Expectativas em relação às consequências e alcance do coronavírus

MERCADO


Bolsa
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em com desvalorização de 1,23%, aos 113.770 pontos, com giro financeiro de R$ 24,6 bilhões. As bolsas internacionais também tiveram dia de baixa, com o assunto coronavírus no centro do noticiário. As expectativas em relação às consequências e alcance da doença começam a ser divulgadas por grandes organizações o que deverá ganhar nova proporção nesta semana. Os bons resultados divulgados para 2019 não têm neutralizado a pressão de vendas e o temor dos investidores. A semana abre com a agenda econômica mostrando o IPC-S com alta de 0,51% e projeções no Boletim Focus. Do lado externo, nenhum destaque para hoje. As bolsas internacionais mostram queda no fechamento da Nikkei e Hang Seng e pesam também do lado da zona do euro. Os futuros de NY indicam alta. Na China a indústria vem sofrendo os efeitos do vírus, com paralisações parciais em vários segmentos. Aumenta o número de mortes em diferentes regiões, dificultando previsões sobre o assunto.

Câmbio
O dólar deu uma nova arrancada na sexta-feira de R$ 4,2824 para R$ 4,3176 (+0,82%). A última cotação foi um novo recorde do Plano Real.

Juros
O mercado de juros futuros refletiu o comportamento do IPCA de janeiro (0,21%) abaixo das expectativas do mercado. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21 caiu de 4,331% para 4,275% nova mínima histórica e para jan/27 terminou em 6,55% de 6,471%.


ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Via Varejo (VVAR3)
A companhia exerceu opção de compra de 80% das ações do BanQi banco digital passando a deter 100%. O negócio é estratégico para a Via Varejo.

A fintech está presente em 200 lojas Casas Bahia, e em comunicado, a Via Varejo afirma que em 30 dias, o aplicativo estará disponível em todas as lojas. Os clientes podem realizar saques e depósitos em suas contas no banQi nas unidades da Casas Bahia. Na sexta-feira a ação VVAR3 encerrou cotada a R$ 14,32 (8,4x o seu VPA), com valorização de 28,2% no ano. Em 2019 a ação subiu 154,4%. O valor de mercado atual é de R$ 18,6 bilhões


Alpargatas (ALPA4)
Lucro líquido consolidado soma R$ 259,3 milhões em 2019, queda de 20% em relação a 2018

Em 2019, a Alpargatas registrou lucro líquido recorrente de R$ 431,6 milhões, valor 29,5% superior ao de 2018. No 4T19, o resultado foi de R$ 197 milhões, crescimento de 23,6% na comparação com o mesmo período no ano anterior. Já o lucro líquido no 4T19, considerando as operações continuadas, foi de R$ 135 milhões, crescimento de 14,1%.

Na sexta-feira a ação ALPA4 encerrou cotada a R$ 34,53 (7,6x o seu VPA) com valorização de 4,0% neste ano. Em 2019 a alta foi de 143,8%. O valor de mercado da companhia é de R$ 18,8 bilhões


BB Seguridade (BBSE3)
Sólido resultado do 4T19

A BB Seguridade registrou no 4T19 um lucro líquido ajustado de R$ 1.133 milhões, com crescimento de 34,9% em relação aos R$ 840 milhões do 4T18 reflexo da evolução de 34,0% do resultado operacional não decorrente de juros, combinado das coligadas e controladas, com destaque para o aumento nos prêmios ganhos e pela melhora do índice combinado da Brasilseg; e o efeito base de comparação resultante do desinvestimento do segmento de seguros patrimoniais e automóvel, concluído em novembro de 2018, já que no período outubro a novembro de 2018 tal investimento havia apresentado resultado negativo. Ressalte-se ainda o incremento de 38,2% do resultado financeiro entre os trimestres comparáveis, notadamente pela evolução do resultado financeiro da Brasilprev, beneficiado por uma dinâmica favorável dos índices de inflação que atualizam os ativos e passivos dos planos de benefício definido.

