Prezado Sr.(a),

Sem sombras de dúvidas, o momento mais importante do mês, em todos os sentidos, foi o discurso do presidente Bolsonaro na ONU. A organização, com mais de 70 anos, reserva ao Brasil, por tradição, o primeiro discurso da Assembleia Geral. Dentre não muitos brasileiros que fizeram a diferença na ONU, destacava-se, com ampla margem aos demais, Oswaldo Aranha, peça chave na criação do Estado de Israel.

Essa “liderança isolada” de destaque acabou. Bolsonaro fez um discurso “histórico”. O problema é que, embora a percepção seja a mesma em termos de impactos, estes são antagônicos, pois para uns foi o pior e mais vergonhoso discurso já proferido, enquanto que para outros, tratou-se de uma exposição de Estadista. Em verdade, Bolsonaro foi ele mesmo, com tudo que estamos acostumados (mas nos recusamos a aceitar!) desde sua campanha para presidente e estes nove primeiros meses de mandato. Assim, o presidente não faz muita distinção do Bolsonaro de antes e o Bolsonaro “instituição”.

Os possíveis reflexos de um discurso como o entregue por Bolsonaro dividem opiniões, mas em um ponto todos concordam: foi uma quebra de paradigmas. Dos que consideram o discurso do presidente um desastre na forma e no conteúdo, não encontram paralelo na história, e afirmam que foi a antidiplomacia em ação. As consequências imediatas, chancelam, será a perda da interlocução amigável (acordos, negócios, etc.) e do prestigio de nossa diplomacia construtiva. Por outro lado, existem aqueles que aplaudem o uso da principal tribuna do mundo para, em particular momento de ataques à nossa soberania na Amazônia e, também, de uma mudança radical em nossa política e economia, apresentar o novo ambiente em que estamos inseridos.

Em verdade, o discurso foi uma ruptura com o que normalmente escutamos de nossos representantes na ONU. Direto e objetivo, o tom soou agressivo. Verdadeiro e altivo, a exposição soou pedante ao declarar que o Brasil tem gente capacitada e pronta para resolver e apresentar as soluções para nossos problemas. Assertivo e oportuno, também incomodou profundamente ao trazer respeitabilidade e confiança ao Brasil ao abordar e se comprometer com temas como soberania, liberdade, democracia, abertura econômica, combate a corrupção, preservação da Amazônia e, obviamente, oportunidades e desenvolvimento para a população brasileira.

A forma atropelou o conteúdo? Talvez. Em pouco tempo saberemos. Em um mundo envolto a mudanças radicais e uma ONU que precisa fortalecer seus propósitos, endereçar suas críticas e afastar seus fracassos recentes de reincidência, o discurso de Bolsonaro foi tudo, menos hipócrita. Infelizmente, a exemplo do que ocorre com posicionamentos do presidente no Brasil, a fala de Bolsonaro na ONU parece dividir e acirrar ainda mais o país, comprometendo o futuro imenso da nação, denotando que alguns parecem sentir mais ódio pelo presidente do que amor pelo Brasil.

 

Clique aqui para ler o relatório completo.