Bolsa fecha perto da estabilidade (-0,13%), mas o cenário negativo predomina em todos os mercados

MERCADO


Bolsa
A quinta-feira abre com as bolsas internacionais mostrando queda na Europa com destaque para empresas aéreas e do setor automotivo. Na Ásia, fechamento em baixa e nos Estados Unidos, tensão com a volta das discussões geopolíticas entre EUA e China, tendo no centro acusações sobre a Covid-19. Além disso, a reabertura das economias pode mostrar um repique nas contaminações pelo vírus, apavorando os mercados. O risco de quebra de grandes empresas no mundo é eminente, o que viria a ser um desastre ainda maior para as bolsas. Os próximos dados de desemprego deverão jogar mais lenha nesta fogueira. Em dia de vencimento de opções e futuros sobre o índice, o Ibovespa encerrou com leve baixa de 0,13% aos 77.772 pontos, com giro de R$ 31,1 bilhões, dos quais R$ 22,7 bilhões no mercado à vista. O discurso do presidente do Fed, Jerome Powell avaliando os efeitos da pandemia pesou sobre as bolsas americanas com os três índices em queda. A agenda econômica de hoje vem concentrada nos indicadores de preços nos EUA e sem dados domésticos.

Câmbio
O dólar encerrou a quarta-feira perto da estabilidade passando de R$ 5,8860 para R$ 5,8858, mas segue nas alturas. No cenário atual não há espaço para queda.

Juros
Ontem, os juros futuros sentiram o impacto dos riscos que cercam o mercado global neste momento. No fechamento, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21 subiu de 2,610% para 2,655% e para jan/27 a taxa passou de 7,790% para 7,960%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Grupo Pão de Açúcar (PCAR3)
Forte expansão de vendas no 1T20, mas prejuízo líquido de R$ 130 milhões no 1T20

O Grupo Pão de Açúcar encerrou o 1T20 com prejuízo líquido de R$ 120 milhões fortemente impactado por outras receitas/despesas operacionais líquidas passando de R$ 51 milhões no 1T19 para R$ 273 milhões no 1T20, principalmente relacionadas a:

  • Despesas com a integração dos ativos América Latina e reestruturação nas operações brasileiras (fechamentos e conversões)
  • Contingências fiscais e
  • Impactos não-recorrentes para suportar a demanda maior em todas as operações com o cenário de pandemia.
  • A dívida consolidada somou R$ 11,2 bilhões no em março/20, (2,5x o Ebitda ajustado de 12 meses). Da dívida bruta de R$ 17,4 bilhões, a curto prazo soma R$ 5,1 bilhões e o caixa da empresa é de R$ 6,2 bilhões.

Ontem a ação PCAR3 encerrou cotada a R$ 63,90 com queda de 2,0% no dia e alta de 1,4% em um mês. A ação passou de PN para ON neste ano e não tem histórico acumulado.


Via Varejo (VVAR3)
Boa execução reverte prejuízo de R$(50) milhões no 1T19 em Lucro líquido de R$13 milhões no 1T20

Bom resultado mostra que a nova gestão mostrou capacidade de adaptação diante do cenário de pandemia fazendo um trabalho ágil e redirecionando seus esforços de venda para o canal online (cerca de 30% das vendas). A boa execução no trimestre foi fundamental para a entrega do resultado. O forte momento do e-commerce continua no 2T20. A expansão de margens a/a, mesmo num cenário nebuloso de vendas foi destaque.

O número de usuários ativos nos apps se multiplicou por 7,5x.  As perdas de vendas brutas no período foram estimadas em R$726 milhões.  A margem bruta foi muito boa e teria sido ainda maior se não fosse a pandemia. Houve também despesas adicionais em R$64 milhões para garantir o funcionamento da sua operação, efeito que somado ao impacto nas vendas diminuiu o EBITDA do período. A margem EBITDA foi de  9,8%.


Locaweb (LWSA3)
Lucro Líquido Ajustado com crescimento de 29,7% no 1T18/ 1T19

O primeiro trimestre de 2020 foi marcado por um consistente resultado nas linhas de negócio, em estratégia para expansão de vendas de novas lojas em Commerce e um robusto crescimento nos dois segmentos da Companhia (Commerce e BeOnline / SaaS).

Em março o GMV teve tendência de crescimento no final do mês, por conta do Coronavírus, que se refletiu, também, no expressivo crescimento de 80% no mês de abril em comparação com abril de 2019.


SLC Agrícola (SLCE3)
Lucro Líquido de R$ 156,4 milhões no 1T20, crescimento de 40% ante o 1T19

A SLC Agrícola registrou um Lucro Líquido de R$ 156,4 milhões no 1T20, com crescimento de 40,4% em relação ao 1T19, com margem de 24,7%, explicado principalmente pela Variação do Valor Justo dos Ativos Biológicos na soja, com aumento de R$ 147,7 milhões vis a vis o 1T19 impactado por melhoria nos preços e na produtividade da cultura. Seguimos com recomendação de COMPRA para SLCE3.

A Receita líquida cresceu 2,2% entre os trimestres comparáveis para R$ 632,6 milhões, à despeito da queda de 4,5% no volume faturado.

No algodão em pluma, o volume faturado cresceu 22,9% ante o 1T19, compensando a queda na soja, cujo volume foi 12,6%. Com exceção da soja, todas as culturas obtiveram aumento do preço unitário no período.

