Crise comercial entre EUA e China volta a pesar sobre os mercados

MERCADO


Bolsa
O agravamento da crise comercial entre EUA e China voltou a pesar sobre os mercados na segunda-feira com o Ibovespa marcando queda de 2,69% no fechamento (91.727 pontos) com giro financeiro de R$ 18,6 bilhões. Das 66 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, somente 2 fecharam em alta. Foram elas: Via Varejo ON (+2,60%) e BRF ON (+0,33%). A lista de produtos chineses taxados pelos EUA atinge quase US$ 300 bilhões e a China promete retaliar produtos americanos a partir do começo de junho. Este desconforto gerou instabilidade no mercado financeiro e deverá continuar pressionando. As bolsas da Ásia fecharam em baixa e na zona do euro o movimento é de alta nesta manhã. A agenda econômica desta terça-feira vem carregada de dados da zona do euro com destaque para a produção industrial de março em queda de 0,3% e indicadores de preços nos EUA. Do lado doméstico, somente a ata do Copom. Na reta final da safra de balanços, alguns resultados importantes podem mexer com os respectivos papéis. O ambiente ruim tem motivado a saída de estrangeiros da B3 nos últimos dias e o mercado segue sem uma referência positiva para retomar a alta.

 

Câmbio
A moeda americana encerrou a segunda-feira cotada a R$ 3,9938 contra R$ 3,9555 na sexta-feira (+0,97%), com investidores buscando proteção diante do ambiente negativo nos principais mercados.

Juros
Os juros futuros inverteram a curva de baixa com o aumento do risco comercial no exterior, trazendo preocupações também em relação aos negócios com produtos brasileiros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/21 fechou em 6,92%, de 6,881% no ajuste de sexta-feira e para jan/25 a taxa encerrou em 8,60%, de 8,532%.


 

 ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Banrisul (BRSR6)
Bom 1T19 acima do esperado

O Banrisul registrou no 1T19 um lucro líquido recorrente de R$ 320 milhões (ROAE de 18,7%), melhor que o estimado, reflexo (i) da estabilidade da margem financeira (em 12m); a queda de 6% das despesas de PDD; crescimento de 2% das receitas de serviços; incremento de 2,2% das despesas administrativas recorrentes (abaixo da inflação no período).

  • Com isso o lucro recorrente do 1T19 cresceu 31% para R$ 1.096,2 milhões, com melhora de 4,3pp no ROAE. Seguimos com recomendação de COMPRA para suas ações com preço justo de R$ 30,00/ação (potencial de alta de 23,5%).
  • Ao final do 1T19 a carteira de crédito total do banco era de R$ 34,3 bilhões, com crescimento de 7,9% em doze meses. A inadimplência melhorou permaqneceu estável em relação ao 4T18 em 2,6% e se compara a 3,4% no 1T18. Ao final de mar/19 a Basileia do banco era de 15,6% para um patrimônio líquido de R$ 7,4 bilhões. Os Ativos Totais somavam R$ 77,9 bilhões após crescimento de 8,5% em 12 meses.
  • O banco deliberou pelo pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) referente ao 2T19 no valor total de R$ 116,5 milhões, equivalente a R$ 0,28480494 por ação PNB. Serão beneficiados os acionistas em 16 de maio de 2019 (data da declaração), passando as ações a serem negociadas “ex-direito” aos juros a partir de 17 de maio de 2019. O pagamento ocorrerá em 24 de junho de 2019 e o retorno líquido estimado é de 1,0%.

Itaúsa (ITSA4)
Lucro trimestral em linha com o esperado

A Itaúsa registrou no 1T19 um lucro líquido recorrente de R$ 2,5 bilhões, com crescimento de 3,6% em relação ao lucro de R$ 2,4 bilhões de igual trimestre do ano anterior. Nesta base de comparação o ROAE caiu 0,3pp, de 19,1% para 18,8%.

Um trimestre em linha com o esperado e que refletiu, principalmente o resultado do Itaú Unibanco e das companhias investidas não financeiras. Temos recomendação de COMPRA para ITSA4 e preço justo de R$ 16,00/ação, que quando comparado a cotação de R$ 11,25/ação, traz um potencial de alta de 42,2%.
Mais uma vez o destaque ficou para a contribuição do resultado de sua principal empresa investida o Itaú Unibanco, correspondente a 97,3% do resultado de equivalência patrimonial.


Cosan S.A. (CSAN3)
Resultado do 1T19

A companhia reportou seus resultados referentes ao 1º trimestre de 2019 com Receita Líquida e EBITDA ajustado, acima do esperado e Lucro Líquido ajustado, em linha. Conforme destacado pela companhia, este 1T19 foi marcado por maior volatilidade cambial, nas cotações internacionais de petróleo e açúcar. Por outro lado, a melhora na atividade econômica no período contribuiu para o aumento da demanda de gás natural, combustíveis e lubrificantes.

Ao preço de R$ 44,49/ação, correspondente a um valor de mercado de R$ 17,7 bilhões suas ações registram alta de 35,9% este ano. Os múltiplos para 2019 são: P/L de 11,9x e VE/EBITDA de 4,7x. O preço justo (mercado) de R$ 53,00/ação embute um potencial de alta de 19,1%.

Em base consolidada, a receita líquida da companhia no 1T19 cresceu 25,6% (em 12m) para R$ 17,1 bilhões. O EBITDA ajustado proforma alcançou R$ 1,5 bilhão (+11,2%) no 1T19, suportado principalmente pela expansão dos resultados da Comgás e da Moove, além da consolidação dos resultados da Raízen Argentina. O lucro líquido ajustado somou R$ 401 milhões (+11,3%). A geração de caixa livre proforma (FCFE), incluindo 50% da Raízen, totalizou R$ 1,7 bilhão e a alavancagem encerrou o período em 2,0x dívida líquida/EBITDA proforma, com uma dívida líquida de R$ 11,6 bilhões (+34,0% em base de 12m).


