Novas medidas fortalecem a precificação de debêntures

O mercado de crédito privado também foi impactado pela pandemia Covid-19. A incerteza quanto ao desempenho das empresas provocada pela acentuada queda na atividade econômica, levou parte dos investidores ao resgate de suas aplicações nos fundos que tinham crédito privado em suas carteiras. Esses resgates, provocaram um forte movimento de venda, acarretando falta de liquidez no mercado para esse tipo de ativo. A necessidade de venda, depreciou demasiadamente seus preços não refletindo o seu real valor de mercado.

Essa queda teve reflexos no valor patrimonial dos fundos mesmo naqueles que fundamentam suas análises para aquisição de títulos de crédito privado majoritariamente emitidos por empresas high grade (alto rating), conhecidas por forte governança corporativa, liquidez abundante, forte posição de mercado em seu segmento de atuação, entre outras características que contribuem para sua boa avaliação.

Como ação para minimizar o efeito de falta de liquidez, o Banco Central entrou no mercado oferecendo um colchão de liquidez de R$ 91 bilhões para o segmento de crédito, contribuindo assim para a estabilização dos preços no segmento.

É justamente nesses momentos que ocorrem as melhores oportunidades do mercado para quem entra na ponta compradora, seja no mercado de crédito, seja em outras classes de ativos. Hoje os fundos de Crédito Privado apresentam taxa de carrego (potencial de rentabilidade) mais atraente em função dos preços dos ativos que compõe suas carteiras terem sido remarcados e que serão ajustados até o seu vencimento.

Conheça mais sobre essa classe de ativos acessando o artigo divulgado no site da ANBIMA:

https://www.anbima.com.br/pt_br/noticias/novas-medidas-fortalecem-a-precificacao-de-debentures.htm


Resumos

– Adotamos novas medidas na precificação de debêntures para garantir que nossas taxas reflitam com mais velocidade a atual conjuntura do mercado, dada a volatilidade devido a crise da Covid-19

– Queda da liquidez no mercado secundário provocou dispersão entre as taxas enviadas pela amostra de precificadoras no início de março, interferindo nas médias dos preços

– Ampliamos para diária a comparação entre as taxas enviadas pelas instituições, os negócios realizados e as ofertas firmes de compra e venda feitas pelas corretoras

– Contatamos toda a amostra de precificadores para enfatizar a importância da atualização constante das taxas e confirmamos preços que não oscilaram


A atividade de precificação de debêntures ganhou reforços durante a crise desencadeada pela Covid-19. Uma série de medidas foi adotada para garantir que as nossas taxas refletissem com mais velocidade a atual conjuntura do mercado, dado o momento de volatilidade. Estreitamos a comunicação com as instituições que contribuem para a precificação e ampliamos os procedimentos de coleta e avaliação das taxas enviadas por elas, sempre com o objetivo de reduzir disparidades que pudessem afetar os preços médios.

“A transparência, tanto de procedimentos quanto de informações, sempre pautou o trabalho de precificação da ANBIMA. Vivemos agora um período atípico e desafiador para o mercado financeiro, o que nos levou a assumir uma postura ainda mais ativa junto às instituições precificadoras para que nossos preços reflitam a dinâmica do mercado”, afirma Hilton Notini, gerente de Preços e Índices.

A queda da liquidez no mercado secundário de títulos privados na primeira semana de março, em decorrência do avanço da pandemia no Brasil, provocou uma dispersão entre as taxas enviadas pela amostra de instituições que contribuem com o trabalho de precificação. O movimento evidenciou divergências nas percepções das casas quanto aos reais efeitos da crise, interferindo nas médias dos preços.

Uma das principais providências para minimizar esses efeitos foi a comparação diária entre as taxas enviadas pelas instituições e os negócios realizados no mesmo período. A comparação incluiu também os valores registrados nas ofertas firmes de compra e venda feitas pelas corretoras. Esse trabalho já acontecia duas vezes por semana e teve sua frequência ampliada.

Também entramos em contato com toda a amostra de precificadores para enfatizar a importância da atualização constante das taxas. O trabalho contou ainda com o apoio do Grupo Consultivo de Precificação, formado por representantes dos associados para o desenvolvimento e o acompanhamento da nossa metodologia – os participantes reforçaram a mensagem dentro das organizações em que atuam.

O acompanhamento diário mostrou que algumas instituições mantinham inalterados os preços que nos informavam. Nesses casos, atuamos pontualmente para nos certificarmos de que aquele preço refletia a percepção da instituição sobre o ativo. Todas que mantiveram os valores inalterados por dias consecutivos foram contactadas para ratificar ou retificar as informações fornecidas. “Vale ressaltar que nem sempre as taxas vão variar e isso é normal. Mas o trabalho de precificação não pode ser passivo. Se não há oscilação por dias, principalmente com mudanças no cenário econômico, é feito contato com a instituição. Intensificamos esse movimento, dada a singularidade do atual contexto”, diz Notini.

Transparência

Para dar ao mercado mais informações sobre a composição das taxas diárias, será lançado o Relatório de Precificação, que acompanhará a coleta, apuração e divulgação dos ativos precificados. O material contará com estatísticas para mostrar a relação da nossa amostra com as referências das ofertas de compra e venda divulgadas pelas corretoras e com os negócios realizados no mercado secundário. O documento incluirá ainda a evolução dos índices, as curvas de crédito, a inflação implícita nas curvas de estrutura a termo da taxa de juros e os prêmios de risco dos títulos privados.

Clique aqui para receber o Relatório de Precificação diariamente. Na página, procure pelo nome do documento na seção de “renda fixa” e depois insira seu login e senha para confirmar. Se ainda não for cadastrado no site, após indicar o relatório, clique em “já escolhi minhas publicações e quero me cadastrar”, no fim da página.

Como é a precificação da ANBIMA

A atividade de precificação engloba a coleta e o cálculo diário dos preços considerados justos pelo mercado para títulos públicos, debêntures, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio). As médias de cada tipo de papel apontam um preço único indicativo, refletindo os movimentos no mercado secundário.

O trabalho segue uma metodologia própria: todos os dias é realizada coleta, entre uma amostra das instituições atuantes no mercado secundário, dos preços considerados justos para cada papel. Na sequência, há um tratamento estatístico para exclusão dos outliers, ou seja, de eventuais valores que destoem daqueles reportados pela maioria das casas (para cima ou para baixo) e que poderiam distorcer a média. No caso das debêntures, a formação do preço indicativo agrega ainda uma avaliação dos negócios realizados durante três dias úteis e consecutivos (conferindo pesos diferentes para cada um deles) e das ofertas firmes de compra e venda no mercado secundário.

Os preços indicativos são usados pelos gestores de investimentos na análise de riscos e na definição de parâmetros para negociação dos ativos. Além disso, também são ferramentas de marcação a mercado, como indicativos na compra e venda de títulos ou no resgate das cotas de fundos.

Atualmente, 451 debêntures são precificadas, o que representa 79% dos papeis em circulação. São 45 títulos públicos, 32 séries de CRIs e seis de CRAs. As divulgações acontecem todos os dias úteis até as 20h: acompanhe no nosso site.


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