Mercados de bolsa seguem contaminados pela disseminação no coronavirus

MERCADO


Bolsa
A B3 teve um dia pesado, notadamente a partir do meio dia com noticiário negativo dos lados doméstico e externo. As bolsas internacionais seguem refletindo novas notícias sobre o vírus. O Ibovespa caiu 1,66%, aos 114.586 pontos, computando giro financeiro de R$ 25,4 bilhões. A agenda econômica desta sexta-feira traz dados domésticos com destaque para o INCC (inflação da construção civil) em fevereiro com alta de 0,35% e o saldo de investimento estrangeiro direto em janeiro. Na zona do euro, indicadores de preços dentro da expectativa (PMI e IPC). As bolsas internacionais mostram queda generalizada com a disseminação do vírus fora da China, com o temor de forte impacto em outras economias além o território chinês. Noticiário mais recente indica que o controle da epidemia levará alguns meses. As principais commodities (petróleo e minério de ferro) também operam em baixa no mercado internacional, o que deverá ajudar para pressionar também a B3.

Câmbio
A moeda americana encerrou mais uma sessão em alta cotada a R$ 4,3899 contra R$ 4,3639 no dia anterior (+0,60%). As preocupações com os efeitos do coronavírus colocam os investidores na defensiva em relação aos mercados.

Juros
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21 fechou em 4,195% de 4,190% na quarta-feira e para jan/27 o DI subiu de 6,371% para 6,41%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Vale (VALE3)
Fatores não recorrentes levam ao prejuízo no 4T19

Divulgado ontem após o pregão, o resultado da empresa no 4T19 comparado ao mesmo período de 2018, mostrou queda nas vendas dos produtos mais importantes, pequeno aumento de receita beneficiado pelos maiores preços e elevadas perdas não recorrentes, que levaram ao prejuízo no período. Parte dos valores de impairment contabilizado no 4T19 (US$ 3,2 bilhões – 68% do total) já era de conhecimento do mercado.
• A Vale sofreu um prejuízo líquido de US$ 1,6 bilhão no 4T19, contra resultados positivos de US$ 1,6 bilhão no trimestre anterior e US$ 3,8 bilhão no 4T18;
O acidente em Brumadinho, que ocorreu em janeiro/2019 definiu o resultado da Vale no período. Como consequência deste evento a empresa teve uma forte redução na produção e nas vendas de ferrosos, assim como teve de provisionar valores muito elevados que levaram ao prejuízo de US$ 1,7 bilhão, enquanto no ano anterior o lucro foi de US$ 6,9 bilhões. O EBITDA em 2019 foi de US$ 10,4 bilhões, 36,2% menor que no ano anterior.


Wiz S.A. (WIZS3)
4T19 ajustado em linha com destaque para o resultado operacional

A companhia registrou no 4T19 um lucro líquido de R$ 50,7 milhões, equivalente a um crescimento de 2% em relação ao lucro de R$ 49,6 milhões de igual trimestre do ano anterior, um resultado que refletiu (i) o crescimento de 19% da Receita Bruta; (ii) da melhora operacional representada pelo incremento de 23% do EBITDA entre os trimestres comparáveis; e principalmente (iii) por efeitos extraordinários na linha de IR/CS em função da constituição de imposto diferido, reversões no contas a pagar, impairment e outros, com efeito líquido de R$ 17,9 milhões no lucro do 4T19.

Em base ajustada, o lucro líquido somou R$ 67,8 milhões, 3% abaixo dos R$ 70,0 milhões que estimávamos. Destaque para a geração operacional de caixa medida pelo EBITDA que somou R$ 104,0 milhões no trimestre, 8% acima do que esperávamos (R$ 96,0 milhões). Já a Receita Líquida de R$ 183,2 milhões, veio em linha com os R$ 182,0 milhões que estimávamos.

Nesse contexto, consideramos como excelente o resultado reportado. Permanecemos positivos em relação ao “case” da companhia, reconhecida “como a maior e melhor gestora de canais de distribuição de produtos financeiros e seguros do país”. Nesse contexto, pretende “acelerar o seu valuation através de transações de M&A e um modelo de gestão escalável voltado para maximização de valor dos negócios incorporados”.


Sul América S.A. (SULA11)
Resultado do 4T19 acima do esperado

A companhia registrou no 4T19 um lucro líquido de R$ 453 milhões, com crescimento de 15% em relação a igual trimestre do ano anterior e alta de 85% em base trimestral. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) elevou-se de 15,2% no 4T18 para 17,6% no 4T19 (acima de 17,2% do 3T19). Um resultado acima do esperado que refletiu o crescimento de 8% das receitas consolidadas (em 12 meses) para R$ 5,8 bilhões; alta de 16% na Margem Bruta Operacional para R$ 969 milhões; que no conjunto mais que compensaram a queda de 7% no resultado financeiro que somou R$ 137 milhões no trimestre.

