Investidores atentos a decisão do Fomc

MERCADO


Bolsa
Após superar os 100 mil pontos, o Ibovespa recuou com investidores atentos às bolsas americanas que tem nesta-quarta feira a decisão do Fomc que deve manter o juro estável no País. Após acumular alta nos últimos pregões, uma realização de lucros é natural, mesmo porque o texto para a Previdência dos militares pode ainda causar algum desconforto. No fechamento o Ibovespa marcou queda de 0,41% aos 99.588 pontos, com giro financeiro de R$ 17,6 bilhões. Entre as commodities o Brent para maio fechou em alta 0,10% a US$ 67,61 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), enquanto o WTI para maio caiu 0,15%, a US$ 59,29, na New York Mercantile Exchange (Nymex). No Brasil o destaque fica com a decisão do Copom quanto a Selic que deve ser mantida em 6,50%. Hoje pela manhã os mercados operavam sem direção definida e devem refletir a decisão do Fomc e possíveis indicações sobre as altas previstas para o ano nos EUA. Por aqui o noticiário político e o corporativo, com destaque para a demanda três vezes maior em emissão da Petrobras e a homologação pelo BC do aumento de capital de R$ 8 bilhões do Bradesco.

Câmbio
O dólar voltou a cair ontem, pela terceira vez consecutiva, refletindo o ambiente mais calmo em relação à proposta da Previdência que hoje deverá ser testada pela apresentação do estudo para os militares. O dólar à vista fechou em queda de 0,06%, cotado em R$ 3,7891. Para abril a moeda recuava 0,07%, a R$ 3,7925, perto do fechamento.

Juros
Os juros futuros de longo prazo terminaram a terça-feira em queda com a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 em 6,360%, de 6,355% no ajuste da segunda-feira. O DI para jan/25 encerrou em 8,49% de 8,541% na véspera.

 

ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Suzano (SUZB3)
Proposta de pagamento de dividendos no valor de R$ 600 milhões

A Suzano informou que, em Assembleia Geral Ordinária (AGO), cuja data prevista é para o dia 18 de abril, proporá o pagamento de dividendos aos acionistas no valor total de R$ 600 milhões.

Descrição:

  • Valor total de Pagamento: R$ 600 milhões;
  • Valor por ação; R$ 0,4447;
  • Retorno para o acionista (Dividend yield): 1% sob a última cotação;
  • Data “ex” dividendos: 19 de abril;
  • Data de pagamento: 30 de abril.

Ontem a ação as Suzano (SUZB3) encerrou cotada a R$ 45,38 acumulando valorização de 19,2% neste ano, a despeito da alta de 104,7% em 2018. O valor de mercado da companhia é de R$ 61,2 bilhões e a ação está sendo negociada a 4,13x o valor patrimonial.


Randon (RAPT4)
Excelente resultado em 2018

A Randon divulgou seus números do 4T18 nesta manhã, mostrando um forte aumento de vendas, na receita e no lucro líquido na comparação com o mesmo período de 2018.  Porém aumentos de custos e despesas fizeram com que o resultado fosse um pouco pior em relação ao trimestre anterior.

  • No 4T18, a Randon lucrou R$ 35,4 milhões (R$ 0,10 por ação), valor 14,9% menor que no 3T18, mas 891,2% acima do obtido no 4T17;
  • Em 2018, a Randon obteve um ótimo resultado, com um enorme salto nas vendas e na receita.  No entanto, os aumentos de custos das matérias primas limitaram a expansão das margens.  O lucro líquido em 2018 alcançou R$ 151,7 milhões (R$ 0,44/ação), que foi 224,8% maior que no ano anterior.

Vale (VALE3)
Justiça autoriza retomada das atividades em Brucutu

A empresa informou ontem, durante o pregão, que a 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte autorizou a retomadas das operações no complexo minerário de Brucutu, que inclui a barragem de Laranjeiras.

  • Porém, as operações em Brucutu permanecerão paralisadas, aguardando os desdobramentos desta decisão judicial no âmbito da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad);
  • Essa é outra boa notícia para a Vale, das poucas nos últimos dias, após o turbilhão que envolveu a empresa com o acidente na Mina Córrego do Feijão, que ocorreu no dia 25/janeiro.

Petrobras (PETR4)
Compensações da cessão onerosa

A imprensa informou ontem, durante e após o pregão, que o governo já tem um valor definido para ressarcir a Petrobras nas negociações da cessão onerosa (US$ 9 bilhões).  A este valor poderiam ser somados US$ 9 bilhões, a serem pagos pelos vencedores do leilão das áreas excedentes à cessão onerosa.

  • Se confirmada, esta seria uma excelente notícia para a Petrobras, independente da forma de pagamento (petróleo ou dinheiro);
  • O valor de US$ 18 bilhões é equivalente a 26% da dívida líquida da empresa ou a 57% do EBITDA gerado em 2018.

Energisa (ENGI11)
Forte resultado no 4T18 impactado por efeitos não recorrentes

A Energisa registrou no 4T18 um lucro líquido de R$ 674,5 milhões, com crescimento de 190% sobre o 4T17, acumulando em 2018 um lucro de R$ 1,2 bilhão (+106%), explicado por dois efeitos não recorrentes relacionados à aquisição da Ceron e Eletroacre: (i) R$ 891,2 milhões referentes à contabilização da combinação de negócios relacionada às distribuidoras adquiridas; e (ii) R$ 195,2 milhões relacionados à reversão de ativo fiscal.

