Prezado Sr.(a),

O Brasil tem um novo presidente-eleito: Jair Messias Bolsonaro.

A eleição de Jair Bolsonaro é um marco na história do Brasil, não somente pela quebra da longínqua polarização PT x PSDB, mas sobretudo pela resposta de seus mais de 10 milhões de votos adicionais em relação a seu adversário. Uma vitória fundamentada nas promessas de campanha que resultam em forte reposicionamento da sociedade brasileira. Trata-se de uma guinada à direta, um passo enorme em relação ao que temos vivenciado na economia, política interna e externa, educação, cultura, saúde e segurança pública.

Em verdade, a repulsa de nossa sociedade advém das várias crises que estamos passando. A crise econômica que assolou o país, com reflexos tão nefastos para o emprego e a renda, acompanhada da corrupção desmedida, também aflorou o sentimento de resgate da moral de nosso povo. Jair Bolsonaro representa isso, um caminho alternativo para nossas mazelas. Um ponto fora da curva em relação ao politicamente correto e uma esperança de realinhamento para a ordem e o progresso. Sua plataforma de governo, pouco explorada, contém a essência do que se espera: não um salvador da pátria, mas um governo técnico e honesto… basta para iniciarmos a reconstrução do Brasil.

Pelo lado da estruturação de um governo tecnocrata, parece que teremos um governo com “Superministros” – e todos com plena autonomia para montar suas equipes. Dentre eles figuram nomes como Paulo Guedes (Economia), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), General Augusto Heleno (Defesa) e Sérgio Moro (Justiça), todos com qualificações exemplares aos futuros cargos. Esta composição inicial não se afasta das promessas de campanha, agrada aos investidores e melhora as expectativas (bolsa de valores sobe e Dólar, juros e risco-país caem) e já muda o humor para a volta dos investimentos no país. A lua-de-mel começou bem.

Este fenômeno da ascensão da direita no Brasil não é um fato isolado, não. Na verdade, estamos a “reboque” do que se passou com BREXIT, Donald Trump e mais recentemente na Itália, dentre outros. Por motivos basilares diversos, mas com vários pontos em comum, o Brasil será uma “peça” importante nesse novo tabuleiro político-econômico mundial, em especial na América Latina. A nova ordem nem sempre é bem recebida, e por vezes rechaçada com vigor. São muitos interesses a serem contrariados, e a própria mudança em si traz consigo inseguranças e quebras de privilégios diversos. Por esse motivo e avaliando os exemplos predecessores, o horizonte não mostra um caminho fácil. O planejamento e a firmeza de condução das políticas precisam ser fortes, coesas e afinadas. O poder Executivo pode muito, mas não pode tudo. Contar com o Congresso Nacional e saber convencê-lo das necessidades do país que economistas e demais técnicos apresentarão não será tarefa fácil, mas cujas estratégias e capacidade de coordenação política, distintas do passado, serão fundamentais. Assim, a frase recentemente lembrada pelo economista Eduardo Giannetti que abre este Comentário traduz bem o momento que vivemos: “Os economistas podem ser mais ingênuos sobre a política do que os políticos sobre a economia”.

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