Investidores mais cautelosos

MERCADO


Bolsa
Na véspera do fechamento de abril o Ibovespa oscilou até o meio da tarde para fechar em baixa de 0,05% aos 96.188 pontos, com giro financeiro de R$ 10,1 bilhões. A semana encurtada pelo feriado da quarta-feira e a virada de mês deverá manter os investidores mais cautelosos, dando peso para os resultados corporativos e atentos aos fatores políticos. Hoje a agenda econômica traz dados importantes do lado externo, com a taxa de desemprego na zona do euro em 7,7% e o PIB do 1T19 com alta de 0,4%, no T/T e de 1,2% em 12 meses. No Brasil a taxa de desemprego em março ficou em 12,7%. Os indicadores dos EUA são pouco relevantes para nosso mercado. As bolsas fecharam em queda na Ásia, com resultados corporativos abaixo das expectativas e operam também em baixa na zona do euro, ainda refletindo discussões comerciais entre EUA e China e sinais enfraquecimento da economia global.

Câmbio
O dólar iniciou a semana em alta após duas quedas consecutivas num dia de agenda fraca e mercado oscilando na preparação para definição da Ptax. No fechamento de ontem a moeda estava cotada a R$ 3,9428 contra R$ 3,9321 na sexta-feira (-0,27%).

Juros
O dia foi calmo no mercado de juros futuros com a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 fechando em 6,590%, de 6,556% no ajuste da sexta-feira. Para jan/25 a taxa ficou passou de 8,772% para 8,78%.

 

 ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Santander Brasil (SANB11)  
Resultado sólido no 1T19

O Banco Santander (Brasil) registrou no 1T19 um lucro líquido, em base gerencial, de R$ 3,5 bilhões (ROAE de 21,1%), com crescimento de 21,9% em relação a R$ 2,9 bilhões do 1T18 (ROAE de 19,1%). Um resultado melhor que o esperado impactado positivamente (i) pelo crescimento de 9,6% das Receitas de Serviços, (ii) por redução de 2,1% das despesas com PDD, e (iii) uma alíquota efetiva de IR/CS menor (de 29,9% no 1T19 que se compara a 35,4% do 1T18).

  • Por outro lado, ressalte-se o crescimento de 6,2% das Despesas Gerais, explicado pelo incremento de 11,5% das Outras Despesas Administrativas, compensadas parcialmente por alta de 0,4% das Despesas com Pessoal/PLR. No 1T19 o banco destacou o valor de R$ 1,0 bilhão na forma de JCP com pagamento a partir de 29 de abril de 2019.
  • O modelo de negócio do banco permanece centrado no cliente, com foco na rentabilidade suportada (i) pelo crescimento da carteira de crédito e ganho de participação de mercado; (ii) crescimento da base de clientes, maior vinculação e volume de transações; (iii) adequado modelo de risco, aumento de produtividade e eficiência. Temos recomendação de COMPRA e preço justo de R$ 49,00/unit.
  • Margem de crédito e com o mercado, mantêm tendência de crescimento. No 1T19 a Margem Financeira Bruta (MFB) permaneceu estável em base trimestral, reflexo do crescimento da margem de crédito e sensibilizada po menores receitas com captação e outras margens. Em relação ao 1T18 cresceu 5,9% somando R$ 10,8 bilhões, influenciada pela evolução das margens de crédito e de captação, em função de maiores volumes médios.
  • A carteira de crédito total cresceu 10,8% em doze meses para R$ 310,7 bilhões, sensibilizada (i) pelo efeito da variação cambial; e (ii) pela evolução no segmento das Pessoas Físicas e do financiamento ao consumo, com desempenho diferenciado, com impacto direto na participação de mercado do banco, que ao final de fevereiro 2019 era de 9,4%. Já a carteira de crédito ampliada cresceu 9,3% em doze meses para R$ 386,9 bilhões, estável em base trimestral.
  • Qualidade do crédito permanece em níveis confortáveis e carteira segue adequadamente provisionada. A inadimplência medida pelos atrasos acima de 90 dias, manteve-se estável em 3,1% (em base trimestral) refletindo a maior participação do varejo no saldo da carteira de crédito.

