Disputa EUA x China deverá seguir incomodando os mercados globais

MERCADO


Bolsa
O Ibovespa voltou a cair ontem, após uma recuperação sem justificativas na quarta-feira, considerando que a guerra comercial entre EUA x China não mostrou nenhum alívio nos últimos dias, pelo contrário. No fechamento o Ibovespa marcou queda de 0,83% aos 94.808 pontos, com giro financeiro de R$ 13,3 bilhões. A sexta-feira abre com a confirmação de elevação de tarifas para produtos chineses pelos EUA, com a China prometendo retaliações. Esta disputa deverá seguir incomodando os mercados globais, mas as bolsas da zona do euro mostram alta hoje. Do lado doméstico, a agenda econômica traz o IPC-Fipe semanal com alta de 0,20% e a prévia do IGP-M de maio com alta de 0,58% e ainda o IPCA de abril com 0,57% de no M/M e de 4,94% no acumulado de 12 meses. A lista é completada com dados dos EUA, pouco relevantes para nosso mercado.

Câmbio
A moeda americana subiu de R$ 3,9288 na quarta para R$ 3,9481 no fechamento de ontem, (+0,49%), também na esteira do nervosismo e incertezas provocadas pela disputa comercial no mercado internacional e de olho nas discussões políticas internas.

Juros
As taxas de juros futuros tiveram dia de queda, influenciadas pelo fraco desempenho das vendas no varejo e sinais de passos lentos na economia. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20, fechou com taxa de 6,405%, de 6,430% na quarta-feira e a taxa do DI para jan/25 passou de 8,612% para 8,58%..


 

 ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Suzano (SUZB3)
Prejuízo líquido de R$ 1,23 bilhão no 1T19 ante um lucro de R$ 1,43 bilhão no 1T18

A empresa registrou uma reversão no resultado líquido passando de um lucro de R$ 1,43 bilhão no 1T18 para um prejuízo de R$ 1,23 bilhão no 1T19. Houve queda na receita líquida, sobretudo no segmento de celulose, (principal negócio da companhia), aumento expressivo de custos e despesas e um grande peso do financeiro, sobretudo com derivativos.

 A ação SUZB encerrou ontem cotada a R$ 44,16 acumulando valorização de 104,7% no ano e liderando as altas de ontem com +7,0%.


Sabesp (SBSP3)
1T19 em linha com melhora do resultado operacional e financeiro

A Sabesp registrou no 1T19 um lucro líquido de R$ 647,3 milhões, com crescimento de 11,5% em relação ao lucro de R$ 580,4 milhões do 1T18, reflexo da melhora dos resultados operacional e financeiro entre os trimestres, que compensaram a evolução dos custos e despesas. Um bom resultado trimestral dentro do esperado, com queda do endividamento (em base trimestral) e manutenção da alavancagem financeira em patamar confortável, em linha com o trimestre anterior.

  • Cotadas a R$ 47,80/ação (valor de mercado de R$ 32,7 bilhões) suas ações registram alta de 55,5% este ano. Nesse preço os múltiplos para 2019 são: P/L de 11,7x e VE/EBITDA de 6,9x. Temos recomendação de compra para SBSP3 com preço justo de R$ 52,00/ação, que traz um potencial de alta de 8,8%.
  • Receita Líquida. No 1T19 a receita líquida (incluso as receitas de construção) somou R$ 3,9 bilhões, com crescimento de 4,8% em doze meses, sensibilizada por (i) aumento tarifário de 3,5% desde junho de 2018; (ii) crescimento de 3,1% no volume faturado total (+0,3% em água e +6,6% em esgoto); e (iii) o início da operação no município de Guarulhos em janeiro de 2019, gerando um acréscimo de R$ 70,2 milhões na receita operacional. A receita de construção caiu 6,8%, equivalente a uma redução de R$ 43,7 milhões, reflexo do maior investimento na construção de ativos no 1T18, principalmente no Sistema Produtor São Lourenço (PPP).
  • EBITDA ajustado. Somou R$ 1,5 bilhão no 1T19, alta de 10,4% em relação a R$ 1,4 bilhão do 1T18. A margem EBITDA ajustada elevou-se de 37,8% no 1T18 para 39,8% no 1T19. Desconsiderando os efeitos da receita e do custo de construção a margem EBITDA ajustada resulta em 46,8% no 1T19, ante 45,4% no 1T18.
  • Ao final do 1T19 a dívida líquida da Sabesp era de R$ 10,0 bilhões, com crescimento de 4,8% em doze meses (queda de 1,5% no trimestre) e se compara a R$ 11,3 bilhões em dez/18. Sua alavancagem permaneceu em 1,5x em relação ao 4T18 e abaixo de 1,8x do 1T18.

Camil Alimentos S.A. (CAML3)
4T18 acima do esperado reforça crescimento de volume

A Camil Alimentos S.A. reportou seu resultado do 4T18 referente aos meses de dezembro de 2018, janeiro e fevereiro de 2019, com destaque, mais uma vez, para o crescimento de volume, sensibilizado pela aquisição da SLC Alimentos. O lucro líquido do 4T18 cresceu 30% (em 12m) para R$ 100,3 milhões. Nesta base de comparação o EBITDA caiu 3% somando R$ 115,2 milhões, reflexo da maior competição no setor.