  • Ao preço de R$ 42,30 as Units da Energisa registram alta de 15,8% este ano. Nesse preço o valor de mercado soma R$ 19,2 bilhões, e os múltiplos para 2019 são: P/L de 21,0x e VE/EBITDA de 12,2x.
  • O EBITDA ajustado consolidado totalizou R$ 1,9 bilhão no 4T18, aumento de 135% em relação ao 4T17. Em 2018, o EBITDA ajustado atingiu R$ 4,1 bilhões, aumento de 72% em relação a 2017. Os Custo e despesas controláveis consolidadas cresceram 18% no 4T18 e 6,4% em 2018.
  • Ao final de dezembro de 2018 o Caixa, equivalentes de caixa, aplicações financeiras e créditos setoriais consolidados atingiram R$ 6,2 bilhões em dezembro de 2018, bem acima dos R$ 3,2 bilhões em dezembro de 2017;
  • Na mesma base de comparação a Dívida líquida consolidada totalizou R$ 10,8 bilhões, contra R$ 7,2 bilhões em dezembro de 2017. A relação dívida líquida por EBITDA ajustado ficou em 2,7x ante 3,0x em 2017. Os investimentos consolidados foram de R$ 704,2 milhões no 4T18 e de R$ 2,0 bilhões em 2018.
  • Com base no resultado o conselho de administração da Energisa aprovou o pagamento a partir de 10 de abril, de dividendos intercalares no valor de R$ 54,4 milhões (R$ 0,15 por Unit). Terão direito os acionistas com posições de ações em 22 de março, com as ações sendo negociadas “ex” dividendos a partir de 25 de março. O retorno é de 0,35%.

 


Cosan S.A. (CSAN3)
Cosan Day 2019

A partir das informações reportadas no “Cosan Day 2019” vemos oportunidade de posicionamento na ação. Após um ano de 2018 desafiador, com aumento de custos, volatilidade e incertezas, que no conjunto pressionaram as margens, esperamos para 2019 melhora no resultado operacional e na lucratividade, norteada pelo guidance apresentado.

  • Ao preço de R$ 45,79/ação, equivalente a um valor de mercado de R$ 18,7 bilhões suas ações registram alta de 36,8% este ano. Os múltiplos para 2019 são: P/L de 12,1x e VE/EBITDA de 4,7x. O preço justo de R$ 52,00/ação (média Bloomberg) corresponde a um potencial de alta de 13,6%.
  • A Cosan realizou ontem (19/março) em São Paulo o seu “Cosan Day 2019” com destaque para os seus principais investimentos. Como pano de fundo em 2018, as incertezas pré-eleição; o risco inflacionário e volatilidade cambial; as oscilações nos preços internacionais de petróleo e commodities agrícolas; e a greve dos caminhoneiros em maio, aspectos que no conjunto, afetaram a demanda por combustíveis, lubrificantes e gás natural. Some-se a isso a forte quebra na safra de cana-de-açúcar com mudança relevante do mix de produtos, com queda na produção de açúcar sem contrapartida nos preços internacionais. Mesmo assim o desempenho da Cosan tem sido consistente, com crescimento de EBITDA e alavancagem adequada, terminando o ano de 2018 em 2,1x o EBITDA.
  • Em termos de retorno sobre o capital investido, o ROIC da Raízen Combustíveis reduziu-se de 22% em 2017 para 20% em 2018, mas ainda num patamar importante e com perspectiva de melhora para 2019. Na Raízen Energia, o ROIC caiu de 11% para 7%, na mesma base de comparação, por maior volatilidade no preço do açúcar. Na Comgas, elevou-se de 13% para 15%, mantendo-se em 9% no Moove. Na Rumo o retorno mostrou elevação de 6% em 2017 para 8% em 2018. Olhando as companhias Holdings, na Cosan S.A. o ROIC manteve-se estável em 12% com elevação na Cosan Limited (CZZ) de 9% para 10%.

Tomando por base o guidance para 2019, na Cosan S.A. Consolidado Proforma, o EBITDA esperado situa-se entre R$ 5,6 bilhões e R$ 6,0 bilhões, e se compara ao EBITDA


Bradesco S.A. (BBDC4)
BC homologa aumento de capital de R$ 8,0 bilhões. Ex em 1º de abril

A companhia divulgou dados projetados para os anos de 2019 e 2023 com crescimento médio ponderado de 10% para o período de 2018 a 2023 em termos de volume. A expectativa para o EBITDA é de um crescimento de 15% ao ano.

As projeções apresentadas mostram otimismo da companhia para os próximos anos.  A ação RAIL3 encerrou ontem cotada a R$ 20,46 acumulando valorização de 20,4% neste ano.


Cesp (CESP6)
Assinatura do contrato de concessão da UHE Porto Primavera por 30 anos

A Cesp informou que assinou ontem (19/mar) o Contrato de Concessão de Uso de Bem Público para Geração de Energia Elétrica nº 01/2019 – Aneel, que regula a exploração da UHE Porto Primavera por 30 anos, por meio do regime de Produção Independente de Energia Elétrica. Segundo o comunicado, “neste momento, aguarda-se a formalização do documento pela Aneel, a partir do que passará a ser contado o prazo da outorga”.

  • A Usina Hidrelétrica de Porto Primavera é o maior ativo da Cesp, privatizada no ano passado, com 1.540 MW de capacidade instalada.
  • Cotadas a R$ 24,65/ação (valor de mercado de R$ 8,1 bilhões) as CESP6 registram alta de 13,1% este ano e valorização de 54,5% em doze meses.

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