Em 2019 o lucro cresceu 31% para R$ 1,2 bilhão, com Receitas Totais de R$ 22,3 bilhões (+9%) e margem bruta operacional de R$ 2,8 bilhões (+11%). O Resultado Financeiro permaneceu estável e somou R$ 615 milhões.

O índice de despesas administrativas do 4T19 mostrou desempenho positivo, com redução de 0,3pp em relação ao 4T18 para 9,3%. Em 2019 foi de 8,3% ante 8,7% em 2018 demonstrando o foco da companhia em eficiência operacional e no rígido controle de custos e despesas, combinado a despesas em projetos, tecnologia e inovação.

A Margem Bruta Operacional terminou o 4T19 em 16,8% e se compara a 15,6% no 4T18. Em 2019 somou 12,5% acima de 12,2% do ano anterior. A sinistralidade consolidada foi de 71,0% no 4T19 e de 74,8% em 2019.


Lojas Americanas (LAME4)
Crescimento de 62,1% no lucro líquido do 4T19, somando R$ 398,0 milhões e R$ 505,5 milhões em 12 meses

A Lojas Americanas registrou bom desempenho de vendas no 4T19 e no ano de 2019. O índice GMV segue em rápido crescimento, mostrando variação positiva de 20,6% no comparativo trimestral e 17,2% no ano. Em 2019 a empresa investiu R$ 1,22 bilhão, sendo R$ 845,5 milhões em inaugurações de lojas e obras de melhoria, R$ 217,4 milhões em tecnologia e R$ 61,6 milhões em operações e outros gastos.
Ontem a ação LAME4 encerrou cotada a R$ 29,32 com alta de 3,6% no ano.


Notre Dame Intermédica (GNDI3)
Bom desempenho com lucro líquido de R$ 131,4 milhões no 4T19 e R$ 423,4 milhões no ano

Ao longo de 2019, a Companhia deu continuidade a execução de seu plano de negócios, sustentado por uma estratégia vencedora de verticalização dos custos médicos. A Companhia realizou aquisições estratégicas visando a melhora da Rede Própria de atendimento, expandindo a área de atuação e os serviços oferecidos, com o objetivo de oferecer planos de saúde de qualidade a preços acessíveis. No ano, foram realizadas 9 aquisições.
A ação GNDI3 encerrou ontem cotada a R$ 71,17 com alta de 4,3% no ano.


Sabesp (SBSP3)
Conselho aprova a 25ª emissão de debêntures no montante de R$ 1,0 bilhão

O Conselho de Administração da Sabesp aprovou a realização da 25ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em até 3 séries, para distribuição pública, com esforços restritos, no montante total de R$ 1,0 bilhão.
A Oferta será destinada exclusivamente a investidores profissionais. Será apresentada a no máximo 75 investidores, sendo que poderão ser subscritas por, no máximo, 50 investidores. Os recursos obtidos serão destinados ao refinanciamento de compromissos financeiros vincendos em 2020 e à recomposição de caixa da companhia.


Itaúsa (ITSA4)
Ex JCP e dividendos hoje (21/fev.)

Com base nos resultados reportados, o Conselho de Administração da Itaúsa aprovou em 17 de fevereiro o pagamento, em 06.03.2020, dos seguintes proventos aos acionistas, tendo como base de cálculo a posição acionária final registrada no dia 20.02.2020: (i) dividendos adicionais no valor de R$ 0,2260 por ação; e (ii) juros sobre o capital próprio (JCP) adicionais no valor de R$ 0,2174 por ação. No conjunto a distribuição líquida alcançou R$ 0,41079/ação com retorno líquido de 3,1% com base na cotação de R$ 13,25/ação de ontem (20).


Copasa (CSMG3)
Adiada a publicação dos resultados do 4T19 e de 2019

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa MG comunicou que, a data de divulgação das Demonstrações Financeiras referentes ao exercício de 2019, prevista anteriormente para ocorrer ontem, 20.02.2020, depois do fechamento do mercado, foi alterada para 30.03.2020. Como consequência, a teleconferência de resultados prevista para hoje, 21.02.2020, foi postergada e será realizada em 31.03.2020.


Hypera (HYPE3)
Acordo comercial com a Glenmark Farmacêutica para distribuição de produtos

A Hypera S.A. comunicouaos seus acionistas e ao mercado em geral que foi celebrado acordo com a Glenmark Farmacêutica Ltda. relativo ao portfólio de produtos dermatológicos da Glenmark no Brasil.
A Hypera Pharma será responsável pela distribuição e comercialização no Brasil da linha dermatológica da Glenmark, que inclui marcas como Adacne, Adacne Clin, Celamina, Demelan, Deriva Micro, Deriva-C Micro, Dermotil Fusid, Halobex e Tacroz. A Hypera Pharma já atua no segmento de produtos dermatológicos no Brasil.


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