Destaque no 1T20 para o aumento de 16,9% no Custo dos Produtos Vendidos, notadamente no algodão em pluma e no caroço de algodão, devido ao aumento nos volumes faturados, mas, também em consequência do aumento no custo unitário, especialmente do algodão em pluma. No caso do milho, houve aumento no custo devido ao aumento de volume faturado entre os períodos, visto que o custo unitário apresentou queda quando comparado com o 1T19.

O Resultado Bruto cresceu 30,1% totalizando R$ 327,5 milhões no 1T20.

Ao final do trimestre a Dívida Líquida ajustada era de R$ 1,4 bilhão, com aumento de R$ 475 milhões em relação ao 4T19, devido à maior necessidade de capital de giro. A Alavancagem elevou-se de 1,22x no 4T19 para 1,93x no 1T20.


SulAmérica (SULA11)
Lucro líquido de R$ 79,8 milhões no 1T20, com queda de 64% ante o 1T19

A SulAmérica registrou um lucro líquido de R$ 79,8 milhões no primeiro trimestre de 2020, o que representou queda de 64,3% ante o primeiro trimestre de 2019, explicado principalmente pela queda da margem bruta operacional e o menor resultado financeiro líquido entre os trimestres.

Um resultado construído a partir do crescimento de 7,2% das Receitas Operacionais para R$ 5,63 bilhões (sendo +6,2% das Receitas Operacionais de Seguros que alcançaram R$ 5,35 bilhões, aliado ao incremento de 30,4% das Outras Receitas Operacionais para R$ 282,3 milhões).

A sinistralidade total no 1T20 em relação ao 1T19 subiu 3,4 pontos percentuais, para 78,6%. O segmento de automóveis registrou o maior aumento no indicador, de 4,1 pp totalizando 63,6%. Já os segmentos saúde e odontológico chegaram a 82,5% de sinistralidade ante os 79,4% do primeiro trimestre de 2019.

O resultado financeiro recuou 77,1%, para R$ 39,3 milhões, enquanto a margem bruta operacional caiu 17,1% e somou R$ 509,6 milhões.

O índice combinado passou de 97,6% no 1T19 para 100,2% no 1T20. O índice de despesas administrativas veio de 8,3% no 1T19 para 8,2% no 1T20.


Enauta (ENAT3)
Lucro do 1T20 caiu 24,8%

Na noite de ontem, a empresa divulgou seus resultados do 1T20, que comparados ao trimestre anterior mostraram forte redução nas vendas, receita, margens e no lucro líquido.  Isso ocorreu pela diminuição acentuada do desempenho nos dois campos que a empresa opera (Manati e Atlanta).  Porém, em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento da produção em Atlanta permitiu uma expressiva elevação nos resultados.

  • O lucro líquido da Enauta no 1T20 foi de R$ 77 milhões (R$ 0,29 por ação), 50,7% maior que no 1T19, mas 24,8% abaixo do trimestre anterior;
  • Em Atlanta, o volume produzido de petróleo caiu por conta da parada na produção entre os dias 1 e 21 de março, para a realização de manutenção do campo. A produção média do campo seria de 29,6 mil barris ao dia sem esta parada, ao contrário dos 22,8 mil boe que ocorreu.  No campo de Manati, a redução das vendas ocorreu pela parada na compra do gás pela Petrobras, que aconteceu desde meados de fevereiro;
  • No 1T20, o resultado financeiro foi positivo em R$ 61,5 milhões, contra um número negativo de R$ 9,2 milhões no 1T19, o que foi fundamental para o lucro do trimestre. Este ganho refletiu o impacto da desvalorização do real no fundo de abandono do Campo de Manati.

Ultrapar (UGPA3)
Lucro caiu 30,3% no 1T20

Os resultados da empresa no 1T20, divulgados ontem após o pregão, apresentaram aumento de receita, mas uma pequena queda nas margens operacionais e expressiva redução do lucro, na comparação com o 1T19, dada principalmente pelo forte incremento das despesas financeiras.

  • O lucro líquido da Ultrapar no 1T20 foi de R$ 169 milhões (R$ 0,15 por ação), contra um prejuízo de R$ 268 milhões no trimestre anterior e 30,3% menor que no 1T19;
  • No 1T20, a Ultrapar sofreu com a queda nos resultados da Ipiranga, já que as outras empresas tiveram bons números operacionais no período;
  • A Ipiranga no 1T20, sempre comparando ao mesmo trimestre do ano anterior, teve uma redução de 1,1% em suas vendas, em função da queda de 2,2% nos combustíveis do ciclo Otto (gasolina, etanol e GNV) já com o impacto da pandemia, que não foi compensada pelo aumento de 1,8% no volume de diesel.

Braskem (BRKM5)
Encerramento da monitoria realizada pelo DoJ e a SEC

Após o pregão, a empresa informou que ontem o Department of Justice (DoJ) e a Securities and Exchange Commission (SEC) confirmaram o término da monitoria independente na Braskem.

  • Esta é uma notícia positiva para a Braskem, cuja monitoria realizada pelo Ministério Público Federal havia sido encerrada em março/2020;
  • Estas monitorias eram previstas nos acordos de leniência que a empresa assinou com autoridades no Brasil e exterior, em dezembro de 2016, em relação às questões levantadas pela Operação Lava Jato.

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