Banco do Brasil – Relatório de Análise

Trimestral acima do esperado e foco na melhora de rentabilidade e qualidade do crédito

O Banco do Brasil registrou no 4T18 um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões (ROAE de 16,3%) acima de nossa estimativa, com crescimento de 21% em relação ao 4T17. No acumulado de 2018 o lucro ajustado cresceu 22% para R$ 13,5 bilhões com ROAE de 13,9% (+1,6pp), explicado principalmente por (i) redução das despesas de PDD; (ii) crescimento das rendas de tarifas; (iii) aliado ao forte controle dos custos. O BB conseguiu entregar todas as linhas do guidance no ano passado e para 2019 as expectativas são ainda melhores, com destaque para o crescimento do lucro líquido ajustado. Dessa maneira, o banco segue focado no crescimento de suas operações e no incremento de rentabilidade. Revisitamos nossas projeções de crescimento, retorno e de custo de capital, considerando ainda as expectativas para 2019, e elevamos o preço justo de R$ 52,00/ação para R$ 62,00/ação.

A Margem Financeira Bruta (MFB) do 4T18 registrou piora em ambas as bases de comparação, permanecendo em queda no acumulado de 2018, sensibilizada pelo baixo crescimento da carteira de crédito, notadamente no segmento PJ e no Agronegócio. O resultado de tesouraria foi impactado negativamente pelo resultado com derivativos e marcação a mercado. As Despesas com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) permaneceram em queda, contribuindo de maneira decisiva para o crescimento da Margem Financeira Líquida. Destaque para a redução de provisão da carteira do Agronegócio e a maior recuperação de crédito no período. As Despesas de PDD (líquidas de recuperação de crédito) caíram 19% no 4T18 em relação ao 4T17 para R$ 3,2 bilhões. Em 2018 a PDD recuou 29% para R$ 14,2 bilhões, resultando numa Margem Financeira Líquida de R$ 35,4 bilhões, com alta de 8,6% em relação a 2017.

O decréscimo de PDD aliado ao crescimento das receitas de serviços e ao sólido controle das despesas administrativas, explicam boa parte do incremento do lucro líquido, tanto no trimestre quanto no acumulado do ano, sendo que o bom resultado das rendas de tarifas está ligado diretamente ao desempenho dos negócios. Some-se o melhor relacionamento com os clientes, a utilização de plataforma digital como alavanca de consumo de produtos e pacotes de serviços. As Despesas Administrativas (Pessoal e Outras Administrativas) permaneceram sob controle e registraram crescimento de 0,6% em 2018, notadamente abaixo da inflação. O Índice de Eficiência (IE) permaneceu praticamente estável em base trimestral (-0,2pp) para 38,5%, refletindo o controle das despesas nesta base de comparação.

A carteira de crédito ampliada registrou crescimento de 1,0% no trimestre e 1,8% em doze meses para R$ 697,3 bilhões, com destaque para as linhas de crédito consignado, imobiliário, cartão de crédito e empréstimo pessoal. No desempenho em doze meses destaca-se o crescimento em PF (+2,7%), +0,7% em PJ e +0,2% no agronegócio. O índice de inadimplência (NPL >90 dias) permanece com tendência de queda. Ao final de dez/18 era de 2,53% ante 2,82% em set/18. O banco mantém cobertura compatível com o perfil de risco de sua carteira, sendo de 220,7% ao final do 4T18.

 

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