O novo texto da Previdência e seus reflexos na Bolsa

MERCADO


Bolsa
Ontem a bolsa fechou em alta de 0,40% aos 96.932 pontos e giro financeiro de R$ 16,2 bilhões. No entanto, operou boa parte do dia em queda, influenciada pelas primeiras manifestações em torno do texto da Previdência e sinais de indicadores mais fracos divulgados nos Estados Unidos ainda na parte da manhã. Os dados de pedidos de bens duráveis vieram abaixo do esperado. Assim a recuperação só veio perto do encerramento. Em dia de agenda fraca, destaque para a divulgação do Índice FGV Confiança do Consumidor de fevereiro em 96,1 abaixo de 96,6 da leitura anterior. Bolsas europeias e futuros americanos operam em alta com a possibilidade de avanços na negociação que alivie a guerra comercial entre EUA e China. Teremos também, ao longo do dia a fala de dirigentes do Fed e do presidente do BCE. Por aqui, o noticiário político em torno da reforma da Previdência e os resultados corporativos das empresas.

Câmbio
Ontem o dia foi de alta para o dólar após o conhecimento do texto da reforma da Previdência somado aos assuntos que dominam o mercado internacional. Ao final o dólar à vista fechou com valorização de 0,75% a R$ 3,7598.

Juros
O mercado de juros futuros acompanhou o movimento de alta do câmbio e encerrou a sessão com a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para jan/20 em 6,445%, de 6,415% no ajuste de quarta-feira. A taxa do DI para jan/25 era negociada a 8,71%, de 8,722% no dia anterior.



ANÁLISE DE SETORES E EMPRESAS

B3 (B3SA3)
Resultado recorrente do 4T18 em linha com o esperado

A B3 reportou seus resultados referentes ao 4T18 com destaque para o lucro líquido recorrente de R$ 715,0 milhões (em linha com o esperado) com crescimento de 12,5% em relação ao 4T17 e alta de 16,5% em relação ao lucro recorde do 3T18. O crescimento do resultado no 4T18 em base de doze meses refletiu a evolução de volumes e receitas em todos os segmentos da companhia, resultando numa receita líquida de R$ 1,5 bilhão, acima do esperado. O EBITDA recorrente de R$ 913,7 milhões, embora 36% acima di igual trimestre do ano anterior, veio em linha com as expectativas de mercado.

  • Nesse contexto, o lucro recorrente em 2018 cresceu 26% para R$ 2,6 bilhões, explicado por crescimento de 20,6% na Receita Total que somou R$ 5,35 bilhões. O rigoroso controle de custos e das despesas, conduziu ao crescimento de 28,8% do EBITDA recorrente para R$ 3,42 bilhões com +3,2pp de acréscimo na margem ebitda para 70,9%. O foco permanece na expansão do portfólio de produtos, na melhoria dos serviços oferecidos ao mercado e no estreitamento do relacionamento com clientes e intermediários financeiros.
  • Ontem suas ações fecharam cotadas a R$ 32,35/ação, correspondente a um valor de mercado de R$ 66,6 bilhões e alta de 20,7% este ano, acima da valorização de 10,3% do Ibovespa. Nesse patamar os múltiplos para 2019 são: P/L de 22,6x e VE/EBITDA de 16,8x.
  • Com base nos resultados e nas perspectivas, a companhia divulgou novas projeções relacionadas à alavancagem financeira e distribuição de lucro para os acionistas e reafirmou as demais projeções para 2019.
  • Endividamento para o final de 2019: o alvo da companhia é uma alavancagem de 1,5x Dívida total/EBITDA recorrente dos últimos 12 meses, acima de 1,0x previstos anteriormente. Quanto à distribuição de lucro para os acionistas, a companhia tem como alvo para 2019 distribuir de 120% a 150% (anteriormente, entre 70% e 80%) do seu lucro líquido societário aos seus acionistas, na forma de juros sobre capital próprio, dividendo e/ou recompra de ações.

