Prezado Sr.(a),

Este mês o STF derrubou a prisão após condenação em segunda instância. Muito mais do que soltar bandidos de toda sorte, a medida tem impactos em vários segmentos da sociedade, não ficando de fora o mercado financeiro e a imagem do Brasil no mundo. A avaliação imediata e consequência direta é que a impunidade “voltou”. Decorre disso, uma ideia de volatilidade grande, de mudança de regime, e esta instabilidade gera enormes problemas.

A imprevisibilidade é fator preponderante em qualquer planejamento, limitando e, às vezes, eliminando, toda iniciativa, seja econômica ou não. No campo econômico, investidores adoram risco, mas odeiam incertezas. Esta a razão porque tanto precisamos dos chamados marcos regulatórios, de um Banco Central independente, de uma política econômica autônoma, etc.. Assim, seja no campo jurídico, no legislativo e até mesmo nas declarações de autoridades, ações e opiniões impactam fortemente os mercados e, como em regra acontece, leva tempo para se “ajustar’.

A recente decisão do STF precisa ser “ajustada” (início do processo) rapidamente pelos Deputados ou Senadores – em uma casa ou outra, não importa. Mais do que em uma situação desconfortável perante a comunidade internacional, o Brasil verá diminuição de apetite de investimentos por aqui com posturas e atitudes dessa natureza. Pior, o momento é crucial para evoluirmos nas reformas e atrairmos investimentos agora. Com um imbróglio desses, travam-se as pautas e aprovações de projetos e reformas, minam-se os bons ímpetos, atrapalha o momentum e suscitam interesses difusos. Mais, as chances da janela de oportunidade se fechar são enormes, e perder esta oportunidade neste momento pode representar uma espera de muitos anos a frente.

Por outro lado e também importante, está a necessidade do equilíbrio nas declarações das autoridades. Não bastassem o presidente e seus filhos tão ativos nas mídias sociais (com alguma trégua neste mês, bem verdade), Ministros e demais autoridades precisam de sintonia no discurso e moderação nas palavras e opiniões. Este mês o Ministro Guedes, mais uma vez, trouxe disfuncionalidade para o mercado de Dólar com suas declarações. Ele aparenta fadigado e irritadiço. As reações foram imediatas e o próprio Banco Central não pôde “honrar” a menor intervenção tão alardeada – inclusive pelo seu próprio presidente! Um desastre – pela segunda vez! Melhor seria Ministro não comentar sobre Dólar… Falando em BACEN, este resolveu cercear cobrança de juros (cheque especial) dos bancos. Justificativa: produto inelástico, formação de preço desconectada do custo marginal e, quem paga mais é quem tem renda menor… que liberal! O país “começa” a entrar nos eixos, a recuperação econômica parece estar a caminho, precisamos robustecer os índices de confiança… sem tropeços e condicionalidades!

 

Clique aqui para ler o relatório completo.