R$ 1,16 bilhão, com alta de 57% em relação aos R$ 737 milhões de igual trimestre do ano anterior, explicado, principalmente pela melhora operacional reflexo do forte incremento de receita (+38%) e a queda de 10% das despesas (0%), que no conjunto, compensaram a piora do resultado financeiro.

O EBITDA somou R$ 1,57 bilhão no trimestre, com crescimento de 61% ante o 1T19, explicado por aumento de receita e queda das despesas.

A Companhia revisou seu guidance para despesas atreladas ao faturamento para refletir a reclassificação, a partir de 2020, dos incentivos relacionados ao programa de expansão do Tesouro Direto (antes considerados redutores da receita dessa linha de segmento). O intervalo foi elevado de R$ 145 milhões até R$ 165 milhões (anteriormente de R$ 105 milhões até R$ 125 milhões). Todas as outras projeções foram reafirmadas.


Localiza (RENT3)
Um bom resultado no 1T20

No 1T20, o lucro líquido da Localiza foi de R$ 231 milhões (R$ 0,30 por ação), valor 9,5% acima do 1T19 e 1,1% maior que no trimestre anterior.

· As operações da Localiza ainda mostraram expansão no 1T20. No principal negócio da empresa (Aluguel de Carros – RAC) e sempre comparando ao mesmo período de 2019, a frota média alugada teve uma expansão de 36,4%, o que permitiu um aumento de 37,8% no número de diárias do segmento;

· A Localiza também forneceu alguns dados importantes sobre seus negócios após o início das medidas de confinamento. A empresa está com 173 lojas de aluguel de carros fechadas ou com funcionamento restrito, equivalente a 32,8% do total. Nas mesmas bases, as lojas de seminovos que não tem funcionamento normal (86), são equivalentes a 69,4% do total. Em aluguel de carros, a frota média alugada caiu 32,8% em abril, comparado à média do 1T20, com redução de 32,1% na diária média. Por outro lado, em Gestão de Frotas, o número da frota média alugada aumentou em 0,9%, com elevação de 1,8% na tarifa média.


CCR (CCRO3)
Lucro menor no 1T20 com aumento de custos e da despesa financeira

Os resultados da empresa no 1T20, divulgados na noite de ontem, comparados ao mesmo período de 2019, mostraram aumento do tráfego e tarifa média, porém, elevações de custos e despesas financeiras levaram a perdas de margens e redução do lucro.

· No 1T20, o lucro líquido da CCR foi de R$ 249 milhões (R$ 0,12 por ação), 36,6% menor que no trimestre anterior e 28,6% abaixo do 1T19;

· No 1T20, o tráfego nas nove concessões rodoviárias administradas pela CCR atingiu 249,2 milhões de veículos equivalentes, com alta de 4,2%, sempre comparando ao 1T19. Este número positivo foi conseguido pela adição da ViaSul, dado que na maioria das outras concessões houve redução do tráfego, com o início dos efeitos da quarentena. Apenas na RodoNorte ocorreu aumento significativo no tráfego (+9,3%).


Petrobras (PETR4)
Desvalorização do real e impairment levam a um enorme prejuízo no 1T20

Ontem após o pregão, a empresa divulgou seus resultados do 1T20, com grandes perdas derivadas da desvalorização do real e da queda nas cotações do petróleo, que elevaram sobremaneira o custo financeiro e determinaram uma grande perda no valor dos ativos (impairment). Além disso, a empresa sofreu uma forte perda de margem operacional, em consequência da queda das vendas, da cotação do petróleo exportado e dos preços no mercado interno.

· No 1T20, a Petrobras sofreu um prejuízo de R$ 48,5 bilhões (R$ 3,72 por ação), contra resultados positivos no trimestre anterior (R$ 8,2 bilhões) e no 1T19 (R$ 4,0 bilhões). O resultado líquido recorrente no 1T20, sem os efeitos extraordinários do trimestre, foi negativo em R$ 4.637 milhões (R$ 0,36/ação);

· A forte queda das cotações do petróleo no trimestre e uma visão mais negativa para os preços futuros do produto, levaram a Petrobras a contabilizar no 1T20

uma perda muito elevada (R$ 65,3 bilhões) no valor de seus ativos. As perdas foram de R$ 57,6 bilhões nos campos produtores, R$ 6,6 bilhões com a hibernação de em campos e plataformas em águas rasas e R$ 1,1 bilhão em outros ativos;

· O resultado financeiro negativo no 1T20 (R$ 21,2 bilhões) foi determinado pela redução das receitas financeiras de 51,8% em relação ao trimestre anterior, aumento das despesas financeiras (39,4%) e pelo salto perdas com variação cambial que somaram R$ 14,6 bilhões, contra R$ 3,0 bilhões no 4T19.