Multiplan (MULT3)
Lucro líquido do 1T19 soma R$ 91.9 milhões, queda de 6,3% em relação ao 1T18

O lucro líquido do 1T19 registrou queda de 6,3%, somando R$ 91,9 milhões, principalmente pelo efeito da linha de remuneração baseada em ações. Esta conta somou R$ 10,98 milhões no 1T19. Apesar da redução no resultado, os principais números e indicadores da Multiplan seguem positivos.

Principais destaques do 1T19:

  • No 1T19 a taxa de ocupação média nos shoppings centers da Multiplan ficou em 97,1%;
  • O custo de ocupação dos lojistas foi de 13,9% no 1T19, estável em relação aos 5 trimestres anteriores;
  • A inadimplência líquida ficou em 2,4% sobre o total do aluguel, em linha com o 1T18;
  • Da receita bruta total de R$ 339,9 milhões, 73,7% vieram de locação, 15,3% de estacionamento, 8,7% de serviços e 2,4% de outros.

A ação MULT3 encerrou ontem cotada a R$ 24,15 com queda de 0,2% no ano e alta de 3,2% em 1 mês. O valor de mercado da companhia é de R$ 14,.4 bilhões.


RD Raia Drogasil (RADL3)
Queda de 16,5% no lucro líquido do 1T19, somando R$ 91 milhões

No 1T19, o lucro líquido totalizou R$ 105,5 milhões no trimestre, uma redução de 13,0% sobre o mesmo período do ano anterior, com margem líquida de 2,5%, uma contração de 0,9 ponto percentual sobre o 1T18. Considerando o IFRS 16 (conforme tabela abaixo), o lucro líquido totalizou R$ 90,5 milhões no trimestre, uma margem líquida de 2,2%.

 Os investimentos mais expressivos levaram a um aumento na dívida líquida e queima de caixa.

A ação RADL3 encerrou ontem cotada a R$ 68,25 acumulando valorização de 19,7% no ano com valor de mercado de R$ 23,5 bilhões.


CCR (CCRO3)
Aumento na receita, mas queda do lucro no 1T19

Os resultados da empresa no 1T19, divulgados na noite passada, mostraram redução do tráfego em suas concessões rodoviárias, mas aumento da receita por conta dos outros negócios e redução de custos dos serviços prestados.  Com isso, houve aumento na rentabilidade operacional, que foi prejudicada por um forte incremento do resultado financeiro negativo, levando à redução do lucro na comparação com o 1T18.

  • No 1T19, o lucro da CCR pró-forma foi de R$ 358 milhões (R$ 0,18 por ação), 19,9% menor que 1T18, mas revertendo o prejuízo do trimestre anterior;
  • Vale lembrar que o prejuízo no 4T18 foi consequência das provisões de R$ 750 milhões na RodoNorte, mais R$ 81,5 milhões do Termo de Autocomposição com o Ministério Público do Estado de São Paulo e R$ 71,2 milhões decorrente do Programa de Incentivo à Colaboração;
  • No 1T19, o tráfego nas nove concessões rodoviárias administradas pela CCR declinou 1,2%, comparado ao 1T18.

Ecorodovias (ECOR3)
Queda no tráfego e no lucro do 1T19

A Ecorodovias divulgou seus resultados do 1T19 na noite de ontem, apresentando queda no tráfego, redução na receita, expressiva contração das margens e diminuição do lucro, na comparação com o mesmo trimestre de 2018.

  • No 1T19, excluindo os efeitos dos resultados mantidos para venda, o lucro líquido foi de R$ 84 milhões (R$ 0,15 por ação), 42,4% menor que 1T18, mas 19,1% superior ao trimestre anterior;
  • No 1T19, o tráfego caiu 1,9% nas sete rodovias administradas pela Ecorodovias, sempre comparando ao 1T18. A queda ocorreu puxada pela redução no número de veículos pesados que transitaram nas estradas (6,5%), dado que a quantidade de pesados aumentou 1,9%.

Magazine Luiza (MGLU3)
Acordo para aquisição de 100% das ações da Netshoes por US$ 62 milhões e aprovação de crédito fiscal de R$ 750 milhões

Em fato relevante divulgado ontem (29/04) o Magazine Luiza comunicou um acordo para aquisição da totalidade das ações representativas do capital social da Netshoes (Cayman) Ltd por um preço por ação de USD2,00, perfazendo um preço total estimado de aproximadamente USD 62 milhões.

O Magazine Luiza avisa que manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre a conclusão e demais informações da Operação, nos termos da legislação aplicável.

