Mineração – Relatório Setorial

Minério de ferro: Os efeitos do acidente e do clima

Os números das exportações brasileiras de minério de ferro em abril foram muito fracos, já refletindo os problemas da Vale com o fechamento de minas após o acidente de Brumadinho.  Além disso, a empresa comunicou que fortes chuvas em março e abril, reduziram os embarques no terminal de Ponta da Madeira (São Luís – MA), de onde é exportado o minério do Sistema Norte (Carajás).  Por outro lado, a CSN não teve problemas no período e está otimista quanto às vendas de minério no ano.  As duas empresas estão sendo beneficiadas pelos aumentos dos preços do minério, que subiram por conta das incertezas quanto ao fornecimento pela Vale.  No 1T19, o preço do minério colocado na China subiu 12,9% e a alta continuou em abril, com mais 7,2%.  Com isso, vemos com otimismo os resultados do segmento de mineração da CSN e mesmo da Vale, considerando que os danos nas vendas derivados do acidente de Brumadinho, podem ser menores que os anteriormente esperados.  É importante destacar que existe um risco importante para os preços do minério, no caso da intensificação da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

  • A área de metais ferrosos da Vale teve um excelente desempenho em 2018, com as vendas totais do segmento chegando a 365,6 milhões de toneladas, volume 6,1% maior que em 2017.  No entanto, o acidente em Brumadinho, seguido do fechamento de outras minas, deve comprometer as vendas em 2019.  A empresa estimou que venderá entre 307 – 332 milhões de toneladas de minério e pelotas este ano.  Se o volume atingir o ponto médio deste intervalo (319,5 milhões t.), haverá uma redução de 12,6% em relação a 2018.  A Vale já adiantou que teve problemas também nos embarques de minério do Sistema Norte nos meses de março e abril, em função de condições climáticas.  A divulgação dos resultados do 1T19 vai ocorrer no dia 9 de maio, após o pregão.  Nossa recomendação para VALE3 é de Compra com Preço Justo de R$ 56,00 (potencial de alta em 11%);
  • A área de mineração da CSN teve um bom desempenho em 2018 e está otimista para este ano.  Em 2018, a empresa vendeu 34,8 milhões de toneladas de minério, um volume 6,8% maior que no ano anterior.  Com melhores vendas e bons preços, o EBITDA da mineração em 2018 cresceu 646,7% em relação a 2017.  A margem EBITDA da mineração em 2018 atingiu 43,8%, que é um excelente patamar.  Para 2019, a empresa espera vender entre 35 e 36 milhões de toneladas, volume próximo de 2018.  Os resultados da CSN no 1T19 serão divulgados no dia 8/maio (após o pregão) e devem trazer números mais modestos na siderurgia, mas bom desempenho no segmento de mineração.  Nossa recomendação para CSNA3 é de Venda com Preço Justo de R$ 15,50/ação.  Desde que divulgamos nosso relatório com esta recomendação, CSNA3 já caiu 16,5%, sendo cotada 8% abaixo do nosso Preço Justo no pregão do dia 3/maio;
  • Segundo dados da Secex/MDIC, em abril a quantidade de minério de ferro exportada pelas mineradoras brasileiras caiu 29,1%, comparado ao mesmo mês de 2018.  O volume médio diário exportado foi 25,2% abaixo de março.  O volume acumulado nos primeiros quatro meses foi 102,6 milhões de toneladas, que ficou 6,8% abaixo daquele verificado neste período no ano passado, em função do fraco volume que ocorreu em abril;
  • As receitas das exportações em abril caíram 27,5%, em função da redução do volume, que foi atenuada pelo aumento de 2,2% no preço médio do minério vendido.  No 1T19, as receitas de US$ 5,7 bilhões, foram 4,3% menores que no 1T18.

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