Resultados corporativos e o ambiente ruim do lado externo

MERCADO


Bolsa
Em dia de liquidez reduzida (R$ 11 bilhões), o Ibovespa encerrou a quarta-feira com queda de 0,30% aos 97.308 pontos. Sem novidades de lado doméstico e também no exterior, o mercado se prepara para o fechamento do mês e aproximação do feriado prolongado de carnaval. O destaque de hoje entres os resultados corporativos fica para a Petrobras que trouxe um bom resultado após uma sequência de prejuízos. Embora esperado, o desempenho poderá dar um ânimo às ações da empresa. Além disso, ontem o petróleo WTI teve alta forte de 2,59%, cotado a US$ 56,94 o barril na Nymex e o Brent fechou a US$ 66,58 o barril, na ICE, alta de 1,87%. A alta foi motivada pela possibilidade de que a Opep mantenha o corte na oferta da commodity. Hoje a agenda econômica traz o PIB brasileiro do 4T18 com alta de 0,1% no T/T e de 1,1% no acumulado de 2018. Outros dados importantes saem ainda nesta manhã, no Brasil e nos EUA. A expectativa formada em torno de avanço nas conversas entre Donald Trump e Kim Jong Un fracassou e as bolsas internacionais refletem este fato, com queda na zona do euro, no fechamento da Ásia e nos futuros de NY. A bolsa doméstica, tem hoje duas referências para definir seu rumo, os resultados corporativos e o ambiente ruim do lado externo.

Câmbio
O dia foi de baixa para a moeda americana (0,40%), fechando cotada a R$  3,7302,  o menor valor em uma semana. A disputa para a formação da Ptax de fevereiro, que será usada na liquidação e ajustes de contratos futuros de câmbio e de swap cambial, deverá novamente influenciar este mercado hoje.

Juros
Os juros futuros tiveram dia de queda com a do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 em 6,460%, de 6,480% na véspera e para jan/25 a taxa do DI para jan/25 recuou para 8,73%, de 8,762%.

 

ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

Fleury (FLRY3)
Lucro líquido de R$ 509,3 milhões 2018, queda de 0,7% em relação a 2017

A Fleury mostrou bom crescimento no resultado de 12 meses com evolução de 11,3% na receita líquida e 11,8% no EBITDA. No comparativo do 4º trimestre estas contas também mostraram evolução significativa, mas o resultado líquido caiu de R$ 64,6 milhões no 4T17 para R$ 58,2 milhões no 4T18.

Eventos de 2018: Aquisição da Santécorp para desenvolvimento do canal para oferta de soluções de saúde corporativa e coordenação de cuidado.  Novas operações em hospitais: Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, em jan/2019; e Hospital Sírio Libanês, em Brasília, em fev/2019.

Dividendos: Anúncio em fev/2019 de distribuição de R$ 217,3 mi em dividendos referentes a 2018 que, somados aos JCP já pagos, totalizam R$ 315,0 mi sobre o resultado de 2018, com payout de 95% e dividend yield de 4,8%.

 Ontem a ação FLRY3 encerrou cotada a R$ 20,62 com valorização de 4,9% no ano.


EDP Energias do Brasil (ENBR3)
Lucro líquido ajustado do 4T18 em linha com o esperado

A EDP registrou um lucro líquido de R$ 524,1 milhões no 4T18, com crescimento de 161% em relação ao lucro do 4T17, principalmente em função do aumento da margem e da melhora do resultado. O lucro líquido ajustado (excluindo a receita de construção) cresceu 44% para R$ 283,4 milhões.