Sabesp (SBSP3)
Prejuízo de R$ 658 milhões no 1T20

A Sabesp registrou no 1T20 um prejuízo líquido R$ 658 milhões, revertendo o lucro de R$ 647 milhões do 1T19. Um resultado fortemente impactado pela variação cambial sobre os passivos em moeda estrangeira da companhia (dólar e iene). No trimestre, as despesas com variações cambiais sobre empréstimos e financiamentos apresentaram um acréscimo de R$ 1,8 bilhão aliado a estimativa de perdas com créditos de liquidação duvidosa, no montante de R$ 150 milhões.

A companhia destaca que a operação no município de Santo André, iniciada em agosto de 2019, trouxe um aumento de R$ 80 milhões na receita operacional bruta e de R$ 65 milhões nas despesas do 1T20, quando comparado ao 1T19. Com o início do plano de saúde administrado pela Fundação CESP, em agosto de 2019, a despesa com assistência médica do 1T20 apresentou um decréscimo de R$ 45 milhões.

No 1T20, a receita operacional líquida, a qual considera a receita de construção, totalizou R$ 4,0 bilhões, um acréscimo de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa variação pode ser explicada pelo reajuste tarifário de 4,7% desde maio de 2019; o aumento de 2,2% no volume faturado total, sendo 2,0% em água e 2,5% em esgoto, desconsiderando os volumes de Santo André; e o acréscimo de R$ 80,1 milhões na receita operacional em função da operação no município de Santo André, iniciada em agosto de 2019.

O EBITDA ajustado totalizou R$ 1,5 bilhão, com queda de 3,9% sobre igual trimestre do ano anterior, sendo de R$ 7,4 bilhões nos últimos 12 meses terminados em março de 2020. A margem EBITDA ajustada foi de 36,7% no 1T20, ante 39,8% no 1T19 (41,1% nos últimos 12 meses).

Ao final do trimestre a dívida líquida da companhia era de R$ 12,2 bilhões (1,65x o EBITDA). A dívida bruta era de R$ 14,6 bilhões sendo 55% em moeda estrangeira.


Suzano (SUZB3)
Prejuízo líquido de R$ 13,4 bilhões no 1T20 com forte impacto cambial. No 1T19 o prejuízo foi de R$ 1,2 bilhão.

O resultado líquido do 1T20 foi fortemente impactado pela variação cambial no período. No 1T20, a Companhia registrou prejuízo de R$ 13,42 bilhões, contra prejuízo de R$ 1,23 bilhão no 1T19 e lucro líquido de R$ 1,18 bilhão no 4T19.

Em mar/20, a dívida líquida era de R$ 66,0 bilhões (US$ 12,7 bilhões) vs. R$ 54,1 bilhões (US$ 13,4 bilhões) em 31/12/19. O aumento da dívida em BRL decorre da expressiva desvalorização do BRL no período.

A ação SUZB3 encerrou cotada a R$ 47,54 com valorização de 18,8% no ano.


CSN (CSNA3)
Prejuízo no 1T20 dado pela desvalorização do real e não recorrente

A empresa divulgou seu resultado do 1T20 na noite de ontem, que comparado ao 1T19 mostrou redução das vendas de aço e minério, aumentos dos custos de produção e, principalmente, uma grande elevação das despesas financeiras derivadas da desvalorização do real, determinando o elevado prejuízo apresentado no período.

· O prejuízo líquido da CSN no 1T20 foi de R$ 1.312 milhões (R$ 0,94 por ação), contra os resultados positivos de R$ 1,1 bilhão no trimestre anterior e R$ 87 milhões no 1T19;

· O resultado financeiro no 1T20 foi negativo em R$ 1,2 bilhão financeiras, mais de quatro vezes maior que no trimestre anterior, em função da forte desvalorização do real no período. Além deste valor lançado no resultado, o

instrumento de hedge accounting contabilizou um valor de R$ 5,4 bilhões, lançado diretamente no Patrimônio Líquido.


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