Prezado Sr.(a),

A estratégia de se romper com o tradicional modo de se fazer política no Brasil, endossado pelos votos de 57 milhões de brasileiros, “falha” por não contemplar alternativa que diminua a tensão entre os poderes. A decisão de se ter mais “presidencialismo” e menos “presidencialismo de coalisão” (e muito menos um “parlamentarismo velado”), exige coordenação política inteligente e estruturada, uma estratégia. A falta disso coloca o governo em péssima situação, cujos contornos, ao longo do tempo, se esvaem, e sobram os confrontos, isolamento e mobilização social.

Os embates entre governo e, em especial, o Legislativo, ocorrem desde o início. Não há problema nisso, desde que observem os limites da democracia e o fim público maior de todos os poderes: lutarem pelo Brasil.

Para o bom funcionamento dessa engrenagem, as Instituições devem funcionar, e felizmente assim tem transcorrido. Entretanto, as fricções entre o Governo e o Legislativo tem avançado além do “tensionamento normal”, e adentrando terreno da não cooperação. Para alguns, chantagem. É a democracia!

O cenário econômico que trabalhamos e esperamos que se estabeleça, é sim de embates entre os poderes, afinal a ruptura com a “velha” política está dada e o modus operandi do Presidente é esse. Mas deve-se buscar soluções no curto prazo, sem comprometer a agenda econômica no CN. Focamos nossas premissas nas perspectivas políticas de aprovação das Reformas fundamentais remanescentes (Tributária e Administrativa), e menos nos riscos das condições de governabilidade. O avanço das reformas fomentaria a tímida evolução dos Índices de Confiança, chamaria à atenção dos investidores estrangeiros, e engataria, de vez, o avanço da atividade econômica. Esta era e é a nossa convicção! Enfim, a tensão pode e vai continuar, o ambiente não será o ideal, mas o ímpeto reformista não pode ser comprometido ou minorado – de ambos os lados, governo e Legislativo.

Não menos importante está a ameaça do Novo Coronavírus (Covid-19), que tem poder de chacoalhar mercados e economias. É possível que o surto da doença apresente dimensões maiores do que o esperado, com impactos mais expressivos, em especial nos países asiáticos, mas em regra se assemelhada às quedas anteriores, será de curta duração. Ainda assim, para nós brasileiros, este prazo pode ser crucial.

Uma externalidade como esta, dada a particularidade de nossa situação econômica, pode comprometer os avanços desejados no momento. Esperamos que não. Aliviar essa situação implica, mais uma vez, levarmos adiante as Reformas. De fato, ao tempo em que economias deverão sofrer, e mesmo mercados entrem em campo tipicamente de “correção” (10% a 20%), em ambiente de alta volatilidade, o histórico sugere que a eventual retração econômica é temporária, podendo se tornar uma oportunidade para investidores de longo prazo e com apetite por risco.

O ambiente do início do segundo ano do Governo Bolsonaro, portanto, é desafiador, seja no campo político ou econômico. Contudo, ainda há tempo de se construir um futuro diferente. Equilíbrio e serenidade agora!

 

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