  • No acumulado do ano de 2018 o lucro somou R$ 1,3 bilhão (+108%) sendo de R$ 952,1 milhões em base ajustada (+66%), explicado notadamente por crescimento do resultado operacional e consequente aumento do EBITDA e melhor resultado financeiro. Destaque em 2018 ainda para a receita líquida de R$ 12,9 bilhões (+9,6%) e o EBITDA ajustado de R$ 2,3 bilhões (+9,4%)
  • Ao preço de R$ 18,61/ação as ENBR3 registram alta de 32,7% este ano. Nesse preço, equivalente a um valor de mercado de R$ 11,3 bilhões, os múltiplos para 2019 são: P/L de 11,3x e VE/EBITDA de 6,4x. O preço justo de R$ 18,85/ação (média Bloomberg) corresponde a um potencial de alta de 1,3%.
  • Ao final do trimestre a sua dívida líquida era de R$ 4,4 bilhões (1,6x o EBITDA) e abaixo de 2,0x em dez/17, demonstrando sua capacidade de continuar investindo e mantendo a disciplina financeira. O custo médio da dívida da companhia fechou o ano em 8,6% abaixo de 11,1% no final de 2017. O prazo médio da dívida consolidada atingiu 3,7 anos.

Marfrig (MRFG3)
Lucro líquido de R$ 2,2 bilhões no 4T18

A companhia registrou no 4T18 um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões, explicado por crescimento do resultado operacional e incremento de margem; do efeito positivo do câmbio nos negócios da companhia e na dívida, e notadamente pelo impacto positivo do ganho de capital advindo da venda da Keystone. Esse resultado reverteu o prejuízo acumulado até o 3T18, fechando o ano de 2018 com um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão.

  • Considerando os números da Operação Continuada, a companhia registrou prejuízo de R$ 1,25 bilhão no 4T18 que se compara ao prejuízo de R$ 212 milhões do 4T17. Suas ações registram queda de 1,5% este ano para R$ 5,38/ação equivalente a um valor de mercado de R$ 3,3 bilhões.
  • O CEO da companhia, em entrevista ontem (27/fev) disse que “não descarta uma oferta de ações dos EUA entre as opções para destravar valor e reduzir o custo de crédito, embora não haja qualquer movimentação em curso, e que a empresa está aberta a boas soluções”.
  • O EBITDA ajustado no 4T18 somou R$ 881 milhões, 18% acima dos R$ 747 milhões do 4T17, com a margem EBITDA ajustada de 8,3% acima de 7,9% de igual trimestre do ano anterior. A receita líquida da Marfrig somou R$ 10,6 bilhões no 4T18, 21% superior ao 3T17(R$ 9,5 bilhões) explicado principalmente, pela depreciação do real em relação ao dólar, que compensou o menor abate na Operação América do Sul.
  • Ao final de dez/18 a dívida líquida da Marfrig era de US$ 2,07 bilhões, equivalente a R$ 8,0 bilhões. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA era de 2,4x em reais (abaixo da meta de 2,5x estabelecida no plano “Focar para Ganhar”) e 2,3x em dólares.

Gol (GOLL4)
Bom desempenho no 4T18, mas com prejuízo de R$ 780 milhões em 2018

A Gol encerrou  o 4T18 e o ano de 2018 com boa evolução nos indicadores operacionais  e com taxa de ocupação de 80,0%, ligeiramente superior ao ano de 2017.

  • O volume total de decolagens GOL foi de 63.431, decréscimo de 2,3% no 4T18 em comparação ao 4T17.
  • A receita líquida do 4T18 foi R$3,2 bilhões, crescimento de 10,1%, quando comparada ao 4T17, devido principalmente ao aumento de receita de passageiros no mercado doméstico e de receitas com franquia e excesso de bagagem na comparação com igual período no ano passado, com aumento dos RPKs em 3,5% para 10.244 milhões no 4T18.
  • O lucro operacional (EBIT) registrado no quarto trimestre foi de R$ 672,4 milhões, aumento de 74,0% em comparação ao mesmo período de 2017.

A companhia revisou seu guidance para 2019 e 2020 com poucas alterações mas premissas disponibilizadas em relação aos dados anteriores.

A ação GOLL4 encerrou ontem cotada a R$ 27% no ano,30 com alta de 8,8.