Magazine Luiza (MGLU3)
Lucro líquido de 2018 soma R$ 597,4 milhões, crescimento de 53,6% sobre 2017

O Magalu divulgou mais um trimestre de crescimento expressivo nas principais contas. No 4T18, o lucro líquido totalizou R$ 189,6 milhões com crescimento de 14,5% em relação ao 4T17 (margem líquida de 4,1%) e um ROE de 33% e ROIC de 39%. Mais um bom desempenho da empresa, reafirmando a trajetória de crescimento dos últimos anos, com destaque no 4T18 para:

  • Crescimento de 57,4% no e-commerce, atingindo R$ 2,2 bilhões e 37,7% das vendas totais;
  • Evolução de 24,2% nas vendas de lojas físicas e mais 16,1% nas vendas mesmas lojas;
  • As vendas totais cresceram 35% para R$ 5,9 bilhões, acumulando R$ 19,8 bilhões no ano;
  • A receita líquida do 4T18 atingiu R$ 4,61 bilhões, crescimento de 27,3% sobre o 4T17 e no ano a receita líquida foi de R$ 15,6 bilhões, aumento de 30,1%.
  • O EBITDA também mostrou forte evolução nos dois períodos comparativos
  • O lucro líquido R$ 189,6 milhões (14,5% sobre o 4T17) e no ano o resultado líquido foi de R$ 597,4 milhões, aumento de 53,6% sobre 2017;
  • A Companhia encerrou o trimestre com uma posição total de caixa de R$ 2,6 bilhões, considerando caixa e aplicações financeiras de R$1,0 bilhão mais R$ 1,6 bilhão em recebíveis de cartão de crédito. O caixa líquido ficou em R$ 2.2 bilhões.

A ação MGLU3 encerrou ontem cotada a R$ 161,10 acumulando queda de 10,7% no ano. A ação está bem precificada neste momento.


Hypera (HYPE3)
Resultado líquido de 2018 soma R$ 1,13 bilhão, crescimento de 17,8% sobre 2017

Um bom resultado em 2018, mostrando que a empresa segue em ritmo de crescimento, nos diversos segmentos de medicamentos. Em 2018 a companhia registrou crescimento nas principais contas de resultado.

A Companhia estabeleceu a seguinte projeção financeira (“guidance”) para o exercício de 2019:

  • Lucro Líquido ao redor de R$ 1, 23 bilhão.

A ação HYPE3 faz parte de nossa Carteira Dinâmica no momento. Vemos a empresa como uma boa alternativa de médio prazo pela sua presença marcante no setor, que vem crescendo de forma consistente nos últimos anos e com perspectivas positivas. Ontem a ação HYPE3 encerrou cotada a R$ 28,90 com queda de 4,3% no ano.


Localiza ON (RENT3)
Bons resultados no 4T18 e no ano

Os resultados da Localiza no 4T18, comparado aos números ajustados do mesmo período de 2017, mostraram forte aumento na receita, mas com perda de margem, coerente com os últimos trimestres de integração com a Hertz e dentro do mercado de grande competição.  Em relação ao trimestre anterior, os resultados do 4T18 foram muito bons, com ganhos de receita e margem, já fruto da consolidação.

  • O lucro líquido da Localiza no 4T18 foi de R$ 181 milhões (R$ 0,25 por ação), valor 13,4% maior que no trimestre anterior e 4,0% acima do 4T17;
  • Em 2018, a Localiza obteve um excelente resultado, com forte crescimento da receita (30,3%), EBITDA (21,0%) e lucro líquido (17,0%);
  • O resultado líquido de 2018 atingiu R$ 659 milhões (R$ 0,91/ação), um valor 17,0% acima do ano anterior.

Suzano (SUZB3)
Bons resultados no 4T18, a despeito da pressão no mercado de celulose na China. Fibria, por maior dependência com mercado chinês, registra maior pressão nas vendas de celulose impactando o resultado

  • Destaques Suzano :
    • Geração de caixa operacional e EBITDA Ajustado recordes: R$ 5,5 bilhões (+57,8% a/a) e R$ 6,8 bilhões (+47,7% a/a – margem de 50,7%) , respectivamente;
    • A despeito do cenário desafiador no mercado chinês no final do ano, o preço médio de celulose foi de US$ 757/ton no 4T18;
    • Custo caixa impactado pelos insumos dolarizados: R$ 628/ton, 4,8% superior a 2017.
    • Consolidação do incremento do preço do papel nos mercados doméstico e internacional, apresentando EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses recorde de R$ 1.064/ton.
    • Disciplina de Capital: investimentos em linha com o orçamento inicial;
    • Dividendos: proposta de distribuição no valor de R$ 600 milhões;
    • Rating: obtenção do Investment Grade pela agência Standard & Poor’s (S&P) e reafirmação de Investment Grade pela agência Fitch Ratings;
    • Listagem de American Depositary Receipts (ADRs), na Bolsa de Nova Iorque (NYSE) através do símbolo SUZ;
    • Combinação de ativos com a Fibria concluída: pagamento de R$ 27,8 bilhões aos acionistas da Fibria, e conversão de 01 ação da Fibria por 0,4613 ação da Suzano mais uma parcela em caixa de R$ 50,20/ação.

