Prezado Sr.(a),

Começamos 2019 com grande otimismo e o terminamos esperançosos que poderemos ter uma retomada sustentável de nossa economia. O Brasil já “quebrou” algumas vezes, sendo a mais conhecida a dos anos 80. Quando o Ministro Ernane Galvêas comunicou a situação ao então Presidente Gen. João Batista Figueiredo, ele teria retrucado ao seu estilo: “PQP! E o filho da p… do Geisel me botou aqui por seis anos!”. A situação era de fato muito difícil. Naquela década (1981 a 1990), considerada a “Década Perdida”, o Brasil cresceu a taxas médias reais anuais de 1,6%, enquanto que nos períodos 1901 a 1940, 1941 a 1980 e 1981 a 2010, o crescimento médio foi aproximadamente de 4,33%, 7,03% e 2,63%, respectivamente. Se tudo correr bem, nesta década de 2011 a 2020, cresceremos a uma média anual de 0,85%, quase a metade do que ficou conhecida como a “Década Perdida”.

Pois é, o lúgubre partido PT nos colocou nesta situação. O Presidente Figueiredo deixou o governo em 1985 pedindo que o povo o esquecesse, e agora boa parte da população pede que o PT esqueça o Brasil. Hoje, a situação, é claro, é muito diferente dos anos 80. O Brasil é outro país, sem as vulnerabilidades de outrora, mas com agruras de sobra para se contrapor e até argumentar que a situação é ainda mais difícil, basta verificar o nível de desemprego. Nos últimos dez anos, a exceção do “extraordinário” crescimento de 7,5% em 2010, tivemos duas quedas de 3,5% e 3,3%, em 2015 e 2016, respectivamente – na maior recessão da história do país.

Entretanto, estamos superando essa chaga, a bem da verdade, ainda que timidamente, desde 2016 e, mais contundentemente, com a posse do atual Presidente e a nomeação de nova equipe econômica tendo a frente o Ministro Paulo Guedes. A situação tem mudado bastante, mas ainda aquém do necessário. As mudanças estruturantes são fundamentais, e a principal delas, a Reforma da Previdência, foi aprovada com louvor. Além dessa, tivemos ainda a aprovação da nova lei das agências reguladoras, a aprovação do cadastro positivo, melhor gestão das contas públicas, queda dos juros básicos e a possível estabilização da dívida pública já em 2020, dentre outras.

Com essas ações e as expectativas em alta, os níveis de confiança melhoraram um pouco, e os prognósticos são, em geral, de que teremos um PIB melhor em 2020, ainda que abaixo do potencial. De toda sorte, a economia real parece pronta para deslanchar. A geração de empregos tem sido forte e a criação de empregos formais tendem a superar os informais. O mercado financeiro, que sempre antecipa tudo, também dá sinais claros de melhoras consistentes, seja na ETTJ, no risco país ou na bolsa de valores.

Contudo, nem tudo são mil maravilhas. Diversas empresas enfrentam dificuldades financeiras e de acesso ao crédito. A indústria está em níveis ainda inferiores da produção do começo da década. A desigualdade é enorme, e o contingente de desempregados, desalentados e outras classificações da espécie superam os 17 milhões de pessoas. Mas, o pior, certamente, foi o não endereçamento de outras reformas estruturantes que, se não feitas até metade de 2020, as chances diminuirão bastante de serem efetivadas, dado que as eleições municipais dominarão as atenções.

Enfim, estamos prestes a ter uma nova década perdida, infelizmente. A boa notícia é que estamos diante de um novo futuro e muito mais crível e sustentável!

 

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