No acumulado de 12M18 terminado em fevereiro de 2019 o lucro líquido somou R$ 362,4 milhões, e crescimento de 45% em relação ao lucro de R$ 250,7 milhões de 12M17. O EBITDA registrou queda de 1% para R$ 483,4 milhões com redução de 0,3pp na margem EBITDA para 10,2%.

Esperamos resultados melhores neste próximo exercício, com aumento do preço do arroz e captura das sinergias a partir da integração da SLC Alimentos. Este ano até ontem (9/maio) suas ações registram queda de 2,3% para R$ 6,84/ação (valor de mercado de R$ 2,8 bilhões). O preço justo de R$ 11,00/ação (média Bloomberg) corresponde a um potencial de alta de 60,8%. Os múltiplos para o exercício de 2018 são: P/L de 9,0x e VE/EBITDA de 7,1x.


Vale (VALE3)
Elevada provisão para o acidente de Brumadinho leva ao prejuízo no 1T19

A Vale divulgou ontem, após o pregão, seus resultados do 1T19 que foram muito afetados pelo acidente de Brumadinho, seja com a forte redução das vendas de minério e na receita, seja com uma elevada provisão (US$ 4,5 bilhões) que levou ao prejuízo.

  • A Vale sofreu no 1T19 um prejuízo de US$ 1,6 bilhão, contra resultados positivos de US$ 3,8 bilhões no trimestre anterior e US$ 1,6 bilhão no 1T18.  Excluindo o impacto da provisão citada, o lucro líquido no 1T19 seria de US$ 3,3 bilhões, valor 108,3% maior que no mesmo trimestre do ano passado;
  • Os preços de minério no 1T19 foram muito bons, 18,6% acima daquele verificados no 4T18 e 22,1% maiores que no 1T18.  Em pelotas, também houve uma alta significativa em relação ao trimestre anterior (13,2%);
  • O endividamento no trimestre também foi afetado pelas consequências do acidente de Brumadinho.  A dívida bruta (US$ 17,1 bilhões) aumentou 10,2% no trimestre por conta do incremento de US$ 1,8 bilhão em novas linhas de crédito captadas para compensar o bloqueio de parte do caixa determinado pela justiça.

Randon (RAPT4)
Aumento da receita, mas queda do lucro no 1T19

A Randon divulgou seus números do 1T19 na noite de ontem, com forte elevação das vendas, mas redução nos resultados operacionais e expressiva queda no lucro líquido, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

  • No 1T19, a Randon lucrou R$ 31,7 milhões (R$ 0,09 por ação), valor 10,6% menor que no trimestre anterior e 26,7% inferior ao número do 1T18;
  • A Randon teve outro excelente trimestre em vendas, com forte crescimento em praticamente todas as linhas de produtos vendidos pelo grupo;
  • A redução no EBITDA do 1T19 (4,2%), em relação ao 1T18, ocorreu pelo aumento das despesas operacionais, mas também porque o número do ano passado havia sido beneficiado por ganhos com a compra vantajosa da JURID (R$ 52,5 milhões) contabilizada naquele trimestre.

Estácio (ESTC3)
Forte crescimento no lucro do 1T19 com R$ 240,8 milhões

A empresa registrou bom desempenho no 1T19 com crescimento de 22,0% no lucro líquido, com redução na receita líquida, mas com redução de custos da ordem de 3,8% melhorando a margem bruta. Houve aumento nas despesas comerciais, compensado pela redução nas despesas administrativas.

 Temos recomendação de COMPRA para a ação com preço justo de R$ 36,00 com valorização potencial de 29% sobre o fechamento de ontem (R$ 27,91).


Cyrela (CYRE3)
Lucro líquido de R$ 48 milhões no 1T19 ante um prejuízo de R$ 51 milhões no 1T18

 A Cyrela apresentou boa recuperação no resultado do 1T19 com forte crescimento na receita liquida de R$ 451 milhões no 1T18 para R$ 826 milhões no 1T19, melhora na margem bruta de 27,7% para 30,1%.

 Ontem a ação CYRE3 encerrou cotada a R$ 17,25 acumulando alta de 11,5% no ano.


BRF S.A. (BRFS3)
Prejuízo de R$ 1,0 bilhão no 1T19

A companhia publicou seus resultados referentes ao 1T19, com destaque para o prejuízo líquido de R$ 1,0 bilhão e que se compara ao prejuízo de R$ 74 milhões do 1T18. Tomando por base as “operações continuadas” a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 113 milhões frente prejuízo de R$ 133 milhões no 1T18. Ao preço de R$ 30,73/ação (valor de mercado de R$ 25,0 bilhões) suas ações registram alta de 40,1% este ano.

A Receita líquida no 1T19 somou R$ 7,4 bilhões (+4,7% em 12 meses), reflexo do aumento do preço médio de 12,9%, compensando a queda de 7,3% em volume. O EBITDA Ajustado somou R$ 748 milhões, com margem de 10,2% que se compara a R$ 685 milhões no 1T18 (margem de 9,7%).

Ao final do trimestre a dívida líquida da companhia era de R$ 14,2 bilhões equivalente a 5,6x o EBITDA e se compara a R$ 10,0 bilhões no 1T18 (5,4x o EBITDA). A geração de caixa operacional foi R$ 1,5 bilhão no 1T19.


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