O lucro líquido ajustado de 2019 alcançou R$ 4.306 milhões com crescimento de 21,3% em relação o lucro ajustado de R$ 3.549 milhões de 2018, e acima dos R$ 4.150 milhões que estimávamos. Esse resultado é explicado principalmente (i) pelo crescimento das receitas de corretagem e melhora da margem operacional da BB Corretora; (ii) uma dinâmica favorável dos índices de inflação que atualizam os ativos e passivos dos planos de previdência de benefício definido, influenciando positivamente o resultado financeiro da Brasilprev; (iii) o crescimento de prêmios ganhos e melhora da sinistralidade na Brasilseg; e (iv) a redução da alíquota efetiva de impostos nas empresas Brasilseg, Brasilprev e Brasilcap.

Guidance para 2019. No ano passado o total de prêmios emitidos proforma da Brasilseg (ex-DPVAT) cresceu 13,9%, ficando em linha com o intervalo projetado, entre 10% e 15%. A companhia superou suas estimativas de crescimento de (i) reservas de previdência da Brasilprev e (ii) do lucro líquido ajustado.


CCR (CCRO3)
Decisão judicial reverte a determinação da ANTT de reduzir pedágio

Na noite da sexta-feira passada, a empresa informou que uma decisão judicial reverteu a determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que reduziu a tarifa de pedágio de sua controlada NovaDutra em 5,26%.

· Esta é uma notícia positiva para a CCR, dado que a NovaDutra é a segunda mais importante concessão rodoviária da empresa em termos de receita. Porém, esta briga jurídica já dura alguns meses e a decisão da justiça pode ainda ser modificada;

A NovaDutra administra a Rodovia Presidente Dutra, que possui 402 quilômetros de extensão e liga as cidades de São Paulo ao Rio de Janeiro. A receita bruta desta rodovia nos primeiros nove meses de 2019 atingiu R$ 983 milhões, representando 20,2% das receitas de pedágio da CCR.


Randon (RAPT4)
Incêndio na unidade de Caxias do Sul

Durante o pregão da última sexta-feira, a empresa comunicou a ocorrência de um incêndio na madrugada daquele dia em uma das cabines da área de pintura.

· A Randon informou ainda que possui outras cabines que são capazes de atender a demanda e não foram atingidas pelo incêndio. No comunicado, a empresa informou ainda que as atividades do setor de pintura seriam retomadas durante o final de semana;

· Como o dano material foi mínimo, não vemos impacto relevante para os resultados da Randon com este acidente.


Boletim Focus
Nesta semana destaque para a redução da inflação para 2020 e alta do câmbio para 2021. Demais indicadores foram mantidos.

Dentre as alterações contidas no Boletim Focus desta segunda-feira (10/fevereiro), destaque para a redução do IPCA (a 6ª consecutiva) e manutenção para os demais indicadores. Olhando 2021 ressalte-se a alta do câmbio.

Inflação. Conforme divulgado na semana passada, o IPCA de janeiro de 2020 registrou inflação de 0,21% desacelerando ante 1,15% de dez/19 e acumulando alta de 4,19% nos últimos doze meses. Em janeiro de 2019 o índice havia sido de 0,32%. Olhando o Boletim Focus desta semana, a mediana das expectativas aponta para um IPCA de 2020 em 3,25%, com queda em relação a 3,40% da leitura anterior. Nas atualizações dos últimos 5 dias úteis, o IPCA caiu de 3,35% para 3,21%. Para 2021 a mediana das estimativas para o IPCA foi mantida em 3,75%.

Meta Selic. Na semana passada o Copom reduziu a taxa básica de 4,50% para 4,25% em linha com o esperado pelo mercado. Para 2021 a Meta Selic foi mantida em 6,00%.

PIB. Para o PIB, a mediana das estimativas foi mantida em 2,30% para 2020 e em 2,50% para 2021.

Dólar. A taxa de câmbio foi mantida em R$ 4,10 em 2020 e elevada de R$ 4,05 para R$ 4,10 para 2021.

Produção industrial. A mediana do agregado para a produção industrial foi elevada de 2,21% para 2,33% em 2020 e mantida em 2,50 para 2021.


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