JBS (JBSS3)
Venda das ações de propriedade da CEF e a negociação da Liquigás

A JBS registrou um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no 1T19, que se compara ao lucro líquido de R$ 506 milhões do 1T18. Nesta base de comparação, a receita líquida cresceu 11% para R$ 44,4 bilhões e o EBITDA cresceu 14% para R$ 3,2 bilhões, com a margem EBITDA passando para 7,2% no 1T19.

  • Ao preço de R$ 19,74/ação (valor de mercado de R$ 53,9 bilhões) suas ações registram alta de 70,3% este ano.
  • O lucro bruto somou R$ 5,8 bilhões no 1T19 com margem bruta de 13,2% ante 13,0% de igual trimestre do ano anterior. O fluxo de caixa operacional da companhia somou R$ 749,6 milhões no trimestre.
  • Ao final do 1T19, em dólares, a alavancagem era de 3,1x, enquanto que em Reais ficou em 3,2x. Incluindo as linhas de crédito pré-aprovadas da companhia a disponibilidade total é de R$ 14,8 bilhões, cerca de cinco vezes superior ao endividamento de curto prazo.

Centauro (CNTO3)
Prejuízo líquido de R$ 4,1 milhões no 1T19 contra uma perda de R$ 10,1 milhões no 1T18

O prejuízo de R$ 4,1 milhões considera a contabilização do IFRS 16. Sem o efeito do IFRS 16 a empresa teria apresentado um lucro líquido de R$ 2,3 milhões. A Centauro abril seu capital neste ano, iniciando as negociações na B3 no dia 16/abril cotada a R$ 12,50. Ontem a ação fechou em 11,95 (queda de 4,4%).


OI (OIBR3 e OIBR4)
Lucro líquido de R$ 679 milhões no 1T19

No 1T19, a receita operacional líquida somou R$ 5,13 bilhões contra R$ 5,67 bilhões no 1T18, enquanto os custos e despesas operacionais reduziram de R$ 4,10 bilhões para R$ 2,89 bilhões no mesmo período comparativo. O EBITDA aumentou de R$ 1,57 bilhão no 1T18 para R$ 2,24 bilhões no 1T19, reflexo da redução nas despesas operacionais e o lucro líquido totalizou R$ 765 milhões ante um prejuízo de R$ 3,34 bilhões no 4T18.

A ação OIBR3 encerrou ontem cotada a R$ 1,51 com alta de 20,3% no ano e a OIBR4 fechou a 1,55 com valorização de 23,0% no ano. O valor de mercado da empresa hoje é de R$ 6,94 bilhões.


Sanepar (SAPR11)
Decisão cautelar do Tribunal de Contas do PR suspende reajuste de 12,12%

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná concedeu medida cautelar pleiteada pela 2ª Inspetoria de Controle Externo do mesmo órgão, para fins de imediata suspensão de qualquer ato visando à implementação por parte da Sanepar, do “Reajuste Tarifário Anual de 2019” de 12,12944%, a ser aplicado nas contas de água e esgoto, fixado pelo Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná – AGEPAR.

A notícia negativa e fez preço nas ações da companhia ontem, que fecharam em queda de 4,85% a R$ 75,79/Unit. A Sanepar informou que tomará todas as providências necessárias no sentido de reestabelecer o seu direito ao reajuste. Temos recomendação de compra e preço justo de R$ 97,00/Unit (potencial de alta de 28,0%).


Minerva (BEEF3)
Postergada a Oferta Pública Inicial de Ações da Athena Foods

A Minerva informou que foi postergada a Oferta Pública Inicial de ações (IPO) de sua subsidiária Athena Foods na Bolsa de Comercio de Santiago (Bolsa de Valores de Santiago), como efeito das recentes condições adversas no mercado global.

Suas ações (BEEF3) registram alta de 55,3% este ano para uma cotação de R$ 7,75/ação (valor de mercado de R$ 2,9 bilhões) e podem apresentar volatilidade a partir desta decisão, no dia de hoje.


Braskem (BRKM5)
Suspensão da negociação na Bolsa de Nova York

Durante o pregão de ontem, a empresa informou que a Bolsa de Nova York (NYSE) suspendeu a negociação de seus American Depositary Shares (ADS) e iniciará o processo de deslistagem destes títulos.

  • Isso ocorrerá porque a Braskem não vai arquivar até o dia 16/maio o formulário 20 F referente ao exercício de 2017.  Os ADS serão negociados em breve no mercado de balcão organizado (OTC).  Durante o período de suspensão, os detentores de ADS poderão convertê-los em ações preferenciais e fazer a negociação na B3;
  • A empresa já tinha dado esta informação na semana passada, mas sua divulgação ontem causou um grande impacto em BRKM5, que caiu 7,0%.

Petrobras Distribuidora (BRDT3)
Venda da CDGN Logística

A empresa anunciou ontem, após o pregão, o início da fase vinculante do processo de venda das suas ações da CDGN Logística (49% do capital).

  • A CDGN, fundada em 2002, atua na prestação de serviços de tratamento, compressão, liquefação, transporte, descompressão, regaseificação e comercialização de gás natural, metano, gás carbônico (CO2) e biogás, comprimido ou liquefeito e transporte;
  • Os desinvestimentos da Petrobras, mesmo realizados através de suas controladas, são sempre notícias positivas.

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