    Destaques Fibria:

    • Receita líquida: R$ 4,0 bilhões no 4T18 (-1% a/a) e R$ 18,3 bilhões em 2018 (56% a/a);
    • EBITDA Ajustado: R$ 1,9 bilhão no 4T18 (-1% a/a), margem de 54% e R$ 9,5 bilhões em 2018 (93% a/a), margem de 58%;
    • Resultado Financeiro: R$ 432 milhões no 4T18 e negativo de R$ 2,9 bilhões em 2018;
    • Lucro Líquido: R$ 1,5 bilhão no 4T18 (margem de 37,5%) e R$ 3,0 bilhões em 2018 (margem de 16,5%);
    • Dívida líquida: R$ 14,1 bilhões (US$ 3,6 bilhões);
    • Dívida líquida / EBITDA: 1,5x ante 1,3x no 3T18 e 2,5x no 4T17.

    Ontem a ação da Suzano (SUZB3) encerrou cotada a R$ 47,64 acumulando valorização de 25,1% neste ano, após alta de 104,7% em 2018. O valor de mercado atual da companhia é de R$ 64,3 bilhões e suas ações estão sendo negociadas a 4,34x o valor patrimonial.


Gerdau (GGBR4)
Teleconferência de resultado do 4T18 mostra empresa otimista para 2019

Na tarde de ontem, a Gerdau promoveu uma teleconferência para discutir os resultados do 4T18 e suas perspectivas.  A empresa está bastante otimista quanto ao seu desempenho em 2019 em todos os mercados de atuação, com destaque para o Brasil e Estados Unidos.

Os resultados da Gerdau no 4T18 foram fracos como o esperado.  A empresa teve uma forte redução nas vendas, que levou a perdas de margens e uma diminuição expressiva no lucro em relação ao trimestre anterior.  No 4T18, a Gerdau apresentou um lucro líquido consolidado de R$ 389 milhões (R$ 0,23 por ação), que menor 61,0% menor que no trimestre anterior.  A comparação com o 4T17 fica prejudicada, porque naquele período a Gerdau contabilizou um elevado impairment.

Os principais assuntos discutidos na teleconferência foram os seguintes:

  • Perspectivas para 2019:

– Brasil – A retomada na economia deve impulsionar a indústria (aços especiais) e a construção civil (aços longos comuns).  As vendas no varejo devem continuar aquecidas.  Espera-se um crescimento entre 6% e 7% na demanda doméstica;

– América do Norte – Expectativas continuam positivas para a economia do Estados Unidos, tanto na indústria automobilística quanto na construção não residencial.  A restrição às importações nos EUA mantém os preços elevados;

– América do Sul – Destaque para o Peru e Colômbia, onde a economia deve crescer acima de 3% este ano;

  • Investimentos: Foram de R$ 1,2 bilhão em 2018, devendo subir para R$ 2,2 bilhões este ano e R$ 2,4 bilhões em 2020;
  • Alto Forno Nº. 1: Parada para manutenção deve ocorrer em junho/19, por 60 dias.  O aumento dos estoques já está ocorrendo para atender aos clientes no período de parada do forno.  Esta paralisação não comprometerá a produção no Brasil;
  • Prêmio (diferença entre os preços no Brasil e Exterior) está “zerado”.  Isso abre espaço para aumentos de preços no mercado interno;
  • Sucata: Preço em queda no exterior amplia a rentabilidade;
  • Mineração:

– A produção é destinada apenas a atender o consumo interno e não existe a intenção de expansão para exportar;

– A Gerdau tem duas barragens de rejeitos, sendo uma já desativada e outra em operação;

– Apenas 15% da produção de minério é feita usando barragem de rejeitos;

– Serão investidos R$ 300 milhões até 2021 para desativação da barragem que hoje está operando;

  • Tarifas de importação: Segundo o governo, só devem cair quando se criar no país condições de competição justa com o produto importado.

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