Petrobras (PETR4)
Fatores não recorrentes reduzem fortemente o lucro do 4T18

Nos resultados divulgados ontem, após o pregão, a Petrobras mostrou que no 4T18, comparado ao mesmo período de 2017, sofreu pequena queda nas vendas, mas obteve aumento de receitas e margens operacionais.
• Em relação ao trimestre anterior, os números do 4T18 apresentaram reduções das vendas, nos preços (reflexo da queda na cotação do petróleo), na receita e nas margens da operação. Porém, a forte contração do lucro líquido ocorreu devido, principalmente, à contabilização de fatores não recorrentes (impairment, acordo com a ANP e perdas com contingências), no valor total de R$ 6,3 bilhões;
• No 4T18, a Petrobras apresentou um lucro líquido de R$ 2,1 bilhões (R$ 0,16 por ação), que foi 68,3% menor que no trimestre anterior, mas reverteu o prejuízo de R$ 5,5 bilhões sofrido no 4T17;
• Em 2018, a Petrobras obteve um excelente resultado, revertendo uma sequência de quatro prejuízos anuais seguidos. Porém, o ano foi difícil, com redução nas vendas totais (5,4%), mas que foi largamente compensada com o aumento dos preços. Assim, a empresa obteve um lucro líquido de R$ 25,8 bilhões (R$ 1,98/ação);
• O Conselho de Administração da Petrobras aprovou ontem a distribuição de dividendos aos detentores de ações preferenciais no valor de R$ 106,7 milhões (R$ 0,019236 por ação atualizado até 31/dezembro). O pagamento será feito no dia 25 de maio, com base nas posições acionárias em 25/abril.


Ambev (ABEV3)
Resultados fracos no 4T18

A empresa apresentou hoje seu resultado do 4T18, que comparado ao 4T17, foi fraco, com queda nos volumes vendidos, aumento das receitas (pela elevação dos preços), diminuição das margens operacionais e do lucro líquido.

  • O lucro líquido ajustado da Ambev no 4T18 foi de R$ 3,3 bilhões (R$ 0,24 por ação), que foi 17,3% menor que no 4T17;
  • A Ambev em 2018 sofreu com a queda nas vendas (2,5%), mas que foi compensada pelos aumentos dos preços, fazendo com que a receita aumentasse 4,9%.  Porém, custos de produção maiores fizeram com que ocorressem decréscimos nas margens operacionais.  Dessa forma, o lucro líquido ajustado de 2018 ficou em R$ 11,4 bilhões (R$ 0,72/ação), que comparado ao número nas mesmas bases do ano anterior mostrou uma queda de 6,7%.

BRF S.A. (BRFS3)
Prejuízo de R$ 2,1 bilhões no 4T18

A companhia publicou seus resultados referentes ao 4T18 e ao exercício de 2018. Dentre os destaques financeiros, o prejuízo líquido de R$ 2,1 bilhões no 4T18 acumulando prejuízo de R$ 4,5 bilhões no ano passado. Ao preço de R$ 21,60/ação (valor de mercado de R$ 17,6 bilhões) suas ações registram queda de 1,5% este ano.

  • A Receita líquida no 4T18 somou R$ 9,5 bilhões (+7,2% em 12 meses), acumulando em 2018, R$ 34,5 bilhões, com creecimento de 3,2% ante o ano de 2017. O EBITDA Ajustado somou R$ 841 milhões no 4T18 (+30% em 12m) e de R$ 2,6 bilhões em 2018, com queda de 8,4% em relação a 2017. A margem EBITDA ajustado foi de 8,8% no 4T18 (+1,6pp) e de 7,6% em 2018 (-1,0pp).
  • Dentre os destaques financeiros, a alavancagem líquida pro forma da companhia era de 5,1x ao final do trimestre, sensibilidada pela venda de ativos na Argentina, Europa e Tailândia combinada com a recuperação do resultado operacional durante o 2S18. A geração de caixa operacional (pro forma) foi R$ 1,3 bilhão no 4T18 e de R$ 1,7 bilhão em 2018.
  • Ontem a companhia informou que decidiu, em 22 de fevereiro de 2019, pelo encerramento da linha de crédito rotativo (“Revolving Credit Facility”), contratado em 2014, no valor de US$ 1,0 bilhão. O encerramento se deu em função da inexistência de necessidade de liquidez adicional até o vencimento programado dessa linha em 31 de maio de 2019.

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