Embora os números da Netshoes não tenham sido apresentados, acreditamos que os dois eventos deverão trazer resultados positivos para a companhia nos próximos períodos, sem concluídos integralmente.

Ontem a ação MGLU3 encerrou cotada a R$ 178,51 acumulando queda 0,2% neste ano, mas vindo de valorizações expressivas nos últimos 3 anos.


Taesa (TAEE11)
Conclusão da compra de 23% das ações da ETAU e dividendos adicionais

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. – Taesa concluiu ontem (29/abril) a aquisição de 23,0355% das ações da Empresa de Transmissão do Alto Uruguai S.A. – ETAU, por meio do pagamento do valor de R$ 32,88 milhões, após o cumprimento de todas as condições precedentes aplicáveis. Após a conclusão dessa operação, a companhia, que antes detinha participação acionária de 52,5838% na ETAU, passa a deter 75,6193% do total das ações da ETAU.

  • Dividendos adicionais. Na AGOE da companhia realizada dia 29 de abril foi aprovado a destinação do Lucro Líquido do exercício de 2018, com uma distribuição de R$ 57,2 milhões a título de dividendos adicionais, os quais serão pagos no dia 14 de maio de 2019, com base na posição acionária do dia 3 de maio de 2019. A partir do dia 6 de maio de 2019 as ações passarão a ser negociadas “ex-dividendos” na B3. O retorno esperado é de 0,6%.
  • Ao preço de R$ 26,15 (valor de mercado de 9,0 bilhões) suas Units registram alta de 10,9% este ano. Nesse preço os múltiplos para 2019 são: P/L de 11,4x e VE/EBITDA de 10,1x. O preço justo de R$ 28,00/Unit comtempla um potencial de alta de 7,1%.

Cesp S.A. (CESP6)
Ex-dividendos a partir de hoje 30/abril

A Assembleia Geral Ordinária da companhia realizada ontem (29/abril) aptovou o pagamento de dividendos referentes a 2018, no montante total de R$ 297,3 milhões, equivalente a R$ 0,8866341297 por ação PNB.

  • Será considerada a data base de 29 de abril de 2019, sendo as ações da companhia, negociadas ex-dividendo a partir de hoje, 30 de abril de 2019.
  • O pagamento será realizado em 15 de maio de 2019. O retorno foi de 3,3%.

Sonae Sierra (SSBR3)
Aprovação de dividendos de R$ 34,7 milhões (R$ 0,455 por ação). “Ex” hoje (30/4)

Em Assembleia realizada ontem (29/04) foi aprovado o pagamento de dividendos no valor de R$ 34.773.000,00, equivalentes a R$ 0,455 por ação.

  • As ações já estarão “ex” direitos nesta terça-feira (30/04);
  • Não foi mencionada a data para pagamento.

Ontem a ação SSBR3 encerrou cotada a R$ 29,33 acumulando valorização de 13,8% no ano. Sobre esta cotação o retorno para os acionistas será de R$ 1,53%.


JSL S.A. (JSLG3)
Cancelamento do IPO da Vamos

A Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos S.A, decidiu ontem (29) cancelar sua oferta pública de ações (IPO), a qual era prevista para a noite de ontem na B3.

A Vamos é líder no Brasil no setor de locação de caminhões, máquinas e equipamentos, com uma frota de mais de 11 mil ativos locados, operando nesse segmento há mais de 20 anos através da JSL S.A.

Por meio de uma reestruturação do grupo JSL, a Vamos foi constituída com o objetivo de consolidar todas as atividades de locação de longo prazo de caminhões, máquinas e equipamentos, sem operador, com ou sem manutenção, além da rede de concessionárias de caminhões e ônibus da Volkswagen/MAN, das concessionárias de máquinas e equipamentos agrícolas da marca Valtra e da rede de lojas de seminovos.

Segundo informações do jornal Valor, os bancos coordenadores não viram demanda suficiente para o nível de preço que a companhia esperava, decidindo assim pela suspensão da operação.

Na última sexta-feira a demanda chegou a R$ 1,2 bilhão, conforme esperado pela companhia, mas arrefeceu, dado que a pressão no preço partiu principalmente de assets locais, receosos com o desempenho JSL e Movida, do mesmo grupo, que teve a oferta abaixo do projetado.


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